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A ciência começou a olhar para o ridículo de outro jeito e o motivo vai muito além da risada. Errar diante de outras pessoas, tropeçar nas próprias palavras ou simplesmente parecer ridículo costuma despertar uma vontade imediata de desaparecer.
O Poder do Clown
Existe uma linguagem artística que faz exatamente o contrário: coloca a falha no centro da experiência. É nesse território que trabalha Luján Reggi, psicóloga, professora de teatro e pesquisadora de doutorado que investiga o que o clown pode revelar sobre emoções, vulnerabilidade e saúde mental.
Quando o ridículo deixa de ser algo a esconder. Antes da psicologia, veio o teatro. Foi durante sua formação artística que Luján Reggi conheceu o clown, justamente em um período bastante particular de sua vida, entre o puerpério da segunda filha e a gravidez da terceira.
A Arte de Ser Ridículo
O que despertou sua curiosidade não estava apenas no palco ou na possibilidade de provocar risadas. Havia algo acontecendo internamente, sobretudo através do corpo. O jogo, a presença e a vulnerabilidade pareciam alcançar lugares que nem sempre respondiam às palavras.
Essa percepção acabou abrindo caminho para outra pergunta: seria possível compreender esses efeitos pela psicologia? Com o passar do tempo, Reggi começou a observar fenômenos semelhantes nas pessoas que participavam dos treinamentos.
- Algumas pareciam desenvolver uma relação diferente consigo mesmas.
- Tornavam-se mais flexíveis, mais presentes e menos dominadas pela vergonha ou pela cobrança constante de acertar.
Aquilo que havia começado como uma experiência artística passou, então, a despertar interesse científico. Atualmente, Reggi desenvolve sua tese de doutorado em Psicologia, com orientação em Neurociência Cognitiva Aplicada.
Do Palco para a Saúde Mental
A grande questão agora é descobrir se essas experiências podem produzir benefícios mensuráveis e, principalmente, se podem ser utilizadas de maneira responsável em outros contextos. Reggi investiga a possibilidade de o clown funcionar como uma ferramenta não farmacológica de promoção da saúde mental em grupos.
Caso esse potencial seja confirmado, as aplicações poderiam ultrapassar os espaços tradicionalmente ligados ao teatro. Hospitais, escolas e projetos comunitários aparecem entre os ambientes nos quais práticas artísticas podem ganhar relevância.
A proposta não seria substituir tratamentos psicológicos ou médicos, mas ampliar as possibilidades de prevenção, cuidado e promoção do bem-estar. Essa perspectiva também convida a repensar o papel da arte.
Talvez rir seja mais sério do que parece. Pensar em saúde mental apenas como ausência de sintomas pode ser limitado. Bem-estar também envolve sentir curiosidade, conexão, espontaneidade e a sensação de estar verdadeiramente presente na própria vida.
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