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O Brasil está encostando em um dos negócios mais valiosos da Argentina
A disputa pode mexer com toda a soja da região
Durante décadas, a Argentina construiu uma vantagem difícil de contestar em um dos segmentos mais importantes do complexo da soja. Era um domínio tão consolidado que parecia quase estrutural. Mas esse cenário começou a mudar.
No Brasil, o governo incentivou a expansão da capacidade de processamento de soja, o que levou a um crescimento expressivo da indústria de esmagamento.
A demanda por óleo de soja aumentou historicamente altos, gerando uma oferta maior de farelo de soja.
A Argentina, que historicamente liderou as exportações mundiais de farelo de soja, agora enfrenta uma disputa apertada com o Brasil.
A diferença entre as exportações de farelo de soja da Argentina e do Brasil caiu a um patamar muito mais apertado do que o mercado se acostumou a ver.
A expectativa é de que a Argentina exporte apenas 8% mais farelo de soja do que o Brasil no acumulado do primeiro semestre.
A disputa não se limita apenas a um produto específico da pauta argentina, mas mexe com um setor que ajuda a sustentar receita, competitividade industrial e influência comercial no mercado global da soja.
Para onde vai o farelo argentino e por que essa disputa importa tanto
A Europa continua sendo um dos polos centrais de demanda, com a União Europeia absorvendo uma parcela importante dos embarques.
Países como Espanha, Itália, Países Baixos, Polônia e Irlanda aparecem entre os compradores mais relevantes, enquanto o Reino Unido também segue como mercado importante fora do bloco.
A Ásia passou a ter um peso crescente na equação, com o Sudeste Asiático consolidando-se como um destino-chave.
Países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, passaram a puxar parte do crescimento dos embarques.
O norte da África perdeu espaço na campanha atual e registra a menor participação dos últimos 15 anos.
Parte desse espaço foi ocupada por países do continente americano, especialmente os integrantes da Aliança do Pacífico.
Colômbia, Chile, Equador e Peru ganharam importância como destinos e reforçam a diversificação geográfica da demanda.
O que fez o Brasil crescer tanto nesse mercado
O salto brasileiro não aconteceu por acaso.
De acordo com o relatório da Bolsa de Rosário, o principal motor dessa transformação foi a expansão consistente da capacidade de processamento no país vizinho.
Em 2025, o Brasil fechou o ano com um volume recorde de 58,7 milhões de toneladas de soja processadas, um crescimento de 22,8% em relação a 2021.
É um avanço expressivo em um intervalo relativamente curto e suficiente para mudar a balança competitiva entre os dois maiores protagonistas da soja sul-americana.
Esse movimento foi alimentado por uma combinação de fatores industriais e energéticos.
Um dos mais relevantes é a política de incentivo ao biodiesel no Brasil, que elevou a demanda por óleo de soja a níveis historicamente altos.
Como o óleo e o farelo são produzidos juntos no esmagamento do grão, a expansão da indústria de biodiesel acaba gerando também uma oferta maior de farelo.
Na prática, o país fortalece toda a cadeia: cria demanda doméstica para um derivado e, ao mesmo tempo, amplia a disponibilidade do outro para exportação.
É justamente aí que o problema argentino se torna mais sensível.
O farelo de soja não é apenas um item importante da pauta externa do país.
Ele é um dos principais geradores de receita do complexo sojeiro e um dos grandes formadores do preço da soja no mercado interno.
Se o Brasil se torna mais competitivo nesse segmento, a pressão não recai apenas sobre um número de exportação, mas sobre uma engrenagem inteira do agro argentino.
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