📸 Créditos da imagem: Dima Zel/Shutterstock
O Telescópio Espacial Hubble alcançou uma marca histórica em sua longeva trajetória pelo espaço. O icônico observatório completou oficialmente 200 mil órbitas ao redor do planeta Terra, consolidando-se como um dos instrumentos científicos mais duradouros e produtivos já desenvolvidos pela humanidade.
Com quase 36 anos de operação contínua e um currículo impressionante que supera 1,7 milhão de observações científicas registradas, o telescópio figura em um seleto grupo de sistemas espaciais ativos que conseguiram atingir um número tão expressivo de voltas em torno do nosso planeta.
Para alcançar esse feito, o Hubble mantém uma trajetória praticamente circular, operando a uma altitude que varia entre 470 e 475 quilômetros. A essa altura, o observatório viaja a uma velocidade que lhe permite completar uma volta completa ao redor do globo a cada 94 minutos. Essa rotina ininterrupta, preservada ao longo de mais de três décadas, viabilizou o acúmulo das centenas de milhares de voltas espaciais.
Altitude de operação faz a diferença
A altitude em que um objeto é colocado no espaço tem um impacto decisivo em sua vida útil e na rapidez com que acumula órbitas. Satélites que operam em altitudes mais baixas costumam se mover mais rapidamente e fecham seus ciclos em menor tempo, contudo enfrentam uma penalidade considerável gerada pelo ambiente orbital.
Em regiões próximas a 500 quilômetros de altitude, ainda existe uma camada extremamente rarefeita da atmosfera terrestre. Essa presença gasosa microscópica gera uma força de arrasto contínua sobre os corpos em movimento, desacelerando os artefatos com o passar dos anos. Com a perda de velocidade, o satélite desce para altitudes inferiores, onde o atrito se torna ainda mais severo, até que o objeto finalmente reentra nas camadas densas da atmosfera e se desintegra por completo.
Dessa forma, equipamentos posicionados em órbitas mais altas ou em trajetórias estratégicas conseguem escapar por muito mais tempo desse ciclo de degradação atmosférica, preservando sua integridade e garantindo décadas de funcionamento estável.
Os satélites com mais órbitas registradas
Embora o número atingido pelo Hubble seja expressivo, outros artefatos históricos já alcançaram marcas superiores. O satélite mais antigo ainda em órbita é o pioneiro Vanguard 1, lançado em março de 1958 durante o auge da corrida espacial, acumulando até o momento mais de 274.550 órbitas.
Além dele, dois satélites científicos das primeiras décadas da exploração espacial superam essa marca. O Explorer 7, colocado no espaço em outubro de 1959, ultrapassou 347.440 órbitas. Já o satélite meteorológico TIROS-1, lançado em março de 1960, lidera os registros com mais de 352.640 órbitas. Ambos contavam com órbitas elípticas bastante distantes da Terra, o que viabilizou tantas voltas sem a desintegração rápida, apesar de suas missões operacionais terem durado pouco tempo.
Outro marco indispensável nessa comparação é a Estação Espacial Internacional (ISS). Operando a cada 93 minutos, o gigantesco laboratório orbital completa mais de 15 voltas por dia ao redor da Terra. Com sua estrutura inicial lançada em 1998, a estação espacial já ultrapassou 152.800 órbitas acumuladas.
Ranking de satélites com mais voltas ao redor da Terra
- TIROS-1: 352.640 órbitas completadas;
- Explorer 7: 347.440 órbitas completadas;
- Vanguard 1: 274.550 órbitas completadas (ainda em órbita);
- Telescópio Espacial Hubble: 200.000 órbitas completadas (ativo e em operação);
- Estação Espacial Internacional (ISS): 152.800 órbitas completadas (ativa e com tripulação contínua).
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