Falcon 9 sai de cena e deixa a defesa dos EUA com poucas opções

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Falcon 9 sai de cena e deixa a defesa dos EUA com poucas opções

📸 Créditos da imagem: SpaceX

A decisão da SpaceX de substituir o Falcon 9 pelo Starship pode complicar os planos espaciais de defesa dos Estados Unidos. Com poucas alternativas prontas para assumir os lançamentos, a Força Espacial americana enfrenta dificuldades para garantir o transporte de satélites militares dentro dos prazos previstos. A empresa de Elon Musk respondeu por 85% dos lançamentos realizados nos EUA em 2025. O desafio é encontrar outros fornecedores antes que a aposentadoria do Falcon 9 reduza ainda mais as opções disponíveis.

Três missões ficaram sem fogueteA dificuldade já apareceu na contratação de novos voos. Segundo o Politico, a Força Espacial tentou reservar lançamentos para três missões futuras, mas a SpaceX não ofereceu seus serviços. Nenhuma outra empresa se dispôs a assumir os voos, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Duas das missões estão ligadas à Agência de Desenvolvimento Espacial, responsável por construir uma rede de centenas de satélites em órbita baixa.

O sistema deve ampliar a transmissão de dados e permitir o alerta e o rastreamento de mísseis. Os detalhes da terceira missão não foram divulgados. O general de brigada Eric Zarybnisky, responsável interino pela área de aquisição de acesso ao espaço na Força Espacial, procurou afastar a ideia de que as missões não poderão ser realizadas. “Eu não diria que há missões que me preocupam quanto à capacidade de voar; diria que estamos trabalhando para encontrar a maneira certa de atender a esses clientes”, afirmou. Ele reconheceu, porém, que a chegada de novos fornecedores e o aumento da demanda exigem ajustes. “Temporariamente, há algumas questões que precisaremos resolver enquanto novos fornecedores começam a operar”, disse. Por que o Starship não resolve o problemaA SpaceX aposta no Starship, um foguete de grande porte que a empresa considera mais eficiente e lucrativo.

A mudança, no entanto, não é simples: muitos satélites militares foram projetados para compartimentos de carga diferentes dos previstos para o novo veículo. O Starship foi desenvolvido para transportar cargas empilhadas horizontalmente, como os satélites da rede Starlink. A Força Espacial considera utilizá-lo no futuro, mas ainda há obstáculos de engenharia.

Também não está claro quando a SpaceX terá capacidade para atender às necessidades do Pentágono, já que o veículo será usado em outros projetos da empresa. Os concorrentes tampouco conseguem preencher a lacuna no curto prazo: United Launch Alliance (ULA): o foguete Vulcan enfrentou problemas nos propulsores auxiliares sólidos e ficou temporariamente impedido de voar. Os atrasos levaram a Força Espacial a transferir missões para a SpaceX. Blue Origin: o programa New Glenn sofreu um revés em maio, quando um foguete explodiu na única plataforma de lançamento da empresa na Flórida.

O veículo provavelmente ficaria fora de operação até o ano seguinte. Rocket Lab, Stoke Space e Relativity Space: as três empresas desenvolvem foguetes de capacidade intermediária, mas ainda não realizaram voos de teste bem-sucedidos com seus novos veículos. Reservar lançamentos com antecedênciaA falta de alternativas também preocupa o mercado comercial.

Algumas empresas de satélites não conseguiram garantir voos do Falcon 9 após 2028, enquanto novos fornecedores ainda precisam demonstrar que seus foguetes funcionam. As regras atuais impedem que empresas conquistem contratos militares antes de comprovar a capacidade de realizar voos bem-sucedidos. No mercado comercial, essa exigência não existe da mesma forma, e companhias já reservam lançamentos em foguetes que ainda não estrearam. Isso aumenta a disputa pelas vagas futuras. Um representante do setor defendeu que a Força Espacial encontre maneiras de reservar capacidade com antecedência.

Outra pessoa familiarizada com o problema propôs que os militares e o Congresso reformulem o sistema de contratação, permitindo reservar vários lançamentos para os próximos anos, inclusive em veículos que ainda não voaram. A estratégia envolve riscos, mas esperar que todos os foguetes estejam operacionais também pode deixar o governo sem opções. A Força Espacial mantém conversas com a SpaceX para acompanhar o desenvolvimento dos satélites já contratados e definir quando ocorrerá o último lançamento do Falcon 9 para o serviço. O desafio será garantir capacidade suficiente antes que a transição para o Starship restrinja ainda mais as alternativas disponíveis.

Valdir Antonelli Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo. Ver todos os artigos →

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