📸 Créditos da imagem: reprodução / Tecmundo
Um esquema de fraude cibernética está usando o sistema de anúncios do Google, o Google Ads, para exibir alertas de segurança falsos e fazer os navegadores de internet parecerem travados. A campanha foi identificada pela empresa Netskope Threat Labs, que detectou a exposição ao golpe em pelo menos 619 organizações entre o fim de agosto e meados de setembro. O objetivo dos criminosos é criar um cenário de pânico para que as vítimas telefonem para números de suporte técnico fraudulentos. Em nota enviada ao TecMundo, o Google declarou que tem “tolerância zero para golpes” e que toma medidas contra contas que violam suas políticas. Armadilha escondida após o cliqueO ataque começa quando o usuário clica em um anúncio veiculado em sites legítimos de mapas, previsão do tempo, imobiliárias, hospedagem de documentos e esportes.
O tráfego para os sites falsos chega a partir de anúncios pagos no Google Ads. Ao abrir a página, a vítima visualiza primeiro uma tela de carregamento que em seguida se transforma em uma loja virtual aparente chamada ShopEase. O código malicioso permanece oculto e só é ativado quando o sistema detecta o movimento do mouse na tela. Essa estratégia serve para filtrar acessos automáticos de sistemas de análise e rastreadores de segurança, que não geram movimentos reais de cursor: “O bloqueador preenche a tela, oculta o cursor, anula as teclas usuais de saída e causa lentidão no navegador”, observou a equipe da Netskope Threat Lab, ao descrever como o golpe cria a aparência de um problema grave no computador. Bloqueio simulado e pressão psicológicaApós o movimento do cursor, o sistema decodifica as instruções ocultas diretamente na memória do navegador de internet, sem baixar arquivos que possam ser inspecionados por programas de proteção. Em computadores com sistema Windows, a tela falsa simula o Centro de Segurança do Microsoft Defender, exibindo avisos de que o computador está infectado. Em computadores Mac, a fraude utiliza uma fachada falsa da Apple.
A página força a exibição em tela cheia, esconde o ponteiro do mouse, desativa a tecla de saída e emite alertas sonoros que travam o uso normal do navegador. Apesar da aparência alarmante e das mensagens que pedem para o usuário não desligar o computador e ligar imediatamente para um número de telefone, o sistema operacional continua funcionando normalmente e não trava de fato. A tática guarda semelhanças com o formato usado pela ferramenta de fraude CypherLoc, identificada pela empresa de segurança Barracuda, que registrou cerca de 2,8 milhões de ataques com esse tipo de estrutura desde o início do ano. “O CypherLoc mostra como os programas de alerta falso evoluíram de simples golpes de tela congelada para estruturas de ataque furtivas e residentes no navegador, que se apoiam no medo do usuário em vez da instalação de programas maliciosos”, destacaram os pesquisadores da Barracuda Research em relatório sobre o tema. O posicionamento e as defesas da plataformaPara rebater o uso das ferramentas por criminosos, o Google destacou que utiliza inteligência artificial (IA) para interceptar conteúdos maliciosos antes mesmo da exibição. Segundo a big tech, sistemas alimentados pelo modelo Gemini interceptaram mais de 99% dos anúncios que violavam diretrizes em 2025. Nossos modelos analisam centenas de bilhões de sinais — incluindo tempo de criação da conta, sinais comportamentais e padrões de campanhas — para interromper ameaças antes que elas atinjam as pessoas.
Diferentemente dos sistemas anteriores baseados em palavras-chave, nossos modelos mais recentes compreendem melhor a intenção, ajudando-nos a identificar conteúdo malicioso e bloqueá-lo preventivamente, mesmo quando é projetado para escapar da detecção”Keerat Sharma, vice-presidente e gerente-geral de Privacidade e Segurança de Anúncios do GoogleDe acordo com dados divulgados pelo Google, ao longo de 2025, a plataforma bloqueou ou removeu mais de 8,3 bilhões de anúncios e suspendeu 24,9 milhões de contas no mundo, sendo 602 milhões de anúncios e 4 milhões de contas ligados diretamente a golpes. No Brasil, a contenção alcançou 374 milhões de publicações bloqueadas e 1,3 milhão de perfis suspensos. Como destravar a tela sem cair no golpePara escapar do travamento simulado, os pesquisadores da Netskope orientam que o usuário nunca ligue para os números exibidos na tela. Caso a tecla de saída rápida não funcione após ser pressionada por alguns segundos, a recomendação é fechar o navegador diretamente pelo gerenciador de tarefas do computador e reabri-lo sem restaurar a última sessão de navegação.
📰 Leia a notícia completa em: Tecmundo »