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Redes sociaisO que são ‘Notas da Comunidade’, que Meta irá implementar na América LatinaO grupo Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp) anunciou hoje que começará a testar as chamadas “Notas da Comunidade” em 16 países da América Latina, sistema já implementado nos Estados Unidos para substituir seu programa de checagem de fatos. A medida representa mais um passo para abandonar a checagem realizada por veículos de comunicação parceiros e substituí-la por um sistema de moderação baseado nos próprios usuários. Como funcionam as notas de contexto? As notas de contexto são uma ferramenta de moderação coletiva de conteúdos e aparecem abaixo de determinadas publicações potencialmente enganosas. O Twitter lançou essas notas em 2021 e posteriormente ampliou seu uso na rede social, adquirida em 2022 por Elon Musk e atualmente chamada X. Em janeiro de 2025, a Meta anunciou que encerraria nos Estados Unidos seu programa de checagem de fatos, poucos dias antes da posse de Donald Trump, e que o substituiria pelas notas. Elas são escritas por usuários voluntários, que precisam se cadastrar previamente, com o objetivo de “informar melhor caso uma publicação seja potencialmente enganosa ou pouco clara”, segundo o site da Meta. Uma “Nota da Comunidade” pode aparecer em uma publicação “se um número suficiente de colaboradores a considerar útil”. Dessa forma, “qualquer pessoa pode solicitar uma Nota da Comunidade sobre uma publicação que vir no Facebook, Instagram ou Threads e que possa se beneficiar de mais contexto”. Por enquanto, essas notas só podem aparecer em conteúdos acessíveis online nos Estados Unidos. Para se tornar colaborador, é necessário ter pelo menos 18 anos, uma conta no Facebook, Instagram ou Threads criada há pelo menos seis meses e não ter infringido reiteradamente as regras da Meta. Quais são os riscos? O Facebook mantém um programa de checagem de fatos em mais de 26 idiomas e remunera mais de 80 veículos de comunicação em todo o mundo, entre eles a AFP, para utilizar suas checagens em suas plataformas, como Facebook, WhatsApp e Instagram. Com as notas, “o problema é fazer com que a checagem dependa da multidão”, afirmou Christine Balagué, fundadora da rede de pesquisa “Good in Tech”, que estuda a desinformação.”A multidão pode dizer algo correto, mas também pode haver pessoas mal-intencionadas que estejam ali para difundir e propagar desinformação”, explicou. O Conselho de Supervisão criado pela Meta, controladora do Facebook, para analisar suas decisões de moderação advertiu em março que, se o sistema fosse implementado em escala mundial, “poderia (..) representar riscos consideráveis para os direitos humanos e causar danos concretos”. A preocupação é especialmente relevante em “regimes repressivos em matéria de direitos humanos, particularmente no contexto de eleições e situações de crise e conflito”, acrescentou o conselho. As notas são eficazes contra a desinformação? As notas, elaboradas e aprovadas por usuários das redes sociais, costumam recorrer ao jornalismo independente para fundamentar as informações apresentadas. Isso, porém, pode ser difícil ou até impossível em regimes repressivos, segundo o Conselho de Supervisão criado pela Meta. Em algumas regiões do mundo, “atores mal-intencionados demonstraram repetidamente sua capacidade de coordenar um grande número de contas com o objetivo de disseminar informações enganosas” e poderiam tentar manipular as “Notas da Comunidade” da Meta, alertou o conselho.”Esse risco aumentará à medida que a inteligência artificial facilitar a criação e a operação em larga escala dessas redes”, acrescentou. A redução dos esforços das plataformas digitais para combater a desinformação representa um risco adicional para a integridade dos processos democráticos e para a confiança dos cidadãos, advertiu em março a Rede Europeia de Padrões de Checagem de Fatos (EFCSN, na sigla em inglês), da qual a AFP é integrante. O autor da mensagem, e não o, é o responsável pelo comentário.
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