Telegram repassa dados de usuários aos EUA após ordem judicial

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Telegram repassa dados de usuários aos EUA após ordem judicial

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Documentos judiciais tornados públicos revelam como o Telegram responde a solicitações oficiais dos Estados Unidos. Em uma carta enviada às autoridades norte-americanas após ordem judicial baseada na Lei de Comunicações Armazenadas, o aplicativo repassou informações de identificação de um investigado, incluindo número de telefone, ID de usuário e endereço IP. O caso envolve Mahmoud Amin Ya’qub Al-Muhtadi, preso em outubro de 2025 sob acusação de envolvimento nos ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. O envio das informações foi confirmado pelo app de mensagens em comunicação oficial anexada ao processo. “Em conformidade com nosso desejo de cooperar com as autoridades competentes quando consistente com as leis aplicáveis a nós, estamos fornecendo voluntariamente esta resposta e/ou as informações anexas”, afirmou a equipe do Telegram, no documento formal submetido à Justiça. Mudança de postura após prisão de fundadorA cooperação do Telegram marca uma transição no posicionamento da plataforma.

Historicamente resistente a pedidos governamentais, o aplicativo passou a responder com frequência regular a ordens judiciais emitidas por órgãos de segurança, o que aproxima a conduta do padrão adotado por outras gigantes da tecnologia. Essa alteração institucional intensificou-se após a prisão do fundador e presidente do aplicativo, Pavel Durov, na França, em agosto de 2024. Na ocasião, o executivo foi retido após investigações sobre a falta de cooperação da empresa em apurações de exploração infantil e outros crimes. Durante o período em que esteve sob custódia na França, o executivo buscou rebater as acusações de omissão perante os órgãos de fiscalização: “É absurdo pensar que o chefe de uma rede social possa ser responsabilizado por atos criminosos que não lhe dizem respeito, direta ou indiretamente”, declarou o advogado David-Olivier Kaminski, que representa Pavel Durov, à época. Vazamento de canal interno e regras legaisA documentação judicial divulgada expôs também o endereço de e-mail institucional interno utilizado pelo Telegram para receber requisições da Justiça americana. O vazamento deste tipo de contato costuma gerar alertas de segurança no setor tecnológico, dada a frequência com que invasores tentam se passar por agentes da lei para obter dados confidenciais de terceiros. Apesar de atender às solicitações, a plataforma ressalva nas comunicações jurídicas que o fornecimento pontual dos registros não significa submissão automática às leis dos Estados Unidos: Ao fazê-lo, não estamos representando que esta seja uma resposta completa e integral às solicitações feitas, nem concedendo que estamos sujeitos à jurisdição dos EUA para este ou qualquer outro pedido ou finalidadeEquipe jurídica do Telegram

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