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Dores de cabeça persistentes são uma das queixas mais comuns em consultórios médicos, frequentemente associadas a condições benignas. Contudo, quando acompanhadas de sintomas como náuseas, vômitos, convulsões, dificuldade na fala ou perda de sensibilidade em partes do corpo, elas podem ser um alerta para algo muito mais grave: um glioma, um tipo de tumor cerebral.
Recentemente, uma nova e promissora opção de tratamento para esse tipo de tumor foi aprovada no Brasil, oferecendo uma nova perspectiva para pacientes que enfrentam a doença por muitos anos. Este avanço representa um marco significativo na neuro-oncologia, especialmente para um dos gliomas mais prevalentes.
O que é um Glioma e Por Que Ele Pode Ser Perigoso?
Os gliomas são tumores que se originam das células gliais, que são essenciais para o suporte e proteção dos neurônios no cérebro e na medula espinhal. Quando essas células começam a crescer de forma descontrolada, formam uma massa que pode comprimir regiões vitais, resultando em uma variedade de sintomas que dependem diretamente da localização e do tamanho do tumor.
Existem diversos tipos de gliomas, alguns com crescimento rápido e comportamento agressivo, enquanto outros evoluem lentamente ao longo de anos. Mesmo os gliomas de baixo grau, considerados menos agressivos, têm a capacidade de infiltrar o tecido cerebral saudável e, com o tempo, podem sofrer transformações que aumentam sua malignidade, tornando o monitoramento e tratamento contínuos cruciais.
A Genética Revoluciona o Tratamento de Gliomas
A compreensão do perfil genético de um tumor tornou-se um pilar fundamental para a definição do tratamento mais eficaz. Um dos marcadores genéticos mais importantes é a mutação nas enzimas IDH1 e IDH2, frequentemente encontrada em gliomas difusos de baixo grau em adultos.
A pesquisadora Marianela Candolfi, do Instituto de Investigações Biomédicas (INBIOMED), ligado ao CONICET e à Universidade de Buenos Aires, destaca a relevância desses marcadores. Na Argentina, aproximadamente 1.800 adultos são diagnosticados com glioma anualmente. Embora a maioria seja de tumores de alto grau, cerca de 10% desses casos apresentam a mutação em IDH, geralmente em pacientes com menos de 40 anos.
Esses tumores com mutação em IDH tendem a ter uma evolução mais lenta. Após a cirurgia, cerca de 80% dos pacientes sobrevivem por mais de dez anos. No entanto, a recorrência da doença é um desafio comum nesse período, exigindo abordagens terapêuticas adicionais.
Vorasidenibe: Uma Nova Esperança Contra a Progressão da Doença
Após cerca de 25 anos sem avanços terapêuticos significativos para esse grupo específico de pacientes, a aprovação de um novo medicamento representa uma mudança paradigmática no tratamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o vorasidenibe, um comprimido diário.
O medicamento é indicado para adultos e adolescentes com mais de 12 anos que foram submetidos à cirurgia para glioma difuso de baixo grau com mutação em IDH. Sua ação consiste em bloquear as enzimas alteradas que são responsáveis pela produção de substâncias que promovem o crescimento das células tumorais.
A aprovação do vorasidenibe foi embasada nos resultados do estudo clínico INDIGO, que também serviu de base para a autorização do tratamento pela agência reguladora dos Estados Unidos. Os dados do estudo revelaram uma redução de 61% no risco de progressão da doença, além de demonstrar a capacidade de retardar o crescimento do tumor e diminuir seu volume. Entre os participantes do estudo, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 27,7 meses para aqueles que receberam vorasidenibe, em comparação com 11,1 meses para os pacientes tratados com placebo.
Sintomas Variados e o Processo Diagnóstico
Segundo o oncologista Elías Ortega Chahla, da Unidade de Neuro-Oncologia do Instituto Ángel H. Roffo, o tratamento inicial para gliomas continua sendo a cirurgia. O objetivo primordial é remover a maior quantidade possível do tumor, minimizando qualquer comprometimento de áreas cerebrais vitais.
Os sintomas de um glioma são altamente variáveis e dependem diretamente da região do cérebro afetada. Além das dores de cabeça persistentes, os pacientes podem experimentar:
- Convulsões;
- Dificuldade para falar;
- Perda de força;
- Dormência nos dedos, nas pernas ou em um lado da face;
- Náuseas e vômitos.
O diagnóstico inicial é frequentemente realizado por meio de ressonância magnética. Após a identificação do tumor, exames moleculares são cruciais para determinar o perfil genético específico, permitindo uma classificação mais precisa e a elaboração de uma estratégia terapêutica personalizada e mais eficaz.
Diferenças Cruciais Entre Gliomas em Crianças e Adultos
Embora crianças também possam desenvolver gliomas, a doença manifesta características distintas nessa faixa etária. Marianela Candolfi explica que as alterações genéticas em pacientes pediátricos são frequentemente diferentes das observadas em adultos, o que resulta em comportamentos tumorais variados.
Muitos gliomas em pacientes pediátricos surgem em regiões centrais do cérebro, onde o espaço para expansão é limitado e o risco de afetar estruturas vitais é maior. Contudo, em muitos desses casos, a cirurgia por si só pode ser suficiente para controlar a doença, frequentemente sem a necessidade de radioterapia ou quimioterapia.
Para adolescentes acima de 12 anos e adultos com glioma difuso de baixo grau e mutação em IDH, a chegada do vorasidenibe marca o início de uma nova era no tratamento. A expectativa dos especialistas é que este medicamento possa prolongar significativamente o período de remissão da doença, reduzir a necessidade de intervenções precoces e, consequentemente, oferecer uma melhor qualidade de vida aos pacientes afetados.
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