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A guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe novamente para o centro das atenções internacionais uma arma pouco conhecida, mas de grande potencial disruptivo: o míssil Oreshnik. Apresentado pelo Kremlin como um sistema balístico hipersônico de última geração, este armamento ganhou destaque após Moscou confirmar seu uso em ataques recentes contra território ucraniano, gerando forte reação e preocupação entre líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron.
Autoridades russas afirmam que o Oreshnik possui a capacidade de atingir alvos em praticamente toda a Europa e de penetrar sistemas modernos de defesa aérea, uma proeza atribuída à sua velocidade extrema e manobrabilidade avançada. Tais alegações intensificam o debate sobre a eficácia das defesas existentes e o futuro da guerra tecnológica.
O que é o Oreshnik
O Oreshnik, cujo nome deriva da palavra russa para “avelã”, é classificado pela Rússia como um míssil balístico de alcance intermediário. Isso significa que ele pode atingir alvos localizados entre 3 mil e 5,5 mil quilômetros de distância. Na prática, esse alcance estratégico permitiria ao sistema atacar uma vasta porção do continente europeu, seja a partir do território russo ou de países aliados, como Belarus. O líder bielorrusso Alexander Lukashenko, inclusive, já declarou que o míssil teria sido posicionado em solo bielorrusso.
A principal característica: velocidade hipersônica
O elemento que mais intriga e preocupa especialistas militares é a velocidade do Oreshnik. Segundo o Kremlin, o míssil pode alcançar aproximadamente Mach 10, o que equivale a cerca de dez vezes a velocidade do som. Em velocidades tão elevadas, a interceptação do projétil torna-se um desafio tecnológico e tático extremamente complexo. Além disso, mísseis balísticos hipersônicos são projetados para percorrer trajetórias complexas e podem liberar múltiplas ogivas ou veículos de reentrada, dificultando ainda mais a atuação de sistemas antimísseis convencionais.
Por que ele preocupa tanto a Europa
A principal preocupação europeia reside na combinação letal de velocidade, alcance e capacidade de evasão do Oreshnik. As defesas aéreas modernas da OTAN foram concebidas, em grande parte, para lidar com ameaças como aviões, drones e certos tipos de mísseis convencionais. Armas hipersônicas, contudo, representam um desafio de uma ordem de magnitude superior, pois reduzem drasticamente o tempo disponível para detecção, cálculo de trajetória e, consequentemente, para uma resposta defensiva eficaz. Embora veículos balísticos de reentrada frequentemente atinjam velocidades hipersônicas em parte de seu voo, Moscou insiste que o Oreshnik foi especificamente projetado para operar nesse regime extremo de forma avançada, tornando-o uma ameaça sem precedentes.
O míssil pode carregar armas nucleares?
Autoridades russas afirmam que sim. Embora o primeiro ataque conhecido com o Oreshnik, ocorrido contra a cidade ucraniana de Dnipro em 2024, tenha aparentemente utilizado ogivas convencionais ou até mesmo dispositivos de distração, analistas de defesa acreditam que o sistema possui um potencial inegável para transportar cargas nucleares. O presidente russo Vladimir Putin chegou a descrever o Oreshnik como uma arma capaz de gerar calor extremo e destruir estruturas fortemente protegidas. Apesar dessas declarações, imagens do ataque em Dnipro mostraram danos considerados relativamente limitados por autoridades ucranianas, o que levou especialistas a questionar a extensão real do poder destrutivo do sistema.
Origem misteriosa e desenvolvimento acelerado
A origem exata do Oreshnik é cercada de mistério. Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o míssil seria baseado no RS-26 Rubezh, um míssil balístico intercontinental móvel desenvolvido anteriormente pela Rússia. No entanto, Putin insiste que o sistema não é meramente uma modernização de projetos soviéticos antigos. De acordo com o Kremlin, o Oreshnik teria sido desenvolvido como uma plataforma completamente nova, após ordens emitidas em 2023, o que indica uma aceleração significativa nos programas russos ligados à guerra hipersônica.
A corrida hipersônica virou prioridade global
Nos últimos anos, as armas hipersônicas ascenderam a uma das áreas mais estratégicas da disputa militar entre as grandes potências globais. Rússia, China e Estados Unidos investem bilhões de dólares em sistemas capazes de superar os escudos antimísseis tradicionais. O objetivo primordial é criar armas tão rápidas e imprevisíveis que praticamente impossibilitem qualquer reação defensiva eficiente. Para muitos analistas, essa corrida armamentista representa uma transformação comparável à corrida nuclear da Guerra Fria, redefinindo os paradigmas da segurança internacional.
Um símbolo da nova guerra tecnológica
Mesmo que ainda existam dúvidas sobre as capacidades reais e o alcance total do Oreshnik, o míssil já se consolidou como um símbolo importante da estratégia militar russa contemporânea. Mais do que apenas destruir alvos, armas hipersônicas exercem um forte efeito psicológico e geopolítico. Elas funcionam como demonstrações de poder tecnológico, ferramentas de pressão diplomática e elementos de dissuasão militar. Em um momento de tensão crescente entre Rússia e OTAN, sistemas como o Oreshnik sinalizam que o futuro dos conflitos talvez dependa menos do tamanho dos exércitos tradicionais e cada vez mais da velocidade com que novas armas conseguem cruzar os céus antes que qualquer adversário tenha tempo de reagir.
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