Calor do oceano pode gerar eletricidade 24 horas por dia — e um projeto nas Canárias testa essa possibilidade

📡 Fonte: Gizmodo 🏷️ Negócios 🤖 Auto
Calor do oceano pode gerar eletricidade 24 horas por dia — e um projeto nas Canárias testa essa possibilidade

📸 Créditos da imagem: Unsplash

O oceano armazena parte da energia que recebe do Sol, principalmente nas camadas próximas à superfície. Nas profundezas, a água permanece muito mais fria. Aproveitar esse contraste para gerar eletricidade é a proposta da conversão de energia térmica oceânica, conhecida pela sigla OTEC.

Embora a ideia tenha décadas de pesquisa, transformar seu potencial em instalações confiáveis e economicamente viáveis ainda exige superar desafios importantes de engenharia. Como a diferença de temperatura vira eletricidade O princípio lembra o funcionamento de outras usinas térmicas: o calor transforma um fluido em vapor, que movimenta uma turbina. Depois, o resfriamento permite que esse fluido volte ao estado líquido e reinicie o ciclo.

Nesse caso, a água quente da superfície fornece o calor. Em sistemas de circuito fechado, ela aquece um fluido com baixo ponto de ebulição, como a amônia. Assim, não é necessário ferver a própria água do mar.

A água fria captada nas profundezas resfria o vapor após sua passagem pela turbina. O processo pode continuar enquanto houver uma diferença de temperatura adequada e os equipamentos permanecerem funcionando. Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, sistemas OTEC utilizam um contraste térmico de pelo menos 20 °C.

Isso explica o interesse por regiões tropicais, onde a superfície costuma ser bem mais quente que as águas profundas. As Canárias funcionam como laboratório em mar aberto O projeto PLOTEC reúne empresas e instituições europeias para desenvolver uma plataforma flutuante capaz de enfrentar condições difíceis no oceano. Entre os participantes estão a britânica Global OTEC e a Plataforma Oceânica de Canárias, a PLOCAN.

Em um balanço dos testes divulgado pela PLOCAN, a instituição informou que seu banco de ensaios já abrigava o protótipo Don desde outubro de 2025. O trabalho avalia como a estrutura responde às ondas e às condições meteorológicas adversas. Esses dados ajudam os pesquisadores a comparar o comportamento real com os modelos utilizados no projeto.

A iniciativa recebeu apoio do programa europeu Horizonte Europa e do programa britânico UKRI. Segundo a PLOCAN, o investimento total chegou a 3,5 milhões de euros. O objetivo dos ensaios é melhorar a engenharia necessária para futuras instalações.

A presença de um protótipo no mar, por si só, ainda não comprova uma operação comercial competitiva. O grande desafio está na estrutura Captar água fria nas profundezas exige uma tubulação longa, conectada a uma plataforma que se movimenta com o oceano. Essa combinação impõe esforços sobre os tubos, as conexões e os sistemas de fixação.

O relatório técnico do PLOTEC na Comissão Europeia destaca a corrosão, o movimento do mar e as forças sobre a tubulação entre os principais obstáculos. Por isso, o projeto também investiga materiais e uma conexão articulada entre a plataforma e o tubo de captação. A intenção é permitir movimentos sem comprometer a resistência do conjunto.

Além da estrutura, a equipe avalia fatores econômicos, sociais e ambientais. Uma solução energética precisa funcionar com segurança e apresentar custos compatíveis com as alternativas disponíveis. Por que essa tecnologia interessa às ilhas A principal promessa da OTEC é oferecer geração contínua em locais com condições térmicas favoráveis.

O calor armazenado no oceano permite que o processo opere também durante a noite. Essa característica pode interessar a territórios insulares que buscam reduzir sua dependência de combustíveis importados. A PLOCAN aponta especialmente pequenos países insulares e territórios tropicais entre os possíveis beneficiários.

As Canárias ajudam a testar a tecnologia, mas cada futura instalação dependerá das condições do local e de sua viabilidade econômica. O próximo avanço exige demonstrar que plataformas, tubulações e demais equipamentos conseguem transformar o contraste térmico do mar em uma fonte confiável de eletricidade.

📰 Leia a notícia completa em: Gizmodo »

⚖️ Direitos Autorais: Este site utiliza conteúdo agregado automaticamente de fontes públicas. Todas as imagens possuem crédito e fonte indicados conforme exigido pela legislação brasileira de direitos autorais (Lei 9.610/98).