Ozempic eletrônico? Empresa chinesa cria dispositivo para controlar apetite

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Ozempic eletrônico? Empresa chinesa cria dispositivo para controlar apetite

📸 Créditos da imagem: Alones/Shutterstock

A chinesa BrainCo está desenvolvendo um dispositivo vestível que pretende suprimir o apetite por meio de estímulos cerebrais. A empresa apresenta a tecnologia como uma possível alternativa aos medicamentos para obesidade à base de GLP-1, como Wegovy e Zepbound.A sócia fundadora Nyx He prevê o lançamento nos próximos dois a três anos, inicialmente na China, com posterior expansão para os Estados Unidos. Segundo a Bloomberg, a proposta ainda está em desenvolvimento e busca levar a tecnologia de interface cérebro-computador ao mercado de perda de peso.

Como funcionaria o GLP-1 eletrônicoO dispositivo utilizará uma interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês) para estimular sinais neurais relacionados ao controle do apetite. A BrainCo pretende usar essa tecnologia para influenciar os mecanismos cerebrais envolvidos na sensação de fome.Durante entrevista no evento Bloomberg Tech London, He descreveu o projeto como uma “versão eletrônica dos medicamentos para obesidade à base de GLP-1”. A comparação, porém, representa a proposta comercial da própria empresa, e não uma equivalência terapêutica já demonstrada.A abordagem também é diferente da utilizada pelos medicamentos disponíveis no mercado.

Wegovy e Zepbound imitam hormônios metabólicos envolvidos na regulação do apetite. A BrainCo, por sua vez, pretende atuar por meio de estímulos cerebrais, sem depender de medicamentos.Até o momento, a empresa não apresentou publicamente resultados que demonstrem a eficácia do dispositivo na redução do apetite ou na perda de peso. Também não foram divulgados detalhes suficientes sobre os mecanismos de estimulação ou os resultados de testes com a tecnologia.A companhia avalia diferentes modelos de comercialização, incluindo versões específicas para uso médico e outras destinadas diretamente aos consumidores.Outros dispositivos desenvolvidos pela BrainCoSediada em Hangzhou, na China, a BrainCo já trabalha com tecnologias de neuroterapia, próteses e robótica.

Entre seus produtos estão fones de ouvido com interface cérebro-computador não invasiva, comercializados para tratar condições como autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e insônia. Os equipamentos coletam e decodificam sinais neurais e, em alguns casos, também conseguem estimulá-los. A empresa desenvolve ainda próteses de mão que permitem a amputados e pessoas com deficiência controlar dedos artificiais por meio de sinais cerebrais.Entre as principais frentes de atuação da companhia estão: Fones de ouvido BCI voltados ao tratamento de distúrbios neurológicos; Próteses de mão controladas por sinais cerebrais, que permitem atividades como tocar piano e praticar caligrafia; Fornecimento de mãos robóticas para a indústria chinesa de robôs humanoides.

Embora tenha concentrado suas atividades em tecnologias não invasivas, a BrainCo poderá explorar futuramente abordagens que dependam de implantes cerebrais, segundo He. Empresa mantém planos de expansão internacionalA atuação da BrainCo nos Estados Unidos ocorre em meio ao aumento do escrutínio geopolítico sobre tecnologias de interface cérebro-computador. Entre as propostas em discussão estão restrições americanas a investimentos em empresas chinesas do setor.Apesar desse cenário, He afirmou que a companhia continua registrando forte demanda por suas próteses e mãos robóticas no mercado americano e espera que o crescimento se acelere.“Ainda observamos uma enorme demanda por nossos produtos, tanto pelas mãos robóticas para humanoides quanto pelas próteses de mão para amputados”, declarou a executiva.Em janeiro, a Bloomberg News informou que a BrainCo havia apresentado um pedido confidencial para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em Hong Kong.

He não quis comentar os planos de abertura de capital nem a possibilidade de captar recursos adicionais antes da listagem. Valdir Antonelli Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo. Ver todos os artigos →

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