Aquecimento da Terra muda ‘idade’ do Oceano Pacífico, revela estudo

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Aquecimento da Terra muda ‘idade’ do Oceano Pacífico, revela estudo

📸 Créditos da imagem: Damsea/Shutterstock

O aquecimento do planeta pode mudar a circulação do Oceano Pacífico e “envelhecer” sua água, enquanto outras regiões ficam relativamente mais “jovens”. A mudança pode comprometer a vida marinha em diferentes camadas. A descoberta foi publicada por pesquisadores na revista AGU Advances. Por meio de modelos de circulação oceânica, a equipe analisou como o aquecimento altera a movimentação das águas do Pacífico, além de identificar os impactos em diferentes regiões do oceano. Para quem tem pressa: O aquecimento do planeta pode deixar águas do Pacífico subtropical mais “velhas” e reduzir sua concentração de oxigênio; Nas regiões tropicais, o efeito pode ser diferente: as águas tendem a ficar relativamente mais “jovens” porque o aquecimento reduz a subida de águas profundas; As mudanças na circulação podem afetar a distribuição de oxigênio e as condições de vida de espécies marinhas em diferentes partes do oceano.

O que seria água jovem e água envelhecida? No estudo, a idade da água não está relacionada ao tempo de existência das moléculas. O conceito indica quanto tempo aquela massa de água está sem contato com a atmosfera.

Esse contato é importante porque permite que a água absorva oxigênio antes de ser transportada para regiões mais profundas do oceano. Uma água considerada “jovem” esteve recentemente próxima da superfície e foi ventilada pela atmosfera. Depois, ela pode afundar e levar consigo o oxigênio absorvido. Já uma água “velha” passou mais tempo isolada da atmosfera enquanto circulava na profundidade.

Nesse período, organismos marinhos consomem parte do oxigênio dissolvido, fazendo com que a concentração do gás diminua. No estudo, os pesquisadores analisaram principalmente a termoclina do Pacífico, camada localizada aproximadamente entre 200 e mil metros de profundidade. É nessa região que o contraste aparece de maneira forte. Áreas subtropicais que atualmente recebem água relativamente jovem podem ficar mais antigas, enquanto partes do Pacífico tropical, que já possuem águas antigas e pouco ventiladas, podem ficar relativamente mais jovens.

undo do Pacífico E por que isso acontece? Um dos conceitos principais para entender o resultado é a estratificação do oceano. Quando a superfície do mar aquece, ela aumenta a diferença entre a água superior e as águas mais profundas.

Com isso, fica mais difícil para a água circular entre essas camadas. No Pacífico subtropical, esse processo faz a circulação ficar mais rasa. A água que afunda nas regiões subtropicais passa a ventilar uma camada menor do oceano, reduzindo o transporte de água jovem e rica em oxigênio para partes mais profundas da termoclina. Como consequência, essas águas tendem a ficar mais antigas e perder oxigênio. O fenômeno não acontece da mesma maneira em todo o Pacífico.

Nas regiões tropicais, o aquecimento reduz o movimento de subida de águas profundas, que normalmente trazem para perto da superfície água antiga e pobre em oxigênio. Com menos desse fluxo, as águas tropicais podem ficar relativamente mais jovens e apresentar uma perda de oxigênio menor do que as regiões subtropicais. A pesquisa chegou às informações, por meio de modelos que simularam como o aquecimento global alteraria a circulação do Oceano Pacífico. Para ampliar os resultados, foram criados diversos cenários que aumentavam a temperatura em todo oceano e outros onde algumas regiões chave tinham sua água aquecida. Após a simulação dos cenários, os autores do estudo compararam os resultados com dados de 14 modelos climáticos e medições de oxigênio feitas no oceano, que expuseram as possíveis mudanças.

Na prática, o que isso significa? O oxigênio dissolvido na água é essencial para a vida marinha que já é consolidada nestas condições. Por isso, alterações na circulação do oceano podem impactar profundamente diversas espécies que vivem nessas regiões. Além da redução do oxigênio, o próprio aumento da temperatura da água pode mudar os ambientes. Espécies acostumadas a determinadas condições climáticas e de oxigênio podem ter seu habitat reduzido ou serem obrigadas a migrar para outras regiões. Por isso, os pesquisadores do estudo defendem que é necessário aprofundar as análises sobre esse aquecimento e a possível “nova circulação”.

Assim, será possível compreender melhor seus impactos e se será possível a adaptação da vida marinha afetada. Enzo Monteiro Enzo Monteiro é redator no Olhar Digital. Ver todos os artigos → Pedro Spadoni Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba.

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