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Como os impostos afetam os preços do carro elétrico no Brasil? 10: 07Imposto de importação vai alcançar 35% em julho; mas isso nem sempre foi assim, lembra a Duquesa de Tax. Crédito: edição: Felipe PahorSempre que a mobilidade elétrica ganha espaço no debate público, surge uma pergunta recorrente: se os carros elétricos representam o futuro da indústria automotiva, ainda faz sentido investir em bicicletas elétricas? A resposta é simples: não apenas faz sentido, como a comparação parte de uma premissa equivocada.
Carros elétricos e bicicletas elétricas não competem entre si. Eles ocupam funções diferentes dentro de um mesmo ecossistema de mobilidade e, quando utilizados de forma complementar, oferecem uma resposta muito mais eficiente aos desafios das cidades. Durante décadas, a discussão sobre transporte esteve concentrada na substituição do motor a combustão por tecnologias menos poluentes. Trata-se de um avanço importante, mas insuficiente.
A eletrificação da frota reduz emissões associadas ao uso do veículo, porém não elimina problemas estruturais como congestionamentos, ocupação do espaço urbano, baixa eficiência no deslocamento individual e o elevado custo social da dependência do automóvel. Em outras palavras, trocar um carro convencional por um carro elétrico melhora parte da equação ambiental, mas não resolve, sozinho, o desafio da mobilidade urbana. O relatório Global EV Outlook 2025, da International Energy Agency (IEA), demonstra que a expansão dos veículos elétricos é um passo decisivo para reduzir as emissões do transporte, mas também ressalta que a descarbonização do setor depende de uma combinação de eletrificação, eficiência energética e mudanças nos padrões de deslocamento. É justamente nesse ponto que a bicicleta elétrica assume um papel estratégico.
Diferentemente do automóvel, ela amplia as possibilidades de deslocamento ativo, reduz a necessidade de viagens motorizadas em curtas e médias distâncias e torna viável um público muito maior utilizar a bicicleta como meio de transporte cotidiano. A assistência elétrica elimina barreiras relacionadas ao relevo, à distância, ao condicionamento físico e até mesmo ao transporte de cargas leves, permitindo que pessoas de diferentes perfis substituam parte dos deslocamentos feitos anteriormente de carro. Os estudos científicos mais recentes reforçam essa percepção. A meta-análise Electric bicycle mode substitution for driving, public transport, conventional cycling and walking: A systematic review and meta-analysis, publicada na revista Transportation Research Part D: Transport and Environment, reuniu resultados de 24 pesquisas realizadas em diferentes países e concluiu que as bicicletas elétricas substituem viagens realizadas por diversos meios de transporte, incluindo automóveis.
O levantamento também identificou que pesquisas mais recentes registram uma tendência crescente de substituição de viagens feitas de carro pelas realizadas em bicicletas elétricas, especialmente em cidades que investem em infraestrutura cicloviária e integração modal. Outro estudo, The effects of e-bike adoption on travel behaviour, publicado em 2024 por pesquisadores da Universidade de Lausanne, mostra que usuários de bicicletas elétricas frequentemente reduzem o uso do carro, deixam de depender de outros veículos motorizados e passam a utilizar a bicicleta em uma variedade muito maior de situações do cotidiano. Em vez de substituir apenas a bicicleta convencional, a tecnologia amplia a frequência de uso e permite que deslocamentos antes considerados inviáveis passem a ser realizados sobre duas rodas. Trata-se de uma mudança de comportamento com impactos diretos sobre congestionamentos, emissões e qualidade de vida urbana. A própria IEA reforça essa visão no relatório Energy Efficiency 2020 – Urban Transport, que destaca como políticas voltadas à mobilidade ativa, à micromobilidade elétrica e à integração entre diferentes modais são fundamentais para reduzir o consumo de energia nas cidades.
A conclusão é clara: não basta trocar o combustível. É preciso utilizar o veículo mais adequado para cada tipo de trajeto. Esse talvez seja o ponto mais importante da discussão. Existe uma tendência de imaginar que toda pessoa precise escolher um único meio de transporte.
Na prática, a mobilidade contemporânea funciona de forma muito diferente. Um profissional pode utilizar a bicicleta elétrica para ir ao trabalho durante a semana, recorrer ao transporte público em dias específicos e utilizar um carro — elétrico ou não — para viagens mais longas ou deslocamentos familiares. Não há contradição nessa escolha.
Há racionalidade. A lógica da complementaridade também faz sentido do ponto de vista econômico. O custo de aquisição, manutenção, consumo de energia e estacionamento de uma bicicleta elétrica é significativamente inferior ao de um automóvel elétrico. Para milhares de pessoas, ela representa a porta de entrada mais acessível para a mobilidade elétrica, democratizando uma tecnologia que muitas vezes ainda é percebida como restrita a veículos de maior valor agregado. Ao mesmo tempo, o avanço dos carros elétricos contribui para acelerar investimentos em infraestrutura de recarga, desenvolvimento tecnológico, inovação em baterias e fortalecimento da cadeia produtiva da eletrificação.
Esses avanços beneficiam todo o setor, inclusive a micromobilidade. Não se trata, portanto, de mercados rivais, mas de segmentos que evoluem em paralelo e compartilham parte da mesma transformação tecnológica. A experiência internacional demonstra que as cidades mais bem-sucedidas na redução de emissões não apostam em uma única solução. Elas constroem sistemas de transporte diversificados, nos quais transporte coletivo, caminhada, bicicletas convencionais, bicicletas elétricas e veículos elétricos coexistem de maneira integrada.
Quanto maior o número de alternativas disponíveis, menor a dependência de um único modal e maior a eficiência do sistema como um todo. Por isso, a pergunta que deveria orientar o debate não é se carros elétricos substituirão bicicletas elétricas ou vice-versa. A questão mais relevante é como cada tecnologia pode contribuir para tornar nossas cidades mais inteligentes, sustentáveis e humanas. A bicicleta elétrica não pretende ocupar o lugar do automóvel em todas as situações. Ela pretende ocupar o lugar do carro quando ele simplesmente não é a melhor escolha.
E, em milhares de deslocamentos diários de poucos quilômetros, essa substituição já é perfeitamente possível. No futuro da mobilidade, vencerá quem compreender que inovação não significa escolher um único veículo, mas construir um sistema em que cada modal desempenhe exatamente o papel para o qual é mais eficiente. Carros elétricos e bicicletas elétricas fazem parte dessa mesma transformação. Não são adversários.
São aliados na construção de cidades que priorizam pessoas, eficiência energética e qualidade de vida.
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