Um comprimido pode finalmente impedir a infecção por covid-19 antes mesmo dos sintomas — e ele já impressionou cientistas em testes internacionais

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Um comprimido pode finalmente impedir a infecção por covid-19 antes mesmo dos sintomas — e ele já impressionou cientistas em testes internacionais

📸 Créditos da imagem: © Helen Sushitskaya via Shutterstock

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Durante grande parte da pandemia de COVID-19, a estratégia principal no desenvolvimento de medicamentos focou em mitigar os efeitos mais severos da doença, como hospitalizações e óbitos, uma vez que a infecção já havia se estabelecido. As vacinas desempenharam um papel crucial na redução dos casos graves, enquanto antivirais como o Paxlovid foram empregados para tratar pacientes de risco nos estágios iniciais dos sintomas.

No entanto, uma lacuna significativa persistia: a ausência de um medicamento capaz de impedir que uma pessoa sequer desenvolvesse a doença após a exposição ao vírus. Esse cenário, contudo, pode estar prestes a mudar, conforme indicam os resultados de um novo e promissor estudo internacional.

Pesquisadores dos Estados Unidos, Japão e Reino Unido divulgaram dados encorajadores sobre o antiviral ensitrelvir, um medicamento desenvolvido pela farmacêutica japonesa Shionogi & Co. O estudo sugere que o ensitrelvir conseguiu reduzir de forma significativa o risco de infecção em indivíduos que conviviam na mesma residência com pacientes já diagnosticados com COVID-19.

Os resultados, publicados na renomada revista científica New England Journal of Medicine, rapidamente atraíram a atenção da comunidade científica. O ensitrelvir tem o potencial de se tornar o primeiro comprimido amplamente eficaz para a prevenção pós-exposição da doença, marcando um avanço substancial na luta contra o coronavírus.

Como o Ensitrelvir Atua no Organismo

O ensitrelvir, pronunciado aproximadamente como “en-sí-trel-vir”, pertence a uma nova geração de antivirais que operam bloqueando uma enzima vital para a replicação do coronavírus. Seu alvo específico é a protease principal do vírus, uma enzima essencial que o coronavírus utiliza para quebrar proteínas e, assim, produzir novas cópias de si mesmo dentro das células do hospedeiro.

Esse mecanismo de ação é similar ao do Paxlovid, outro tratamento antiviral amplamente conhecido durante a pandemia. O Paxlovid combina o composto nirmatrelvir com o ritonavir, um medicamento originalmente desenvolvido para o HIV que prolonga a atividade antiviral no corpo. Contudo, com o avanço da vacinação e o surgimento de novas variantes, o impacto preventivo do Paxlovid diminuiu consideravelmente nos últimos anos, e estudos anteriores não conseguiram comprovar sua eficácia na prevenção da infecção em pessoas altamente expostas ao vírus.

É justamente nesse ponto que o ensitrelvir parece se diferenciar e se destacar, oferecendo uma nova esperança para a prevenção.

Detalhes do Estudo Clínico de Fase III

O ensaio clínico de fase III, que ocorreu entre junho de 2023 e setembro de 2024, envolveu aproximadamente 2 mil voluntários em cinco países, incluindo os Estados Unidos. Os participantes eram indivíduos que moravam com alguém que havia testado positivo para COVID-19 recentemente, mas que ainda estavam negativos para a doença no início do estudo.

Para serem incluídos, os voluntários precisavam iniciar o tratamento em até 72 horas após o aparecimento dos sintomas na pessoa infectada de sua casa. Eles foram então divididos aleatoriamente em dois grupos:

  • Um grupo recebeu comprimidos diários de ensitrelvir durante cinco dias.
  • O outro grupo recebeu um placebo.

Os pesquisadores acompanharam os participantes por um período de dez dias para monitorar quem desenvolveria a COVID-19.

Resultados Promissores e Segurança Comprovada

Ao final do estudo, os resultados foram considerados muito promissores. Apenas 2,9% das pessoas que tomaram ensitrelvir desenvolveram COVID-19. Em contraste, no grupo que recebeu placebo, esse número atingiu 9%. Essa diferença representa uma redução expressiva no risco de infecção após a exposição ao vírus dentro de casa, um dos ambientes mais desafiadores para evitar a transmissão.

Outro dado crucial foi a segurança do medicamento. Os efeitos adversos observados foram semelhantes entre os dois grupos, indicando que o antiviral foi relativamente bem tolerado pelos participantes. De acordo com os pesquisadores, esses achados sugerem que o início rápido do tratamento após a exposição ao vírus pode se configurar como uma estratégia eficaz de prevenção, inclusive para indivíduos com fatores de risco para desenvolver formas graves da doença.

Aprovação e Próximos Passos Regulatórios

O ensitrelvir já havia sido aprovado anteriormente no Japão e em Singapura como tratamento para a COVID-19, comercializado sob o nome Xocova. Após a divulgação dos novos resultados, o governo japonês expandiu a autorização do medicamento em março deste ano para incluir também o uso preventivo.

Atualmente, a Shionogi aguarda a decisão da Food and Drug Administration (FDA) americana, que deve anunciar sua avaliação até junho, potencialmente abrindo caminho para uma aprovação mais ampla.

A Relevância Contínua da Prevenção Pós-Exposição

Embora a COVID-19 não represente mais o mesmo nível de emergência global observado nos primeiros anos da pandemia, o vírus continua a causar hospitalizações e mortes anualmente, especialmente entre idosos e pessoas imunossuprimidas. Além disso, cientistas alertam que novas epidemias ou pandemias são inevitáveis no futuro, e os coronavírus permanecem entre os principais candidatos a provocar novos surtos globais.

Ter antivirais mais eficazes, capazes não apenas de tratar, mas também de prevenir infecções, pode transformar completamente a resposta médica em futuras emergências sanitárias. Na pandemia de 2020, o mundo levou meses para desenvolver medicamentos específicos contra o coronavírus. Agora, pela primeira vez, talvez estejamos começando uma futura crise já com parte desse arsenal preventivo pronto, um avanço que pode salvar inúmeras vidas e mitigar o impacto de futuras ameaças à saúde pública.

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