📸 Créditos da imagem: Divulgação/Apple
A Apple anunciou que Tim Cook deixará o cargo de CEO em 1º de setembro de 2026, com John Ternus, apontado como favorito em rumores nos últimos dois anos, assumindo a sucessão. O anúncio marca o fim de um ciclo de 15 anos de Cook à frente da gigante de tecnologia.
Cook assumiu o comando em agosto de 2011, poucas semanas antes da morte de Steve Jobs. Naquela época, o mercado estava cético, questionando se a Apple conseguiria manter seu ritmo de inovação sem o visionário que havia reinventado a computação pessoal, a indústria da música e o celular.
Quinze anos depois, os números falam por si. No entanto, é crucial olhar para esses resultados com uma perspectiva diferente. O que Cook construiu não foi apenas uma sequência de recordes financeiros; ele deixa o legado de uma Apple sólida, consolidada e preparada para os desafios futuros.
O Conceito Esquecido: O Líder Nível 5
No início dos anos 2000, o pesquisador americano Jim Collins publicou o livro “Good to Great” (no Brasil, “Empresas Feitas para Vencer”), resultado de cinco anos de pesquisa sobre o que transforma empresas boas em verdadeiramente grandes ao longo de décadas. Collins e sua equipe analisaram 1.435 companhias, identificando apenas 11 que superaram o mercado em 6,9 vezes ou mais por, no mínimo, 15 anos após um ponto de inflexão.
Ao estudar os líderes dessas 11 empresas no momento da virada, Collins esperava encontrar o arquétipo do CEO-estrela, carismático e midiático. Contudo, ele descobriu o oposto: os líderes das empresas excepcionais eram, em sua maioria, figuras discretas, reservadas e, por vezes, tímidas. Collins cunhou para eles o termo Líder Nível 5, o topo de uma hierarquia de cinco degraus:
- Nível 1 – Indivíduo Altamente Capaz: Contribui com talento, conhecimento, habilidades e bons hábitos de trabalho.
- Nível 2 — Membro Colaborador de Equipe: Contribui com suas capacidades individuais para o alcance dos objetivos do grupo e trabalha efetivamente com os outros.
- Nível 3 — Gerente Competente: Organiza pessoas e recursos rumo ao alcance eficaz e eficiente de objetivos predeterminados.
- Nível 4 — Líder Eficaz: Catalisa o comprometimento com uma visão clara e estimulante, e o esforço vigoroso pela sua realização, elevando padrões de desempenho. Este é o nível em que se encontra a maioria dos CEOs celebrados pela mídia.
- Nível 5 — Executivo Nível 5: Constrói grandeza duradoura por meio de uma combinação paradoxal de humildade pessoal e vontade profissional. Suas ambições são voltadas primeiro para a empresa, não para si mesmo.
Os Líderes Nível 5 são, ao mesmo tempo, tímidos e ferozes. Quando as coisas dão certo, eles reconhecem que o sucesso se deve à equipe. Quando as coisas dão errado, assumem a responsabilidade pessoal. Acima de tudo, esses líderes preparam a organização para prosperar na geração seguinte à sua própria saída.
Collins contrastou o perfil Nível 5 com os líderes de “empresas-comparação”, os CEOs celebridades que costumavam levar o crédito quando as coisas iam bem e apontar culpados externos quando iam mal. Lee Iacocca, da Chrysler, é um exemplo citado no livro. Ele salvou a montadora de um colapso no início dos anos 1980, mas depois se dedicou a transformar a si mesmo em ícone, aparecendo em comerciais e talk shows, e vendendo 7 milhões de exemplares de sua autobiografia. Enquanto isso, a Chrysler voltou a afundar, e a ação fechou o segundo mandato de Iacocca 31% abaixo do mercado. É contra esse pano de fundo que a gestão de Cook deve ser analisada.
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