Missão pretende alcançar o cometa Halley e acompanhá-lo durante sua próxima passagem pelo Sol

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Missão pretende alcançar o cometa Halley e acompanhá-lo durante sua próxima passagem pelo Sol

📸 Créditos da imagem: ESA

O cometa Halley não passa perto da Terra com frequência. Sua próxima visita ao Sistema Solar está prevista para 2061, e uma proposta de missão quer aproveitar a ocasião para fazer algo que as sondas que o visitaram em 1986 não conseguiram: acompanhar o cometa durante um período prolongado. O desafio está menos em simplesmente chegar até o Halley (o que também é difícil), mas sim em conseguir acompanhar seu movimento. A órbita do cometa é retrógrada, ou seja, viaja pelo Sistema Solar em sentido contrário ao movimento da maioria dos planetas, e possui uma inclinação de cerca de 162 graus, o que torna muito difícil fazer uma espaçonave chegar à mesma trajetória e velocidade do objeto. Um estudo de pesquisadores da Khalifa University e colaboradores apresenta uma possível solução.

Em vez de depender de uma única manobra gravitacional, a proposta combina passagens por Júpiter e Saturno com um sistema de propulsão de baixo empuxo. As janelas de lançamento calculadas são agosto de 2036 e setembro de 2037. Para quem tem pressa: Uma proposta de missão quer alcançar o cometa Halley antes de sua passagem pelo ponto mais próximo do Sol, em 2061, para acompanhá-lo por mais tempo; A estratégia combina assistências gravitacionais de Júpiter e Saturno com um propulsor de baixo empuxo para ajustar gradualmente a trajetória da espaçonave; O projeto ainda está no papel e prevê duas possíveis janelas de lançamento para agosto de 2036 ou setembro de 2037. Por que acompanhar o Halley é tão difícil?

As características orbitais do Halley ajudam a explicar por que acompanhar o cometa é tão complicado. Quando o cometa foi observado de perto em 1986, diferentes espaçonaves conseguiram realizar sobrevoos. Entre elas estavam a Giotto, da Agência Espacial Europeia, e as sondas soviéticas Vega. Como as trajetórias das sondas não permitiam acompanhar o cometa, as observações foram de poucas horas. A nova proposta parte justamente dessa limitação.

O objetivo não seria apenas cruzar o caminho do Halley, mas chegar até ele com uma trajetória que permita permanecer próximo enquanto o objeto se aproxima do Sol. Isso é importante porque a atividade de um cometa muda conforme ele recebe mais calor. Uma missão que permaneça próxima durante essa fase poderia acompanhar essas transformações. Estudos de missões sobre cometas também mostram como diferentes observações podem ser usadas para investigar características como composição, formato e como ele interage com os fatores da viagem espacial. Júpiter e Saturno entram no caminho Para conseguir chegar ao Halley, a espaçonave não seguiria diretamente até o cometa.

A ideia é usar a gravidade de Júpiter e Saturno para ajudar a mudar sua trajetória ao longo da viagem. A nave teria cerca de 2 mil kg, considerando os instrumentos e o combustível, e usaria um tipo de propulsor chamado efeito Hall. Ele não dá um grande impulso de uma vez, mas acelera a espaçonave aos poucos durante um longo período. O primeiro planeta importante no caminho seria Júpiter.

Ao passar perto dele, a nave aproveitaria a força da gravidade do planeta para ganhar velocidade e ser direcionada para Saturno. Em Saturno, aconteceria uma mudança ainda mais importante. A gravidade do planeta ajudaria a inclinar a trajetória da espaçonave, deixando seu caminho mais parecido com o do Halley. Isso é necessário porque o cometa segue uma órbita muito inclinada em relação à dos planetas. Em outras palavras, Júpiter ajudaria a nave a ganhar velocidade, enquanto Saturno ajudaria a mudar a direção de sua trajetória.

Com essas duas manobras e a aceleração contínua do propulsor, a proposta prevê que a espaçonave consiga alcançar o Halley em 2060, cerca de um ano antes de o cometa chegar ao ponto mais próximo do Sol. ntes de sua aproximação máxima do Sol permitiria acompanhar uma fase importante da viagem do cometa. A nave chegaria quando ele ainda estivesse além da órbita de Marte e poderia observá-lo enquanto o calor do Sol aumenta a atividade do seu núcleo. Por enquanto, porém, tudo isso ainda está no papel. A viagem é uma proposta de missão, descrita em um trabalho, e não um projeto espacial aprovado.

Caso avance, a missão teria duas possíveis janelas, em agosto de 2036 ou setembro de 2037. Enzo Monteiro Enzo Monteiro é redator no Olhar Digital. Ver todos os artigos → Ana Luiza Figueiredo Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital.

É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ver todos os artigos →

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