📸 Créditos da imagem: A24
O filme “Backrooms: Um Não-Lugar”, que chegou aos cinemas brasileiros em maio, entregou um desfecho complexo e instigante, típico das produções da A24. Dirigido por Kane Parsons e baseado em sua popular websérie do YouTube, o longa mergulha em um horror existencial e liminar, deixando muitos espectadores com mais perguntas do que respostas após os créditos.
A essência da obra reside na exploração de corredores sem fim do Complexo, que servem como uma metáfora perturbadora para as angústias internas dos personagens. Para desvendar o que realmente acontece no final, é crucial entender a dinâmica entre Clark, a Dra. Mary Kline e a misteriosa organização Async.
Quem são Clark e a Dra. Mary Kline em Backrooms?
Clark, interpretado por Chiwetel Ejiofor, é um vendedor de móveis atormentado por anos de fracasso profissional e um relacionamento abusivo no passado. Ao descobrir um portal no porão de sua loja que leva ao Complexo, ele se vê não apenas fascinado, mas eventualmente preferindo a infinidade labiríntica daquele lugar à sua própria vida exterior.
A Dra. Mary Kline, vivida por Renate Reinsve, é a terapeuta de Clark. Ela carrega um trauma profundo de infância, tendo sido mantida trancada em casa por uma mãe com transtorno mental. Essa experiência espelha, de forma inquietante, a claustrofobia inerente ao próprio Complexo. Quando Clark desaparece, Mary decide investigar e acaba também caindo no labirinto.
A natureza dos monstros do Complexo
Uma das revelações mais chocantes do filme diz respeito à origem das criaturas que habitam o Complexo. Segundo o próprio Clark, o ambiente tem a capacidade de criar cópias de todas as pessoas que o adentram. Mesmo que os indivíduos originais consigam sair, suas duplicatas permanecem presas para sempre naquele espaço.
Essas cópias são desprovidas de dor e, em um detalhe particularmente perturbador, Clark as descreve como “comestíveis”. A versão monstruosa de Clark, por exemplo, é a materialização de todos os seus conflitos não resolvidos: uma criatura gigantesca vestida com o traje do “Capitão Clark”, o mascote de sua loja que ele tanto detestava. Esse ser assassina Bobby e Kat, dois funcionários que exploravam o Complexo com Clark, e eventualmente volta sua fúria contra o próprio Clark original.
O desfecho de Backrooms: Um Não-Lugar
No clímax da narrativa, Clark propõe libertar Mary do Complexo, sob a condição de que ela o deixe permanecer ali. Contudo, antes que o acordo possa ser selado, sua cópia monstruosa ataca e o mata, passando então a perseguir Mary pelos corredores infinitos.
Em um momento decisivo, Mary utiliza um pedaço de cimento com a impressão das mãos dela e de sua mãe, um objeto simbólico que a acompanhou durante toda a jornada, para atordoar o monstro e conseguir escapar. Ela finalmente chega a um laboratório da Async, onde é recebida por Phil, interpretado por Mark Duplass. Phil tenta explicar que a organização, originalmente fabricante de equipamentos de ressonância magnética, descobriu o Complexo por acidente em 1989.
Mary escapa? O significado da cena final
A grande questão que o filme deixa em aberto é se Mary realmente consegue escapar. Ela questiona Phil repetidamente sobre a possibilidade de ir embora, mas ele nunca oferece uma resposta direta. A cena final então transita para uma montagem de ambientes já vistos ao longo do filme, agora transformados em partes do Complexo, incluindo a própria sala onde Phil e Mary conversavam. Nessa versão distorcida do Complexo, uma cópia de Mary está sentada em silêncio.
Existem duas interpretações principais para essa cena ambígua. A primeira sugere que Mary de fato escapou, mas sua cópia ficou aprisionada no Complexo para sempre, servindo como uma metáfora literal para traumas de infância que persistem e nunca nos abandonam completamente. A segunda, e mais inquietante, é que a mulher que dialoga com Phil na cena final já é a cópia, e não a Mary real. Nesse cenário, toda a conversa seria uma ilusão dentro de uma mente fragmentada que sequer tem consciência de sua própria prisão.
Backrooms 2: Há espaço para uma continuação?
O universo de “Backrooms: Um Não-Lugar” está longe de ser esgotado. A Async, apresentada como uma organização que ainda tenta compreender as ramificações de ter aberto o portal para o Complexo em 1989, possui um vasto potencial para novas histórias. Phil permanece vivo e conectado à mitologia, e o próprio mistério em torno do destino de Mary já seria uma motivação robusta para uma sequência.
A A24 é conhecida por permitir que seus cineastas desenvolvam continuações com calma, respeitando a visão original. Se “Backrooms: Um Não-Lugar” evoluir para uma franquia, é provável que adote um formato de histórias interligadas, onde novos personagens adentram o Complexo e se cruzam com os já conhecidos, espelhando a forma como os curtas do YouTube construíram esse universo ao longo dos anos.
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