John Ternus poderá dar novos ares à equipe de design da Apple

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John Ternus poderá dar novos ares à equipe de design da Apple

📸 Créditos da imagem: reprodução / MacMagazine

A equipe de design da Apple tem enfrentado uma década de desafios e transformações significativas, marcadas por uma série de saídas importantes e uma percepção de menor inovação no design de produtos essenciais. Essa crise, detalhada pelo jornalista Mark Gurman em sua newsletter “Power On”, aponta para um período de instabilidade que se seguiu à era de Steve Jobs, onde a frequência de atualizações no desenho dos principais produtos da empresa diminuiu consideravelmente.

No entanto, uma nova fase pode estar no horizonte para o histórico time de design da Maçã. Com a iminente ascensão de John Ternus ao cargo de CEO em setembro, Gurman sugere que essa mudança na direção executiva poderá injetar novos ares e revitalizar o departamento, que é central para a identidade da companhia.

Após a saída de Jony Ive, uma figura icônica no design da Apple, a supervisão dos trabalhos da equipe foi delegada a Jeff Williams, então chefe de operações da empresa. Embora Williams tenha liderado o desenvolvimento do Apple Watch, um projeto intrinsecamente ligado à equipe de design, ele não era particularmente conhecido por sua aptidão em design industrial. A proximidade com o diretor executivo Tim Cook parece ter sido um fator mais decisivo para essa nomeação, uma decisão que, em retrospecto, pode ter impactado a relevância e a autonomia do departamento, conforme apontado pelo jornalista.

Atualmente, a liderança do design industrial da Apple apresenta uma estrutura pouco convencional e fragmentada. Richard Howarth, o designer mais sênior remanescente da equipe, opera remotamente da região de Chicago na maior parte do tempo, um arranjo incomum para um executivo de seu calibre. Além disso, Howarth possui um histórico problemático à frente do grupo entre 2015 e 2017, o que adiciona complexidade à situação.

Diante desse cenário, a Apple optou por colocar Molly Anderson no comando. Reconhecida por suas contribuições ao Apple Watch, Anderson, contudo, nunca havia liderado uma equipe antes. Essa escolha sinaliza uma preferência pela continuidade interna em detrimento de uma busca mais ambiciosa e externa por uma nova liderança, levantando questões sobre a estratégia de longo prazo para o setor.

A situação se agravou ainda mais no ano passado com a saída de Alan Dye, o então responsável pelo design de interface da empresa, que se juntou à Meta. Dye era considerado um dos poucos nomes com potencial para assumir um papel mais central dentro da companhia. Atualmente, a área é comandada por Steve Lemay, mas Gurman expressa dúvidas sobre a profundidade da liderança e a estrutura do time abaixo dele, indicando uma possível lacuna de talentos e experiência.

John Ternus, o futuro CEO, parece estar plenamente ciente da necessidade urgente de uma reformulação significativa na equipe de design. Seu empenho em dedicar tempo à supervisão direta do departamento demonstra a possível centralidade que essa área terá durante sua gestão. O desafio, no entanto, vai além de simplesmente encontrar novos talentos.

A busca por uma nova liderança para a equipe de design não envolve apenas o alinhamento com a cultura organizacional da Apple, mas também a necessidade de encontrar alguém que possua a autonomia necessária para reconstruir o setor do zero e, crucialmente, que tenha um lugar cativo na mesa executiva, garantindo que o design mantenha sua voz e influência estratégicas dentro da empresa.

Em uma reunião interna recente, o futuro CEO reforçou seu compromisso com a filosofia central da Apple, afirmando que a Maçã “continuará focando em design, porque design está no centro do que fazemos na Apple”. Essa declaração sublinha a importância que Ternus atribui ao design e a expectativa de que ele possa, de fato, trazer os novos ares tão esperados para a equipe.

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