📸 Créditos da imagem: Jovem Nerd/ Reprodução
Caminhar por um corredor escuro, ouvir passos desconhecidos ou perceber que não há munição suficiente para enfrentar um inimigo. Nos jogos de terror, situações como essas transformam o medo em parte fundamental da experiência. Mas por que tantas pessoas procuram voluntariamente jogos que provocam tensão e sustos? A resposta envolve fatores psicológicos, reações físicas e características próprias dos videogames. Diferentemente dos filmes, nos quais o espectador apenas acompanha os acontecimentos, os jogos colocam o usuário no controle das decisões, aumentando sua participação nas situações de perigo. Por que sentimos prazer ao jogar games de terror? Uma das principais explicações está na possibilidade de experimentar o medo em um ambiente controlado. Ao jogar Resident Evil, Silent Hill ou Amnesia: The Dark Descent, o usuário enfrenta situações ameaçadoras sem estar exposto aos perigos reais apresentados na tela. A experiência combina tensão e alívio.
O jogador pode sentir medo durante uma perseguição, por exemplo, mas também experimentar satisfação ao conseguir escapar. Uma revisão científica publicada em 2019 na revista Frontiers in Psychology aponta que o suspense, a busca por sensações intensas e o alívio após situações ameaçadoras estão entre os fatores associados ao interesse pelo terror. Entretanto, essas reações variam entre indivíduos. Enquanto algumas pessoas gostam de experiências assustadoras, outras podem considerá-las desconfortáveis. O que acontece com o corpo durante um jogo de terror? Mesmo sabendo que o perigo não é real, o organismo pode reagir às ameaças apresentadas pelos jogos. Entre as respostas possíveis estão o aumento da frequência cardíaca, mudanças na respiração, tensão muscular e maior estado de alerta. Essas reações fazem parte dos mecanismos fisiológicos de resposta ao medo, que preparam o organismo para lidar com situações percebidas como ameaçadoras. Uma pesquisa publicada em 2022, que analisou experiências imersivas de realidade virtual, identificou alterações fisiológicas durante situações de medo e frustração. Isso não significa, porém, que todos os jogadores apresentem as mesmas respostas.
A intensidade depende de fatores como familiaridade com o gênero e sensibilidade individual. Por que o terror funciona tão bem nos videogames? A principal diferença está na interatividade. Em um filme, o espectador acompanha o perigo, mas não precisa decidir como escapar. Nos videogames, essa responsabilidade passa para o jogador. Em Resident Evil 2, encontrar um inimigo pode exigir uma escolha imediata: gastar munição ou fugir para preservar recursos. Já em Until Dawn, decisões tomadas durante a história podem determinar quais personagens sobreviverão. O terror também utiliza recursos como iluminação limitada, ambientes inquietantes e sons inesperados para aumentar a tensão. Em Silent Hill 2, o medo está relacionado à narrativa psicológica e aos conflitos dos personagens.
Já Dead Space utiliza o isolamento e a ambientação de uma nave espacial para criar uma sensação constante de ameaça. Muitas vezes, a expectativa de que algo assustador aconteça é tão importante quanto o próprio susto. Por que jogos de terror fazem sucesso no YouTube e na Twitch? O gênero também encontrou espaço entre criadores de conteúdo e plataformas de transmissão ao vivo. Jogos como Five Nights at Freddy’s, Phasmophobia e Outlast geram situações inesperadas, sustos e reações que podem ser compartilhadas com o público. Em Phasmophobia, por exemplo, a comunicação entre jogadores e a investigação de fenômenos sobrenaturais criam momentos de tensão, cooperação e humor. As transmissões transformam o medo em uma experiência coletiva. O público acompanha as decisões, antecipa possíveis sustos e reage junto com o criador de conteúdo. Essa combinação ajuda a explicar por que assistir a alguém jogando terror pode ser tão interessante quanto experimentar o jogo diretamente. Jogos de terror podem fazer mal? O impacto depende de fatores como idade, sensibilidade individual e intensidade do conteúdo. Embora algumas pessoas possam sentir desconforto diante de experiências assustadoras, não é correto afirmar que jogos com violência necessariamente provocam comportamentos agressivos. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford, publicado em 2019, não encontrou associação entre o envolvimento com jogos violentos e comportamentos agressivos entre os adolescentes analisados. A pesquisa, entretanto, não investigou especificamente jogos de terror. Também não há evidências suficientes para afirmar que o gênero necessariamente reduz a ansiedade ou melhora a resiliência emocional. Afinal, por que gostamos tanto de jogos de terror? O interesse pelo gênero está relacionado à combinação de suspense, interatividade e superação. Enquanto muitos jogos colocam o jogador em uma posição de poder, o terror frequentemente faz o contrário: limita recursos, dificulta o enfrentamento de inimigos e cria situações nas quais fugir é a melhor alternativa. Essa vulnerabilidade transforma pequenas conquistas em momentos importantes.
Encontrar uma saída, resolver um enigma ou sobreviver a uma perseguição pode proporcionar uma sensação de alívio depois de períodos de tensão. No fim, o envolvimento dos jogos de terror não está apenas nos sustos, mas na possibilidade de enfrentar o desconhecido e superar desafios dentro de um ambiente seguro e fictício. Rachele Victoria Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer. Ver todos os artigos → Amazon Prime também é feito para jogadores!
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