📸 Créditos da imagem: © Vlad Hilitanu - Unsplash
Uma Civilização Perdida na Amazônia
Vista de cima, a floresta amazônica parece esconder qualquer vestígio do que existiu antes dela. No entanto, uma tecnologia capaz de atravessar virtualmente a cobertura das árvores está revelando outra paisagem.
Sob a vegetação, pesquisadores identificaram estradas, figuras geométricas e centenas de construções feitas de terra. As estimativas são ainda mais impressionantes: milhares de estruturas podem continuar invisíveis, deixadas por sociedades que transformaram profundamente essa região há quase dois mil anos.
Descoberta no Estado do Acre
A descoberta aconteceu no estado do Acre, no sudoeste da Amazônia brasileira, onde pesquisadores utilizaram uma tecnologia conhecida como LiDAR para observar o terreno escondido sob a vegetação.
O método funciona emitindo enormes quantidades de pulsos de laser a partir do ar. Parte deles atravessa os pequenos espaços entre as copas das árvores e alcança o solo. Com esses dados, computadores conseguem reconstruir digitalmente o relevo, praticamente removendo a floresta da imagem.
Estruturas e Estradas
Os levantamentos identificaram cerca de 400 estruturas de terra que permaneciam invisíveis aos métodos tradicionais de observação. Muitas formam desenhos geométricos gigantescos, incluindo círculos, quadrados, retângulos e octógonos com centenas de metros de extensão.
Para construí-las, seus habitantes escavavam grandes quantidades de solo e utilizavam a terra retirada para levantar terraplenos. Além disso, estradas perfeitamente planejadas conectavam diferentes assentamentos, sugerindo uma organização territorial muito mais sofisticada do que aquela tradicionalmente associada às populações pré-colombianas dessa parte da Amazônia.
Implicações da Descoberta
A descoberta reforça uma mudança importante na arqueologia amazônica: a separação rígida entre uma floresta supostamente intocada e populações humanas que apenas se adaptavam a ela está se tornando cada vez mais difícil de sustentar.
As estimativas apresentadas pelo estudo indicam que entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas podem ter habitado essa ampla região, formando uma das maiores concentrações populacionais pré-colombianas identificadas na Amazônia.
Ainda existem perguntas que a floresta não respondeu. Os pesquisadores ainda não sabem exatamente quais línguas eram faladas, como esses povos chamavam a si próprios ou de que maneira funcionavam todas as relações políticas entre diferentes assentamentos.
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