📸 Créditos da imagem: winnond/Shutterstock
Tudo sobre Android ver mais Tudo sobre Google ver mais O Google passou a exigir a verificação de desenvolvedores para a instalação de aplicativos no Android, inclusive os distribuídos fora da Play Store. A regra começou a valer no Brasil e em outros três países em setembro de 2026. A mudança gerou críticas de organizações de defesa dos direitos digitais e levou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a cobrar explicações sobre possíveis efeitos para desenvolvedores independentes e lojas concorrentes. O que muda para quem instala aplicativos? Anunciada em agosto de 2025, a Verificação de Desenvolvedores para Android exige que os responsáveis pelos aplicativos comprovem sua identidade e registrem seus programas no Google.
A regra alcança celulares com Android 7 ou versões posteriores, mesmo quando os aplicativos são distribuídos por outros canais. A política entrou em vigor em 30 de setembro no Brasil, na Indonésia, na Tailândia e em Singapura. O Google afirma que a medida combate fraudes e softwares maliciosos. Em resposta ao Cade, a empresa declarou ter encontrado 90 vezes mais malware em fontes externas do que na Google Play. “O ADV é uma resposta necessária e proporcional ao crescimento exponencial de malwares associados à evolução da IA”, afirmou a empresa ao órgão. Para quem baixa aplicativos pela loja oficial ou por grandes lojas de fabricantes, pouca coisa deve mudar.
Já os usuários que recorrem a arquivos APK, repositórios independentes e sites de desenvolvedores poderão enfrentar etapas adicionais. A instalação por esses canais, conhecida como sideloading, continuará disponível. Uma das alternativas envolve o Android Debug Bridge, ferramenta voltada a operações técnicas. Outra exige esperar 24 horas, ativar o modo desenvolvedor e confirmar a identidade no aparelho.
Por que o Cade questiona a medida? O Cade abriu um inquérito em 2024 para investigar se o Google usa sua posição dominante no Android para prejudicar concorrentes da Play Store. Em setembro de 2026, pediu esclarecimentos sobre os custos, os prazos e os efeitos da verificação para desenvolvedores independentes. As respostas não convenceram a Artigo 19 e a Electronic Frontier Foundation (EFF), que solicitaram a suspensão preventiva da política enquanto a investigação estiver em andamento. Em manifestação ao órgão, as entidades afirmaram: “O objetivo do Google com a Política de Desenvolvedores é consolidar-se como a única opção confiável, descredibilizando concorrentes que dependem do ecossistema Android para acessar usuários”. As críticas se concentram em três possíveis consequências: Desenvolvedores independentes: novas exigências podem dificultar a distribuição de aplicativos.
Lojas alternativas: serviços fora do ecossistema oficial podem enfrentar obstáculos para oferecer seus catálogos. Usuários: a instalação externa continua permitida, mas passa a exigir procedimentos adicionais. A empresa prevê expandir a verificação para o restante do mundo em 2027.
Até lá, a investigação brasileira seguirá como um dos pontos de disputa em torno das novas regras. Valdir Antonelli Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo. Ver todos os artigos →
📰 Leia a notícia completa em: Olhar Digital »