Uninter investiga possível vazamento de 7,34 TB de dados em ataque hacker

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Uninter investiga possível vazamento de 7,34 TB de dados em ataque hacker

📸 Créditos da imagem: reprodução / Tecmundo

A Uninter, instituição de ensino superior, sofreu um suposto vazamento de 7,34 TB de dados. Anunciados à venda em um fórum ilegal, os arquivos incluem documentos de identidade, diplomas, certidões de casamento e até registros de histórico escolar. Respondendo ao TecMundo, os criminosos responsáveis pelo incidente alegam que pelo menos dois milhões de usuários podem ter sido expostos.

Em posicionamento oficial à reportagem, a Uninter não confirmou o número de vítimas ou dimensão do incidente, mas afirma que investiga o caso e que as autoridades responsáveis foram notificadas. O posicionamento completo da instituição pode ser lido no texto a seguir. Fundado em 1996 em Curitiba, Paraná, o Centro Universitário Internacional (Uninter) é uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil – e uma das maiores do mundo, considerando a ênfase em Educação a Distância (EAD). Atualmente, entre graduandos e pós-graduandos, a Uninter soma cerca de 729 mil alunos. O TecMundo apurou uma amostra pública do material vazado da Uninter e obteve detalhes exclusivos sobre o caso – todas as informações foram previamente enviadas à instituição.

Disponível publicamente em um chat do Telegram, o conjunto de dados analisados pela reportagem possui cerca de 1,2 GB quando compactado e 1,91 GB em sua totalidade. Nele, há 13 pastas e 2.491 arquivos pessoais de indivíduos ligados à instituição. O material está organizado e nomeado em português, sem qualquer tipo de criptografia ou camada de proteção. A relação de pastas e seu conteúdo interno, entre arquivos JPEG, JPG, PDF e PNG: Documento de Identificação: 340 arquivos; Certidão Civil de Nascimento-Casamento: 140 arquivos; Histórico Escolar de Conclusão do Ensino Médio: 173 arquivos; Comprovante de colação de grau, Certidão ou Declaração de Conclusão com data de Colação de Grau anterior ao ingresso: 194 arquivos; Certificado de Conclusão do Ensino Médio: 144 arquivos; Histórico do Fundamental ou parcial do Ensino Médio ou parcial do ENEM ou parcial ENCCEJA ou Prova de nivelamento: 171 arquivos; Diploma de Graduação: 167 arquivos; Comprovante de vínculo com a IES de origem: 227 arquivos; Comprovante de vínculo empregatício: 207 arquivos; Boletim de Desempenho: 248 arquivos; Declaração de matrícula do Ensino Médio ou Histórico Parcial do Ensino Médio: 179 arquivos; CPF: 301 arquivos; Tratando-se de imagens ou documentos escaneados, os arquivos parecem ser parte de um registro de comprovação supostamente solicitado pelo sistema da Uninter – algo comum, por exemplo, no processo de matrícula online.

Apesar da ampla variedade de documentos, não há tabelas ou índice de usuários afetados. Falha de Controle de Acesso seria a causa do vazamento de dados na UninterQuestionando os criminosos que assumiram a responsabilidade do anúncio, o TecMundo obteve detalhes sobre os bastidores do incidente. Utilizando o usuário Kazu, eles responderam informações sobre a falha que permitiu o vazamento de dados, além de sua origem e motivação. Contudo, apesar de qualquer verossimilhança, é importante ressaltar que as alegações não foram diretamente confirmadas pela Uninter. Segundo os criminosos, a origem dos dados é o Portal do Candidato, um subdomínio da Uninter.

Nele, uma falha do tipo “Controle de Acesso Comprometido” (Broken Access Control, na sigla em inglês) possibilitou extrair as informações diretamente do sistema da instituição. Em termos simples, essa vulnerabilidade ocorre quando o sistema falha em restringir que ações os usuários – autenticados ou não – podem realizar. Uma falha deste tipo, para ilustrar um exemplo sem relação com o incidente envolvendo a Uninter, seria a “Referência Direta e Insegura a um Objeto” (ou IDOR, na sigla em inglês). Em um ambiente vulnerável a esse problema, um usuário poderia acessar informações de terceiros e até obter privilégios administrativos simplesmente alterando os dados de um link: Link para o perfil do usuário legítimo: siteinseguro. com/perfil/user-1Link manipulado para acessar informações de outro usuário: siteinseguro. com/perfil/user-2Nesse contexto, as falhas do tipo “Controle de Acesso Comprometido” aparecem em primeiro lugar no ranking OWASP Top 10, mantido pela fundação Open Web Application Security Project (OWASP).

Renomeada, a lista reúne as dez falhas que mais aparecem em sites e serviços na internet comum, servindo como uma bússola para desenvolvedores e pesquisadores de segurança. Uninter não confirma volume de 7,34 TB, mas 110 GB de dados já foram vazadosAlém da sensibilidade das informações nos arquivos e da suposta falha responsável pelo vazamento, o incidente envolvendo a Uninter também se destaca pelo volume alegado de dados extraídos – 7,34 TB ou aproximadamente 7 mil GB. Em uma comparação simples, para armazenar todos os supostos arquivos, seriam necessários cerca de 30 iPhone 18 Pro com a capacidade mais comum de armazenamento, de 256 GB. Se o volume alegado pelos criminosos for confirmado pela Uninter, um montante que corresponderia a 7,67 milhões de arquivos, o incidente pode estar dentre os maiores já registrados no Brasil em termos de dimensão digital bruta. Naturalmente, o tamanho total do conjunto não representa a mesma quantidade de indivíduos expostos, mas seria uma evidência técnica da capacidade de extração das ferramentas utilizadas pelos invasores. Considerando que cada vazamento de dados possui suas próprias particularidades, é possível listar um ranking dos últimos maiores noticiados no Brasil.

O TecMundo reitera, contudo, que os volumes abaixo são alegados pelos criminosos: Em altaTecMundoFalha crítica no PHP paralisa governos e exige atualização urgenteO que é PHP e por que falhas na linguagem colocaram milhões de sites em riscoGoverno federal (2022): cerca de 3 TB alegadamente extraídos de sistemas governamentais; Vivara (2024): 1,18 TB supostamente vazado em ataque atribuído ao grupo Medusa; Maida. health (2025): 2,3 TB de dados alegadamente roubados, incluindo registros médicos; Sefaz-RJ (2022): 420 GB de supostos dados foram anunciados pelo grupo LockBit. Toyota do Brasil (2024): 169,4 GB supostamente extraídos pelo grupo Hunters International; Megavazamento de dados pessoais (2021): cerca de 223 milhões de registros anunciados, mas sem volume total confiável em GB. Na amostra analisada pelo TecMundo, também é importante destacar que os arquivos ainda possuem metadados embutidos. Tratam-se de informações “extras” que permitem verificar a data, por vezes local, e que dispositivo foi utilizado para registrar a foto ou documento. Além disso, os arquivos não parecem ter sofrido pós-processamento, como compactação a nível individual – características que ajudam a explicar o suposto tamanho total do vazamento. Em resposta ao TecMundo, a Uninter não confirmou os números alegados pelos criminosos, mas afirmou que o dimensionamento do incidente e do número de pessoas afetadas é um dos objetivos da investigação em andamento.

No comunicado, a instituição também repudiou a ação criminosa e afirmou que “não negocia nem atende a qualquer tipo de exigência de extorsão”. Questionados pela reportagem, os criminosos compartilharam apenas uma imagem representando o conjunto de 7,34 TB e a contagem de arquivos por pasta. No entanto, o TecMundo não obteve acesso ao material completo para validar sua autenticidade de maneira independente. Em paralelo, os responsáveis pela invasão também enviaram provas de que 110 GB de dados já foram vazados em um fórum ilegal – o conteúdo representaria 1,50% do total alegado. Nota oficial da Uninter sobre o suposto vazamento de dados de 7,34 TB, no início de outubro, de alegações feitas por um grupo criminoso sobre a obtenção de documentos associados à instituição.

Assim que identificou o caso, acionou seu protocolo de resposta a incidentes e, com o apoio de especialistas em segurança da informação, adotou das medidas de contenção e de reforço dos controles. A instituição comunicou o caso às autoridades competentes e a apuração segue em andamento e é conduzida de forma confidencial, razão pela qual não serão divulgados detalhes técnicos neste momento. Os números divulgados pelo grupo criminoso, como volume de dados e quantidade de arquivos, não foram confirmados pela instituição e não correspondem, necessariamente, ao número de pessoas afetadas. Esse dimensionamento é objeto da investigação. A Uninter repudia a ação criminosa e não negocia nem atende a qualquer tipo de exigência de extorsão. A proteção dos dados de estudantes, candidatos e colaboradores é prioridade para a instituição. ”Usuários afetados do Portal do Candidato na Uninter podem ser indenizados? Conforme julgou a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em março de 2023, somente se o usuário afetado conseguir provar algum prejuízo em decorrência do vazamento de dados.

No caso AREsp 2.130.619/SP, que tratou de um incidente cibernético envolvendo a concessionária Enel Distribuição São Paulo, foi estabelecido que a “mera” exposição de dados cadastrais não gera dano moral presumido. Contudo, é importante esclarecer que essa decisão (AREsp 2.130.619/SP) é utilizada como base para casos envolvendo a exposição indevida de “dados comuns” – como documentos de identificação, CPF, telefones e e-mails. Quando há um incidente envolvendo dados sensíveis, conforme previsto na Lei Geral de Proteção de Dados, há outra resolução. A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu, em fevereiro de 2025, que o vazamento de dados sensíveis poderia resultar em dano moral presumido, com responsabilidade objetiva da empresa afetada pelo incidente cibernético. O caso em questão, REsp 2.121.904/SP, tratou de um incidente cibernético em um contexto envolvendo um contrato de seguro de vida. A distinção ocorre, pois, diferente das informações cadastrais comuns, os dados sensíveis possuem diretrizes específicas de coleta e tratamento na LGPD.

A legislação prevê que essas informações podem ser utilizadas em discriminação contra os indivíduos titulares, como em casos de limitação de acesso a serviços ou até mesmo em situações de preconceito. Um exemplo simples seria, após a consulta de informações vazadas, rejeitar a candidatura de uma vaga de emprego devido a orientação política ou origem étnica do candidato. Nesse contexto, os dados que envolvam as seguintes informações são considerados sensíveis, segundo a LGPD: origem racial ou étnica, religião, política, filiação sindical, saúde, vida sexual, dados genéticos ou biométricos. Como se proteger após o vazamento de dados? Após um vazamento de dados como o suposto incidente envolvendo a Uninter, o risco de fraudes e golpes aumenta. Criminosos podem usar essas informações para se passar pela instituição, tentar abrir contas, contratar serviços em nome de terceiros ou aplicar golpes direcionados com mensagens convincentes. Nesse contexto, a principal recomendação é combinar o monitoramento de contas e registros com hábitos de segurança digital e a verificação independente de qualquer solicitação inesperada. Monitore seus dados financeiros: acompanhe extratos bancários, faturas de cartão, boletos e movimentações financeiras.

Consulte também registros de dívidas e contas que possam ter sido abertas em seu nome sem autorização. Desconfie de contatos inesperados: criminosos podem usar dados verdadeiros para dar credibilidade a e-mails, mensagens de WhatsApp, SMS e ligações fraudulentas. Nunca forneça senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias sem verificar a identidade do solicitante. Confirme a autenticidade pelos canais oficiais: se receber mensagens sobre mensalidades, pendências acadêmicas, emissão de diplomas ou atualização cadastral, acesse diretamente o site ou aplicativo oficial da instituição. Evite clicar em links enviados por terceiros. Proteja seu CPF: não compartilhe fotos de documentos, números de identificação ou comprovantes pessoais sem necessidade.

Antes de enviar arquivos, confirme quem os receberá, para qual finalidade serão utilizados e como serão protegidos. Reforce a segurança das contas digitais: utilize senhas fortes e exclusivas para cada serviço e ative a autenticação em dois fatores sempre que disponível. Dê prioridade à proteção do e-mail, já que ele pode ser usado para redefinir senhas de outras contas. Fique atento a tentativas de abertura de contas: consulte periodicamente o Registrato, do Banco Central, para verificar informações sobre relacionamentos bancários, empréstimos e outros registros disponíveis em seu nome. Se identificar algo desconhecido, entre em contato com a instituição responsável. Monitore seu CPF em serviços de proteção ao crédito: acompanhe alertas de consultas, dívidas ou possíveis registros de inadimplência.

Se encontrar uma operação que não reconhece, conteste-a formalmente junto à empresa responsável.

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