Cientistas já estão usando inteligência artificial para criar vacinas universais — e o primeiro teste em humanos trouxe resultados promissores

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Cientistas já estão usando inteligência artificial para criar vacinas universais — e o primeiro teste em humanos trouxe resultados promissores

📸 Créditos da imagem: © F8 studio via Shutterstock

A inteligência artificial vem transformando áreas como programação, produção de conteúdo e análise de dados. Agora, ela começa a mostrar seu potencial em um dos campos mais importantes da medicina moderna: o desenvolvimento de vacinas. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, anunciaram resultados promissores do primeiro teste clínico em humanos de uma vacina criada integralmente com auxílio de inteligência artificial.

O imunizante experimental, chamado pEVAC-PS, foi desenvolvido para oferecer proteção contra diversos coronavírus simultaneamente, incluindo variantes atuais e possíveis vírus que ainda nem chegaram aos seres humanos. Os resultados iniciais indicam que a vacina é segura e capaz de estimular respostas imunológicas contra diferentes membros da família dos coronavírus, um avanço que pode ajudar a preparar o mundo para futuras epidemias. O desafio das vacinas tradicionais As vacinas funcionam treinando o sistema imunológico para reconhecer um agente infeccioso antes que ele provoque uma doença.

Em muitos casos, como sarampo ou poliomielite, esse treinamento oferece proteção duradoura porque os vírus mudam muito pouco ao longo do tempo. Já os coronavírus e os vírus da gripe apresentam um comportamento diferente. Eles sofrem mutações constantes, alterando partes de sua estrutura que normalmente são utilizadas como alvo pelas vacinas.

Isso obriga cientistas a atualizar periodicamente os imunizantes para acompanhar a evolução dos vírus. É justamente esse ciclo que os pesquisadores esperam quebrar. A busca pela vacina universal Há anos, cientistas tentam desenvolver vacinas universais capazes de proteger contra famílias inteiras de vírus.

A estratégia consiste em encontrar regiões muito específicas dos patógenos que permanecem praticamente inalteradas mesmo após inúmeras mutações. Essas regiões funcionam como pontos fracos compartilhados por diferentes variantes. O problema é que identificar esses alvos não é simples.

Foi aí que entrou a inteligência artificial. Como a IA encontrou o “superantígeno” A equipe utilizou um sistema de inteligência artificial treinado com informações genéticas de todos os sarbecovírus conhecidos. Esse grupo inclui o vírus responsável pela Covid-19, o vírus da epidemia de SARS de 2003 e diversos coronavírus encontrados em morcegos.

Esses vírus de origem animal preocupam os especialistas porque podem, eventualmente, saltar para seres humanos e desencadear novas pandemias. Após analisar enormes volumes de dados genéticos, a IA identificou estruturas extremamente conservadas — regiões que mudaram muito pouco ao longo da evolução viral. Os pesquisadores utilizaram essas informações para criar o antígeno principal da vacina, apelidado de “superantígeno” por sua capacidade potencial de gerar proteção cruzada contra vários coronavírus diferentes.

O primeiro teste em humanos O imunizante foi avaliado em um estudo de fase 1 envolvendo 39 voluntários saudáveis. Essa etapa tem como principal objetivo verificar a segurança do produto e identificar possíveis efeitos adversos. Segundo os resultados publicados no Journal of Infection, a vacina apresentou um perfil de segurança bastante favorável.

Nenhum efeito colateral grave ou inesperado foi registrado durante o estudo. Além disso, os pesquisadores encontraram evidências de que o sistema imunológico dos participantes produziu respostas capazes de reconhecer diferentes coronavírus ao mesmo tempo. Outro detalhe curioso é que a vacina foi administrada por meio de uma injeção sem agulha, utilizando um sistema que aplica o imunizante através da pele com alta pressão.

Ainda não é uma prova definitiva Apesar do entusiasmo, os próprios cientistas ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Ensaios clínicos de fase 1 servem principalmente para avaliar segurança, não eficácia. As respostas imunológicas observadas foram consideradas moderadas e variáveis entre os participantes.

Segundo os autores, isso pode estar relacionado ao fato de praticamente toda a população mundial já ter sido exposta ao SARS-CoV-2 por infecção natural, vacinação ou ambos, o que influencia a forma como o sistema imunológico reage a novos estímulos. Por isso, será necessário avançar para estudos maiores. O próximo passo e o futuro da medicina preventiva A equipe já prepara um estudo de fase 2, que envolverá um número maior de participantes e permitirá avaliar melhor a capacidade protetora da vacina.

Paralelamente, os pesquisadores criaram uma empresa chamada DIOSynVax, responsável por continuar desenvolvendo a plataforma de inteligência artificial utilizada no projeto. A expectativa é aplicar a mesma tecnologia na criação de vacinas universais contra outras ameaças globais, incluindo influenza e até o vírus Ebola. Se essa abordagem se mostrar eficaz nas próximas etapas clínicas, poderá inaugurar uma nova era na prevenção de doenças infecciosas.

Em vez de correr atrás de cada nova variante ou surto emergente, cientistas poderiam antecipar futuras ameaças e desenvolver imunizantes capazes de oferecer proteção ampla antes mesmo do aparecimento de uma nova pandemia. Para muitos especialistas, esse é um dos cenários mais promissores já produzidos pela combinação entre inteligência artificial e medicina.

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