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Onde investir primeiro para evitar a perda de espécies? Uma equipe internacional criou um mapa que busca responder a essa pergunta combinando a importância biológica de cada região com as ameaças que seus animais enfrentam. O levantamento identificou aproximadamente 13% da superfície terrestre como áreas prioritárias para a conservação de vertebrados.
Muitas se concentram nos trópicos, onde uma grande diversidade de vida convive com pressões humanas. Um mapa que considera onde as espécies vivem — e o que as ameaça O estudo publicado na revista One Earth analisou informações de 33.604 espécies de vertebrados terrestres, incluindo anfíbios, aves, mamíferos e répteis. Os pesquisadores combinaram dados sobre distribuição geográfica, risco de extinção e sete grandes ameaças.
A proposta permite localizar lugares que reúnem espécies particularmente vulneráveis e pressões capazes de comprometer sua sobrevivência. A equipe utilizou informações da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, além de dados da BirdLife International e da NatureServe. O método atribui maior importância às espécies com distribuição restrita e maior risco de desaparecer.
Isso evita tratar todos os territórios com o mesmo número de espécies como igualmente prioritários. Uma área pode abrigar animais amplamente distribuídos. Outra pode guardar espécies que existem em poucos lugares e têm menos alternativas caso seu ambiente se deteriore.
Olhar apenas para o desmatamento deixa ameaças de fora Segundo o Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, o IIASA, quase uma em cada cinco áreas críticas identificadas ficaria fora do mapa se o levantamento considerasse somente a perda de habitat. O trabalho também incorpora caça, poluição, espécies exóticas invasoras e mudanças climáticas. As alterações no uso da terra aparecem separadas em exploração madeireira, agricultura e urbanização.
Essa distinção importa porque diferentes lugares enfrentam combinações próprias de pressões. Proteger a vegetação pode ser essencial, mas não resolve sozinho problemas como a caça ou a introdução de organismos invasores. De acordo com os resultados relatados pelo Infobae, a exploração madeireira aparece em 66% das áreas críticas, enquanto a agricultura incide em 44%.
Essas porcentagens podem se sobrepor, pois uma mesma região pode sofrer várias ameaças. O levantamento também indica que 61% dos locais entraram na classificação pela vulnerabilidade de apenas um dos grupos de vertebrados avaliados. Portanto, concentrar a atenção em um único grupo de animais pode deixar outras prioridades menos visíveis.
Conservar também exige considerar quem vive nesses lugares Mais de um terço da população mundial mora nas áreas classificadas como prioritárias. O dado reforça a necessidade de adaptar as ações às condições locais e considerar o bem-estar das comunidades. Os autores defendem que o mapa ajude a orientar onde e como investir.
A ferramenta pode receber atualizações à medida que novas informações ficam disponíveis e, futuramente, incorporar plantas, fungos e invertebrados. Nesta etapa, seu foco permanece nos vertebrados terrestres. Também existe um limite de escala.
Os dados espaciais disponibilizados pelos pesquisadores usam uma resolução aproximada de 50 por 50 quilômetros. O conjunto inclui camadas de importância biológica, ameaças e incerteza, além de classificações específicas por grupo animal. Isso permite comparar prioridades globais, mas não determina, sozinho, o que fazer em cada propriedade, floresta ou comunidade.
A escolha de medidas concretas exige informações locais mais detalhadas. Uma ferramenta para transformar metas em decisões O mapa pode contribuir para os compromissos do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. O acordo estabelece 23 metas para 2030, incluindo conservar pelo menos 30% das áreas terrestres e de águas continentais e restaurar ao menos 30% dos ecossistemas degradados.
Esses compromissos também exigem gestão efetiva, conexão entre áreas conservadas e respeito aos direitos de povos indígenas e comunidades locais. Os 13% identificados pelo estudo não representam um limite para a proteção da natureza nem significam que o restante do planeta esteja seguro. Eles destacam regiões onde a combinação entre importância biológica e ameaças torna a ação especialmente urgente.
A contribuição do mapa está em tornar essas escolhas mais informadas.
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