📸 Créditos da imagem: ZIPIIH/ Divulgação
O universo dos games pode representar um espaço de acolhimento, diversão e conexão entre pessoas. Entretanto, para mulheres e integrantes da comunidade LGBTQIA+, participar desse ambiente ainda pode significar enfrentar preconceito e discriminação. Em entrevista ao Olhar Digital, Zee “ZIPIIH” Oliveira, criadora de conteúdo, apresentadora, caster e ex-jogadora competitiva de League of Legends, falou sobre sua trajetória na indústria e a importância de ampliar a representatividade nos jogos e nos esportes eletrônicos. Atualmente, ZIPIIH produz conteúdos voltados à cultura gamer e pop, com foco na inclusão de mulheres e pessoas LGBTQIA+. De jogadora profissional a criadora de conteúdoA relação de ZIPIIH com os videogames começou ainda na juventude, quando encontrou nos jogos uma alternativa para lidar com situações de bullying e com as limitações de viver em uma cidade pequena. Foi em League of Legends que ela descobriu o cenário competitivo. Na época, a criadora enxergava a carreira profissional como uma das poucas possibilidades de conquistar visibilidade dentro dos esports. “Eu achava que o único lugar e a única maneira de eu chegar nesse holofote era jogando profissionalmente”, contou. Durante sua trajetória, ZIPIIH chegou a integrar a CNB, mas decidiu deixar as competições diante da pressão e da rotina intensa de treinamentos. Na pandemia, passou a investir em transmissões ao vivo e na produção de vídeos, atividade pela qual já demonstrava interesse desde a infância. A decisão também foi influenciada pelo contato com outras pessoas LGBTQIA+ que atuavam como criadoras de conteúdo e apresentadoras, mostrando que existiam oportunidades além da carreira de jogadora. Preconceito ainda dificulta a participação nos jogos onlineApesar do crescimento da representatividade nos games, ZIPIIH considera que mulheres e pessoas LGBTQIA+ ainda enfrentam dificuldades para participar de partidas online. Segundo a criadora, situações de discriminação podem começar em interações simples, como utilizar o chat de voz para se comunicar com outros jogadores.
Ela cita VALORANT como um dos ambientes em que vivenciou esse problema. Para ZIPIIH, a hostilidade não está relacionada apenas à comunidade de um jogo específico, mas também a questões sociais que se reproduzem nos ambientes digitais. A criadora também questionou a necessidade de separar determinadas competições em categorias inclusivas e mistas. Embora reconheça a intenção de ampliar a participação de grupos historicamente excluídos, ela defende que o objetivo de longo prazo deve ser permitir que todas as pessoas tenham oportunidades de competir nos mesmos espaços. Representatividade ajuda a construir comunidades mais inclusivasDurante a entrevista, ZIPIIH destacou a importância de encontrar identificação tanto nos personagens quanto em outros jogadores e criadores de conteúdo. Ela recomenda que pessoas que enfrentam dificuldades para encontrar ambientes acolhedores procurem comunidades com interesses semelhantes, acompanhem criadores LGBTQIA+ e construam suas próprias redes de apoio. A experiência pessoal também influenciou seu trabalho. Ao perceber a ausência de determinados perfis nos espaços que desejava ocupar, decidiu buscar essas oportunidades e contribuir para que outras pessoas pudessem fazer o mesmo. “Não deixa de fazer as coisas que você gosta e que você ama, porque não tem um espaço para você”, afirmou. Para a criadora, a representatividade precisa ir além da presença de personagens diversos nos jogos.
Ela também deve alcançar as transmissões, a produção de conteúdo, os campeonatos e as oportunidades profissionais dentro da indústria. Criação de conteúdo como ferramenta de inclusãoAtualmente, ZIPIIH utiliza suas plataformas para produzir vídeos, realizar transmissões e promover discussões sobre diversidade nos games e na cultura pop. A criadora também mencionou iniciativas como um campeonato inclusivo de VALORANT, além de conteúdos voltados à linguagem e às experiências da comunidade LGBTQIA+. Entretanto, reconhece que manter esses ambientes exige esforço constante, especialmente diante de conflitos e manifestações de preconceito nas redes sociais. Para ZIPIIH, valorizar criadores que trabalham pela inclusão é uma maneira de fortalecer comunidades e ampliar a presença de diferentes públicos na indústria. Sua trajetória mostra como a criação de conteúdo pode abrir caminhos profissionais nos esports e contribuir para uma discussão mais ampla sobre respeito, pertencimento e representatividade no universo gamer. Rachele Victoria Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer. Ver todos os artigos → Amazon Prime também é feito para jogadores!
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