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O diretor do renomado jornal The New York Times, Arthur Gregg Sulzberger, lançou um alerta contundente contra as empresas de inteligência artificial (IA), acusando-as de um “roubo descarado da propriedade intelectual” dos veículos de comunicação. A declaração, feita nesta segunda-feira (1º), aponta para um futuro preocupante com “menos jornalistas” no cenário global.
A crítica foi proferida durante o 77º encontro da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA), que acontece na cidade francesa de Marselha. Sulzberger, presidente e diretor do prestigiado jornal, não poupou palavras ao descrever a inação da própria indústria jornalística diante do avanço da IA.
“Nossa profissão esteve quieta demais, passiva demais e dividida demais diante dos abusos cometidos pelas empresas que estão provocando a revolução da inteligência artificial”, afirmou o executivo, destacando a urgência de uma postura mais ativa e unificada por parte dos meios de comunicação.
Em sua visão, as companhias de IA estão engajadas em um “roubo descarado da propriedade intelectual em uma escala sem precedentes”. Ele argumenta que, embora essas empresas detenham “um controle desmedido sobre nossos dados e nossa atenção”, elas falham em cumprir uma responsabilidade fundamental: “garantir ao público o acesso a informações e notícias confiáveis”.
Sulzberger detalhou o modus operandi dos gigantes da tecnologia, afirmando que eles “roubam os sites de notícias sem autorização nem compensação”. O problema se agrava quando “eles se reapropriam desses conteúdos roubados como se fossem seus autores, desviando assim o público e as receitas” que seriam destinadas aos veículos de informação originais.
A consequência direta desse cenário, segundo o diretor do NYT, é um declínio na capacidade de produção jornalística de qualidade. “Caminhamos para um futuro em que haverá cada vez menos jornalistas para realizar o trabalho caro e difícil que o jornalismo investigativo representa”, alertou, sublinhando o impacto financeiro e estrutural sobre a profissão.
O congresso da WAN-IFRA, que se estende até quarta-feira, serve como um palco para discussões cruciais sobre o modelo econômico da imprensa. O setor enfrenta forte pressão não apenas da inteligência artificial, mas também de uma concorrência crescente imposta pelas redes sociais, que desafiam a sustentabilidade e a relevância do jornalismo tradicional.
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