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Reportagem”Nova Guerra Fria”: alertas sobre IA unem mentor de Bolsonaro e socialistaO senador Bernie Sanders e o estrategista Steve Bannon, figuras de polos opostos da política americana, apareceram no mesmo evento para pedir freios urgentes à inteligência artificial. O encontro expôs um raro ponto de convergência: a sensação de que a corrida da IA virou uma espécie de “Nova Guerra Fria” – e que, do jeito que está, quem manda no jogo são bilionários e empresas de tecnologia, não a sociedade. Assine a newsletter de IAgora? e receba toda semana análises fresquinhas de IA no seu email. O que aconteceu*Sanders, senador socialista, e Bannon, estrategista de extrema-direita que ajudou Trump e Bolsonaro a se elegerem, discursaram em sequência na “Pro-Human Assembly”, em Washington, pedindo regras mais duras para a IA e criticando a concentração de poder nas mãos de grandes empresas de tecnologia. *Os dois usaram a metáfora de “Guerra Fria” para falar da disputa tecnológica com a China, mas defenderam caminhos opostos: Sanders falou em acordo internacional para pausar o avanço de sistemas muito avançados; Bannon defendeu isolar a China do ecossistema americano de pesquisa, dinheiro e tecnologia. *O debate acontece num momento em que parte de Washington discute se é preciso desacelerar a IA por risco social e até “existencial”, enquanto o presidente Donald Trump já chamou esses medos de “hoax” (farsa). O que eles disseramUma IA superinteligente que escape do controle humano não será um problema americano.
Não será um problema chinês. Será um problema da humanidade. Bernie SandersÉ por isso que eu espero muito que, na cúpula de IA deles na semana que vem, o presidente Trump negocie um tratado abrangente com o presidente Xi para estabelecer uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e uma proibição da superinteligência. Bernie SandersSem acordos, sem tratados: vocês estão fora do negócio de IA porque nós vamos derrubar o ecossistema de vocês. Steve BannonOs cidadãos americanos não vão mais ser suplicantes aos oligarcas. Steve BannonIAgora? O que chama atenção aqui não é só a foto improvável de um socialista veterano e um estrategista da direita radical falando a mesma língua sobre “frear” a IA. É o motivo: a tecnologia cada vez mais é o tema principal dos corredores políticos e tende a pautar o debate das próximas eleições mundiais. Quando políticos tão diferentes concordam que “do jeito que está não dá”, isso costuma ser sinal de que o problema já chegou na porta de casa.
Mas a concordância para por aí: Sanders trata a IA como um risco global, tipo corrida nuclear, que exigiria um combinado entre países. Bannon enxerga a mesma corrida como disputa de poder e quer cortar pontes com a China antes de qualquer conversa. Na prática, é como se os dois estivessem olhando para o mesmo incêndio e dando soluções diferentes: um quer chamar os vizinhos para fazer um mutirão e criar regras; o outro quer trancar o portão e impedir que o vizinho chegue perto do botijão de gás. Para quem está fora de Washington, a consequência mais provável é que a IA vire um tema permanente de campanha e de briga institucional: quem manda nas regras – o presidente, o Congresso, os estados, ou as próprias empresas? E, enquanto essa disputa acontece, a tecnologia continua avançando.
O risco é a sociedade discutir o freio quando o carro já está embalado na descida. ReportagemTexto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. O autor da mensagem, e não o, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do.
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