Ele trabalhou com Musk e Zuckerberg e agora elege o pior chefe

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Ele trabalhou com Musk e Zuckerberg e agora elege o pior chefe

📸 Créditos da imagem: Unsplash

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ReportagemEle trabalhou com Musk e Zuckerberg e agora elege o pior chefeO currículo do britânico Dex Hunter-Torricke não esconde sua intimidade com as entranhas das big techs americanas ao longo dos últimos 15 anos. Trabalhou de perto com Eric Schimdt e Larry Page, respectivamente presidente do conselho e CEO do Google em 2012. Depois, assessorou diretamente com Sheryl Sandberg e Mark Zuckerberg no Facebook, onde foi o primeiro diretor de comunicação. Criou a área de relações públicas da SpaceX, de Elon Musk.

Retornou à Meta para dirigir o engajamento público do Comitê de Supervisão, que revisa decisões da empresa. E saiu de lá para voltar ao Google e integrar a equipe da Deepmind, área especializada em inteligência artificial. Para ele, os líderes dessas empresas foram incompetentes em manejar os problemas gerados por suas empresas e, por uma conveniência estratégica e comercial, abraçaram as políticas da Casa Branca. De passagem pelo Brasil, onde participou do Horizons, evento da FIA Business School e da Prefeitura de São Paulo, Hunter-Torricke contou a Radar Big Tech com qual chefe voltaria a trabalhar, Musk ou Zuckerberg. Radar Big Tech: Dex.

Você passou quase toda a sua carreira como especialista em comunicação trabalhando para as maiores empresas de tecnologia do mundo, como Google, SpaceX e Meta. No passado, essas empresas eram consideradas as melhores candidatas para o futuro da humanidade, como uma visão de esperança. Hoje, essas empresas enfrentam grande escrutínio, muita pressão de órgãos reguladores, atores políticos e organizações sociais.

O que mudou? A forma como essas empresas fazem negócios ou a forma como se comunicam? Dex Hunter-Torricke: O mundo criado pela tecnologia nos últimos 15, 20 anos eclipsou a capacidade dessas empresas de gerenciar os problemas decorrentes da própria tecnologia. Os líderes de muitas delas mudaram e escolheram seguir caminhos extremamente desconectados da sociedade, além de não pensarem no que está acontecendo como responsabilidade deles.

As invenções do Vale do Silício transformaram a vida de bilhões de pessoas, mas criaram enormes e novos problemas. Como são tecnólogos, esses líderes de tecnologia não foram competentes em gerenciar esses resultados para a sociedade. Tinham só curiosidade no que iria acontecer e fé no futuro.

Mas, agora, isso deu lugar a algo mais cínico e voltado ao benefício comercial próprio, e eles escolheram lidar com problemas mais convenientes que impulsionam seus lucros. E isso também é grande parte do motivo pelo qual escolhi não estar mais nas grandes empresas de tecnologia. Radar Big Tech: Você pode dar um exemplo desses problemas? Dex Hunter-Torricke: Um dos exemplos mais claros do abandono dos valores e da responsabilidade por parte da indústria da tecnologia dos EUA é o número de empresas que correram para assinar acordos com forças militares que estão usando IA de maneira devastadora para a ordem internacional e para a proteção de vidas civis. Sistemas de mira com IA alimentados por grandes empresas de tecnologia impõem baixas colossais em populações civis.

Antes era impensável para essas empresas se associar a governos e militares irresponsáveis. Agora, todas estão tentando competir pelos maiores contratos. Radar Big Tech: Você trabalhou com Zuckerberg e Elon Musk pessoalmente. Qual foi o mais difícil de trabalhar? Dex Hunter-Torricke: Elon Musk foi muito desafiador.

Muitas vezes pensei que Elon teve sucesso tanto por causa de si mesmo quanto apesar de si mesmo. Existem maneiras de trabalhar com as pessoas que extraem o melhor delas e maneiras que podem dar um valor de curto prazo, mas esgotam qualquer vantagem real delas. E eu achei que era assim que Elon organizava seu pessoal, o que explica por que havia uma rotatividade tão alta em suas empresas.

De certa forma, eu diria que aprendi algo com todos os diferentes líderes para os quais trabalhei. Ninguém tem um modelo de liderança perfeito. Provavelmente os mais eficazes estão dispostos a admitir não serem especialistas na maioria das coisas, mas bons em receber conselhos de outras pessoas. Radar Big Tech: Certo.

Mas se você fosse convidado a trabalhar com Elon ou Zuckerberg, quem você preferiria? Dex Hunter-Torricke: Agora? Nenhum dos dois. Se eu fosse realmente forçado a escolher, eu provavelmente diria Zuckerberg porque ele demonstrou mais capacidade de ouvir um círculo mais amplo de pessoas ao seu redor.

Mas, certamente, acho que ambos os líderes se tornaram profundamente problemáticos e falharam em cumprir suas responsabilidades. Radar Big Tech: Você também viu como essas empresas ganham importância global no cenário geopolítico, porque os negócios de tecnologia tornaram-se mais conectados a questões políticas. Como essas empresas percebem a posição do Brasil nesse cenário geopolítico quando discutimos tecnologia? Dex Hunter-Torricke: As big techs dos EUA têm uma visão sobre o mundo profundamente centrada na América. Você tem um conjunto de líderes que foram tecnólogos dos EUA por toda a vida e, muitas vezes, não entendem ou não se importam com o resto do mundo, exceto em termos de como podem lucrar com ele.

Por causa disso, nos últimos anos, eles simplesmente otimizaram a capacidade de se tornarem um braço da política externa e interna dos EUA. No discurso de despedida do presidente [Joe] Biden, ele falou sobre como a indústria de tecnologia dos EUA corria o risco de virar um complexo tecnoindustrial com influência desproporcional sobre os tomadores de decisão e como era essencialmente um braço do poder dos EUA. E ela ocupou essa posição devido à combinação de preguiça intelectual e moral, mas também simplesmente porque é a maneira mais rápida de continuar operando com consequências comerciais mínimas. Radar Big Tech: Mas, hoje em dia, você diria que os interesses estão mais em conflito ou mesclados com a Casa Branca? Dex Hunter-Torricke: Agora é uma situação em que os interesses das grandes empresas de tecnologia dos EUA são confundidos e mesclados com os interesses dos tomadores de decisão do governo dos EUA.

As empresas de tecnologia têm demonstrado muito pouco interesse em desafiar os interesses da Casa Branca. Por um lado, embora a administração esteja adotando políticas nacionais e internacionais que infligiram danos colossais à vida das pessoas, há empresas de tecnologia fazendo fila para financiar a criação do salão de baile da Casa Branca. Tornou-se apenas um relacionamento muito cínico, onde as empresas de tecnologia veem que o caminho para a maior vantagem comercial é acompanhar a Casa Branca. Radar Big Tech: E qual seria o impacto dessa conexão interligada entre as grandes empresas de tecnologia e a Casa Branca para um país como o Brasil, que não está no centro das discussões sobre tecnologia? Dex Hunter-Torricke: Acho que o Brasil e países de todo o mundo, incluindo economias muito avançadas, estão altamente vulneráveis às decisões tomadas por um número muito pequeno de americanos e chineses.

O que me preocupa particularmente é que, nos próximos 10 a 15 anos, as tecnologias produzidas nos EUA e na China se tornarão centrais para nossa sobrevivência econômica e de nossas sociedades. Não estaremos construindo essas tecnologias, seremos dependentes do acesso a elas. E não obteremos esse acesso exceto em troca de algo.

Será pedido aos países que entreguem seus minerais, reescrevam as regras de comércio para beneficiar os interesses dos outros e redesenhem nossas sociedades. Não acredito que esse seja um futuro que a maioria das pessoas no mundo queira. Seremos essencialmente vassalos digitais.

Precisamos descobrir como garantir um futuro independente e resiliente para o Brasil e todos os outros países, onde não sejamos dominados por um número muito pequeno de líderes e empresas. Radar Big Tech: Existe alguma saída para esse futuro? Dex Hunter-Torricke: Sim, há um poder tremendo no mundo além dos EUA e da China, mas exige que ajamos muito rapidamente para cooperar de maneiras como nunca cooperamos antes e tenhamos muito mais coragem sobre o que precisa acontecer. Muitos líderes estão tentando navegar entre EUA e China simplesmente para não balançar o barco. Ou seja, tentam não atrair muita atenção e evitar conflitos.

Precisamos ser capazes de admitir que o caminho em que estamos não leva a um bom futuro e, em seguida, criar uma agenda com outras nações na mesma posição. Qualquer pessoa que pense que o Brasil, o Reino Unido, a França, a Índia ou qualquer outro país resolverá esses desafios sozinho está enganado. DEU Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no YouTube do e nas plataformas de áudio.

Assista ao episódio da semana completo.0: 00 / 0: 00ReportagemTexto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. O autor da mensagem, e não o, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do.

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