📸 Créditos da imagem: A plataforma já havia tentado aliviar as preocupações da UE, armazenando as informações dos usuários europeus no continente - Antonin UTZ/AFP
A Alemanha defendeu, nesta terça-feira (12), que as operações da rede social TikTok na Europa passem a estar sob controle de entidades europeias. A proposta surge em meio a crescentes preocupações com a privacidade de dados e a segurança cibernética, ecoando movimentos semelhantes observados nos Estados Unidos.
O ministro da Cultura da Alemanha, Wolfram Weimer, expressou sua firme convicção de que a Europa deve seguir o exemplo americano. Antes de uma reunião com seus homólogos da União Europeia em Bruxelas, Weimer declarou que a estrutura de propriedade da empresa chinesa ByteDance, controladora do TikTok, deveria ser reavaliada para o continente.
Nos Estados Unidos, após uma intensa batalha judicial e a ameaça de banimento da plataforma, a ByteDance cedeu este ano o controle das operações de seu aplicativo a uma empresa conjunta de maioria americana. Este precedente é visto por Berlim como um modelo a ser replicado para garantir a soberania digital europeia.
“Estou firmemente convencido de que a Europa deve seguir o exemplo dos Estados Unidos e que a estrutura de propriedade da empresa deve ser colocada sobre a mesa”, afirmou Weimer aos jornalistas. Ele complementou, enfatizando a necessidade de “colocar o negócio europeu do TikTok em mãos europeias”, visando maior transparência e controle sobre a plataforma.
A principal preocupação alemã reside na coleta massiva de dados de jovens europeus pelo TikTok. Segundo Weimer, a plataforma “recolhe dados dos jovens europeus em uma escala inimaginável”. Ele destacou que “estes dados fluem para servidores cuja origem não conhecemos com precisão”, levantando sérias questões sobre o destino e a segurança dessas informações.
O ministro alemão garantiu que a Europa desconhece o que acontece com tais informações, que ele descreveu como os “dados mais íntimos da juventude europeia”. A falta de visibilidade sobre o manuseio desses dados por uma empresa com sede na China tem sido um ponto de atrito para diversos governos ocidentais.
Contactado para comentar as declarações, o TikTok não se manifestou. Contudo, a plataforma já havia tentado mitigar as preocupações da União Europeia anteriormente, implementando medidas para armazenar as informações dos usuários europeus no próprio continente, além de impor restrições sobre quem pode acessá-las.
Apesar da forte posição da Alemanha, a Comissão Europeia não apoiou publicamente as declarações de Weimer. A ausência de um endosso imediato da Comissão sugere que a proposta alemã pode enfrentar resistência ou demandar um debate mais aprofundado entre os estados-membros antes de qualquer ação coordenada em nível europeu.
Este debate ressalta a crescente tensão entre a inovação tecnológica global e as preocupações com a soberania de dados e a segurança nacional, à medida que governos buscam equilibrar o acesso a plataformas populares com a proteção de seus cidadãos e infraestruturas digitais.
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