📸 Créditos da imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Instagram, Facebook, TikTok e YouTube estão ampliando ferramentas que permitem personalizar as recomendações exibidas nos feeds. A mudança responde às críticas de usuários que se sentem presos a sugestões automáticas de conteúdo, nem sempre alinhadas aos seus interesses. Com o avanço da inteligência artificial (IA), as plataformas conseguem interpretar pedidos mais específicos e dar aos usuários novas maneiras de influenciar o que aparece na tela. Como as redes sociais estão mudandoDurante anos, as plataformas priorizaram recomendações automáticas em vez de publicações das contas seguidas pelos usuários.
A ideia era prever quais conteúdos despertariam interesse e manteriam as pessoas conectadas por mais tempo. Mas o modelo também recebeu críticas por levar usuários a sequências de vídeos irrelevantes ou potencialmente prejudiciais. O Instagram tenta mudar essa relação com o recurso “seu algoritmo”. A ferramenta mostra os assuntos que a rede associa aos interesses de cada pessoa e permite indicar temas que ela deseja ver mais ou menos.
Lançada inicialmente na aba Reels, foi ampliada para todo o aplicativo e chegou também ao Facebook. Tessa Lyons, vice-presidente de produto do Instagram, explicou à CNN que a intenção é recuperar parte do controle que as pessoas tinham quando escolhiam quais contas acompanhar, sem abrir mão das recomendações que ajudam a descobrir novos conteúdos. O que muda em cada plataformaAs redes adotaram soluções diferentes para atender a essa demanda: Instagram: o recurso “seu algoritmo” permite consultar e ajustar os temas associados aos interesses do usuário. Facebook: recebeu a ferramenta de personalização do Instagram, ampliando as opções de controle das recomendações. TikTok: oferece controles para regular a frequência de categorias de conteúdo e uma ferramenta separada para filtrar palavras-chave e termos relacionados.
YouTube: anunciou feeds personalizados em abas próprias, voltadas a interesses como exercícios físicos e vídeos de ASMR. Instagram: também oferece opções de feed cronológico e de contas favoritas, introduzidas em 2022 como alternativas ao feed principal de recomendações. As mudanças não significam que seja possível impedir a exibição de todo conteúdo produzido com IA.
Neal Mohan, CEO do YouTube, argumentou que separar vídeos gerados por inteligência artificial daqueles feitos por pessoas é uma distinção artificial, já que muitas produções combinam as duas formas. A distância entre o interesse e o cliqueA personalização mais direta depende de uma tecnologia capaz de compreender instruções em linguagem natural. Em vez de deduzir todas as preferências a partir das visualizações e interações, os sistemas podem interpretar pedidos sobre os assuntos que devem aparecer com maior ou menor frequência. Lyons afirmou à CNN que esse avanço permite expressar preferências com palavras próprias.
Antes, explicou, as plataformas tinham dificuldade para identificar com precisão quais publicações correspondiam a temas específicos, como tênis. Ainda existe, porém, um obstáculo: o comportamento nem sempre reflete o que as pessoas gostariam de ver. Tim Weninger, professor de ciência da computação e engenharia da Universidade de Notre Dame, observa que conteúdos que provocam raiva ou tristeza também podem gerar visualizações, comentários e compartilhamentos. Essas interações podem confundir os sistemas de recomendação, que precisam distinguir interesse de reação emocional. A questão é saber quanto as preferências declaradas pelos usuários conseguirão influenciar os algoritmos diante dos sinais registrados durante a navegação.
Valdir Antonelli Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo. Ver todos os artigos →
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