X-59 da NASA supera a velocidade do som pela primeira vez

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X-59 da NASA supera a velocidade do som pela primeira vez

📸 Créditos da imagem: Divulgação / NASA

O avião experimental X-59 da NASA, desenvolvido com o ambicioso objetivo de revolucionar os voos supersônicos, alcançou um marco histórico nesta sexta-feira ao ultrapassar a velocidade do som pela primeira vez. Este feito notável ocorreu durante um voo de testes meticulosamente planejado na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, impulsionando a missão Quesst (Quiet Supersonic Technology) em sua busca por aeronaves capazes de voar acima de Mach 1 sem os tradicionais e incômodos estrondos sônicos.

A aeronave, caracterizada por seu nariz alongado e design inovador, decolou às 14h08 EDT (18h08 GMT) sob o comando experiente do piloto de testes da NASA, Jim “Clue” Less. O voo, que durou 81 minutos, culminou com o retorno seguro à mesma base militar, após o X-59 atingir uma velocidade máxima de 713 mph (1.147 km/h) e uma altitude impressionante de 43.400 pés (13.228 metros).

Segundo informações divulgadas pela agência espacial, a velocidade alcançada corresponde a aproximadamente Mach 1,1, ou seja, cerca de 1,1 vez a velocidade do som. Este avanço significativo acontece mais de seis meses após o primeiro voo da aeronave, que ocorreu em outubro do ano passado, demonstrando a rápida progressão do programa.

Primeiro voo supersônico marca nova etapa do programa

Em um comunicado oficial, Michael Kratsios, assistente do presidente dos Estados Unidos para ciência e tecnologia e diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica do país, enfatizou a importância do primeiro voo supersônico do X-59. Ele afirmou que o feito representa um exemplo claro da liderança norte-americana em ciência, engenharia e inovação aeroespacial, sublinhando o potencial transformador do projeto.

A equipe do programa X-59 não demonstra intenção de diminuir o ritmo dos testes. A NASA anunciou que, nos próximos dias, está programado o primeiro voo em condições operacionais da missão, visando atingir uma velocidade máxima de Mach 1,4 e uma altitude próxima de 55 mil pés (16.764 metros). Estes testes são cruciais para a coleta de dados em cenários mais próximos da operação real.

Objetivo é coletar dados sobre ruído reduzido

As condições de velocidade e altitude estabelecidas para os próximos voos servirão como base fundamental para a fase subsequente do projeto. Nela, o X-59 realizará sobrevoos em diversas comunidades nos Estados Unidos. O propósito central é coletar informações detalhadas sobre como as pessoas percebem o som produzido pela aeronave, que a NASA descreve como um “thump” mais suave, em contraste com o estrondo sônico característico de aviões supersônicos convencionais.

Os dados obtidos serão de extrema relevância e serão compartilhados com reguladores tanto nos Estados Unidos quanto em outros países. A agência espacial acredita que essas informações poderão ser decisivas para a criação de novos padrões de ruído, baseados em dados reais e científicos. Tal iniciativa tem o potencial de apoiar o desenvolvimento de um futuro mercado para voos comerciais supersônicos sobre áreas terrestres, uma possibilidade que foi severamente restringida em 1973.

Naquele ano, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) impôs uma proibição a voos supersônicos sobre terra, devido aos impactos negativos dos estrondos sônicos sobre pessoas e propriedades, marcando um período de estagnação para a aviação comercial de alta velocidade.

Programa acumula avanços nos últimos meses

O X-59 é a aeronave principal do programa Quesst e foi meticulosamente construído pela renomada Lockheed Martin Skunk Works. O projeto foi concebido desde o início para gerar sons significativamente mais suaves durante voos supersônicos, buscando reduzir drasticamente o impacto acústico em comparação com as tecnologias de aeronaves do passado.

Jared Isaacman, administrador da NASA, destacou o rápido progresso da equipe desde o primeiro voo. Ele informou que a aeronave realizou impressionantes 16 voos nos últimos 90 dias, estabelecendo um ritmo consistente e produtivo de testes que acelera o desenvolvimento do projeto.

Isaacman aproveitou a oportunidade para expressar sua gratidão às equipes da NASA e da Lockheed Martin Skunk Works pelo trabalho exemplar realizado até o momento. Ele também manifestou a expectativa de que esta seja a primeira de muitas colaborações futuras, fortalecendo o portfólio de aeronaves experimentais da agência e impulsionando a inovação aeroespacial.

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