Cientistas desenvolvem material capaz de reduzir a temperatura em quase 13 °C sem eletricidade

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Cientistas desenvolvem material capaz de reduzir a temperatura em quase 13 °C sem eletricidade

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Imagine um prédio que consegue permanecer mais fresco durante uma onda de calor sem precisar aumentar o funcionamento do ar-condicionado. Parece uma solução distante, especialmente em países como o Brasil, onde as temperaturas elevadas pressionam o consumo de energia. Mas pesquisadores espanhóis desenvolveram um material microscópico capaz de dissipar calor naturalmente.

Os resultados chamaram a atenção por uma característica surpreendente: o sistema funciona mesmo sob a luz do Sol. Um novo material promete resfriar superfícies sem gastar eletricidade Pesquisadores do Instituto de Micro e Nanotecnologia do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), na Espanha, desenvolveram um nanomaterial capaz de reduzir a temperatura de superfícies utilizando apenas suas propriedades físicas. O estudo foi publicado em 29 de junho de 2026 na revista científica Nanophotonics.

A proposta é criar uma alternativa complementar aos sistemas convencionais de refrigeração, que dependem de eletricidade para movimentar compressores, ventiladores e outros componentes. A tecnologia utiliza um processo chamado resfriamento radiativo passivo diurno. Embora o nome pareça complicado, o princípio é relativamente simples: todo corpo emite energia na forma de radiação térmica.

O desafio é desenvolver uma superfície capaz de liberar mais calor do que absorve, inclusive durante o dia. Para isso, o material precisa refletir grande parte da radiação solar e, simultaneamente, emitir energia térmica em uma faixa específica do espectro infravermelho. É justamente nessa combinação que está o principal avanço da pesquisa.

O segredo está em uma janela invisível da atmosfera A atmosfera terrestre não bloqueia todas as formas de radiação da mesma maneira. Existe uma faixa do espectro infravermelho, situada aproximadamente entre 8 e 13 micrômetros, na qual parte da energia térmica consegue atravessar a atmosfera e escapar em direção ao espaço. Essa região é conhecida como janela atmosférica.

O novo material foi desenvolvido para aproveitar esse fenômeno natural, liberando calor sem precisar consumir eletricidade. Seu principal componente é o fluoreto de polivinilideno (PVDF), um polímero que apresenta propriedades favoráveis à emissão de radiação infravermelha. Ele também oferece resistência à umidade e à exposição à radiação ultravioleta, características importantes para aplicações externas.

Para fabricar a estrutura, os cientistas utilizaram moldes nanoporosos de óxido de alumínio, criando formas tridimensionais microscópicas de PVDF. Depois, testaram diferentes condições de resfriamento durante a fabricação e tratamentos com luz ultravioleta para melhorar o desempenho óptico. Os resultados mostraram que pequenas alterações na estrutura do material podem modificar significativamente sua capacidade de refletir e emitir radiação.

Os testes registraram uma diferença de quase 13 °C A versão mais eficiente do nanomaterial conseguiu refletir 82,4% da radiação solar e apresentou emissividade infravermelha de 96,7% na faixa atmosférica analisada. Esses números indicam uma combinação importante: menor absorção de energia solar e elevada capacidade de liberar calor por radiação. Durante experimentos realizados ao ar livre em Tres Cantos, na região de Madri, em julho de 2025, os pesquisadores observaram uma diferença expressiva.

O material apresentou temperatura 12,9 °C inferior à registrada dentro de uma caixa de referência sem revestimento. Entretanto, existe uma ressalva fundamental. O resultado foi obtido em condições experimentais específicas e não significa que uma casa revestida com esse material ficará automaticamente 13 graus mais fria.

O desempenho real dependerá de fatores como clima, umidade, ventilação, exposição solar e características da construção. Ainda assim, a diferença observada demonstra o potencial do resfriamento radiativo passivo. A tecnologia pode diminuir a necessidade de ar-condicionado?

Uma das principais aplicações previstas envolve edifícios residenciais e comerciais. Revestimentos capazes de reduzir o aquecimento de telhados e fachadas poderiam ajudar a diminuir a quantidade de calor que entra nos ambientes internos. Consequentemente, sistemas de climatização poderiam precisar trabalhar menos em determinadas condições.

Os pesquisadores também apontam possibilidades de utilização em veículos, equipamentos eletrônicos e dispositivos de regulação térmica pessoal. A relevância é especialmente grande diante do crescimento mundial da demanda por refrigeração. Segundo os dados apresentados no estudo, o resfriamento representa aproximadamente 20% do consumo global de eletricidade.

Isso não significa, porém, que o novo material possa eliminar essa parcela do consumo energético. Seu potencial está em contribuir para reduzir parte da demanda, funcionando como uma tecnologia complementar aos sistemas existentes. Quando esse material poderá chegar às casas?

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento. Os pesquisadores utilizaram um método de fabricação com potencial de adaptação à produção industrial, o que pode facilitar sua utilização em larga escala no futuro. Entretanto, ainda serão necessários testes adicionais para avaliar durabilidade, custos, resistência às condições climáticas e desempenho em diferentes ambientes.

Também será importante verificar como o material se comporta em aplicações reais, como telhados e fachadas de edifícios. A descoberta não representa o fim do ar-condicionado, mas mostra que existem outras maneiras de enfrentar o calor. Em vez de depender exclusivamente de equipamentos que consomem energia, futuras construções poderão utilizar superfícies projetadas para dissipar calor naturalmente.

E o aspecto mais interessante é que essa possibilidade não depende de uma nova fonte de eletricidade, mas de aproveitar melhor uma propriedade física que já existe na natureza.

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