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A 99 utiliza 248 filtros para selecionar motoristas que recebem solicitações de corridas e atualiza os preços das viagens a cada dois minutos, de acordo com as condições de oferta e demanda. O sistema considera fatores como distância, tempo estimado de chegada, probabilidade de aceitação do motorista e histórico de comportamento dos condutores. Os mecanismos foram apresentados por executivos da empresa durante o 99Tech Summit, realizado em 14 e 15 de outubro, no Rio de Janeiro. Segundo Anna Ishisaki e Fabrício Ribeiro, diretores de Operações da companhia, os algoritmos começam a trabalhar assim que o passageiro informa os endereços de origem e destino.
A partir daí, cruzam informações sobre os veículos disponíveis e as características da viagem para identificar quais motoristas têm maior probabilidade de aceitar a solicitação e concluí-la. De acordo com os executivos, o sistema pode analisar centenas de milhões de combinações entre passageiros e condutores. Por que o motorista mais próximo nem sempre recebe a chamada? A distância entre o carro e o passageiro é apenas um dos critérios utilizados na seleção. O aplicativo também calcula quanto tempo cada motorista levaria para chegar ao ponto de embarque, considera a direção em que o veículo está seguindo e estima a possibilidade de o condutor aceitar ou cancelar a corrida.
Em um exemplo apresentado pela empresa, um carro a 500 metros do passageiro pode levar oito minutos para chegar, enquanto outro, a 800 metros, pode alcançá-lo em três minutos. Nesse caso, o segundo motorista tem vantagem na seleção. O histórico dos condutores também influencia a distribuição das solicitações. O sistema considera padrões de aceitação e cancelamento, além de preferências por determinados destinos e horários.
O ranking dos motoristas é recalculado a cada dois segundos, conforme surgem novas solicitações e outras são recusadas. Quando um condutor rejeita muitas corridas, o algoritmo pode reduzir a frequência de chamadas destinadas a ele, por entender que a probabilidade de aceitar novas viagens é menor. Segundo Anna, isso não representa necessariamente uma punição formal, mas uma adaptação do sistema ao comportamento observado. A empresa também acompanha mudanças coletivas nas decisões dos motoristas.
Se muitos condutores passam a recusar viagens que antes aceitavam, a equipe de operações procura identificar as causas, que podem incluir o aumento do preço dos combustíveis ou alterações nas condições locais. A partir dessas análises, a 99 pode rever os preços e os critérios de distribuição das chamadas. Além disso, o destino da corrida entra no cálculo: viagens para regiões com poucos veículos disponíveis podem ajudar a redistribuir os motoristas pela cidade. Como o aplicativo calcula o preço e oferece descontosO preço apresentado ao passageiro é calculado em três etapas.
A primeira estabelece uma tarifa-base, que considera a distância, o tempo estimado da viagem, a tarifa inicial e um valor mínimo. A empresa também utiliza referências demográficas e informações sobre os preços praticados pela concorrência para definir parâmetros de cobrança. Na segunda etapa, os algoritmos ajustam esses valores conforme a região e o horário.
Para isso, a cidade é dividida em pequenas áreas hexagonais, analisadas individualmente de acordo com a quantidade de passageiros e motoristas disponíveis. A terceira etapa é o preço dinâmico, aplicado quando há desequilíbrio entre a oferta de veículos e a procura por corridas. A saída de um show, por exemplo, pode concentrar muitos passageiros em uma região em poucos minutos. A chuva também pode reduzir a disponibilidade de motociclistas e outros condutores.
Nessas situações, o sistema pode elevar temporariamente os preços para estimular motoristas a atender locais com maior demanda. Como os cálculos são atualizados a cada dois minutos, o valor de uma mesma viagem pode mudar mesmo que o passageiro mantenha os endereços informados. A plataforma também oferece descontos personalizados, que podem variar conforme o perfil de utilização do aplicativo. Segundo os executivos, passageiros que usam o serviço com maior frequência têm mais probabilidade de receber promoções.
O preço-base, porém, não é definido individualmente para cada usuário da mesma forma que os descontos. A frequência de uso também não garante o recebimento de benefícios, já que as ofertas dependem dos critérios adotados pelo sistema. No 99Negocia, modalidade em que passageiros e motoristas podem negociar o valor da viagem, o funcionamento é diferente. O aplicativo apresenta um preço de referência baseado no cálculo do 99Pop, mas permite que o passageiro ofereça outro valor e que o motorista aceite ou apresente uma contraproposta.
A negociação ocorre dentro de limites mínimos e máximos estabelecidos pela empresa, que busca considerar os custos dos condutores e reduzir o risco de fraudes. Os filtros de segurança continuam ativos, embora parte da decisão sobre o preço passe a depender dos próprios usuários. A escolha do motorista também pode variar nessa modalidade. O 99Negocia utiliza um raio de busca mais flexível, permitindo que os condutores avaliem diferentes ofertas antes de aceitar uma viagem.
O passageiro pode desativar o aceite automático para comparar informações como avaliação do motorista, modelo do veículo e distância. Com o recurso ativado, a conexão ocorre com o primeiro condutor que aceitar a proposta.
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