📸 Créditos da imagem: Dima Sobko/Shutterstock
Resultados do estudo CROWN
Um comprimido diário de lorlatinibe manteve o câncer de pulmão avançado sob controle por sete anos em mais da metade dos pacientes participantes de um ensaio clínico.
O estudo, publicado em setembro de 2026 na revista Annals of Oncology, avaliou 296 pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células avançado e positivo para a alteração genética ALK.
Dos participantes, 149 receberam lorlatinibe e 147 foram tratados com crizotinibe, o padrão de comparação.
Em 55% dos pacientes que receberam lorlatinibe, a sobrevida livre de progressão não havia sido alcançada após sete anos de acompanhamento.
Em contraste, apenas 9,1 meses de mediana de sobrevida livre de progressão foram observados no grupo de crizotinibe.
Mecanismo de ação do lorlatinibe
O medicamento é um inibidor de ALK que bloqueia a proteína anormal produzida por rearranjo do gene ALK, interrompendo a sinalização que estimula o crescimento tumoral.
Uma característica importante do lorlatinibe é a sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, permitindo o controle de metástases cerebrais.
Impacto na prática clínica
Os oncologistas destacam que o avanço representa uma mudança histórica, pois antes a quimioterapia era a única opção e poucos pacientes permaneciam sem progressão por mais de cinco anos.
Com o lorlatinibe, a taxa de pacientes que permanecem vivos e sem progressão após sete anos aumentou para 55%, um salto significativo em relação às gerações anteriores de inibidores de ALK.
Efeitos adversos
Eventos adversos de grau 3 ou 4 foram registrados em 77% dos pacientes que receberam lorlatinibe, embora a maioria não tenha sido diretamente atribuída ao tratamento.
34% dos participantes precisaram reduzir a dose em algum momento, mas a eficácia de longo prazo permaneceu semelhante.
Reações no sistema nervoso central ocorreram em 52% dos pacientes, incluindo alterações cognitivas, humor e distúrbios do sono.
Desafios de acesso no Brasil
O lorlatinibe custa cerca de R$ 37 mil por mês, resultando em mais de R$ 3,1 milhões de custo em sete anos de tratamento.
O medicamento não está disponível no SUS, e o diagnóstico de ALK requer exames moleculares que nem sempre são acessíveis na rede pública.
Pacientes dependem de cobertura por planos de saúde, aquisição particular ou decisões judiciais para obter o tratamento.
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