Desabafar não reduz a raiva, segundo estudo — mas existe uma estratégia que funciona melhor

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Desabafar não reduz a raiva, segundo estudo — mas existe uma estratégia que funciona melhor

📸 Créditos da imagem: Unsplash

Quando estamos com raiva, um conselho bastante comum é encontrar uma maneira de colocar tudo para fora. Reclamar, gritar ou realizar uma atividade física intensa poderia funcionar como uma válvula de escape. Mas a ciência não encontrou boas evidências de que essa estratégia realmente funcione.

Uma revisão realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio concluiu que desabafar não necessariamente reduz a raiva e, em determinadas situações, pode até intensificá-la. O estudo analisou 155 pesquisas envolvendo 10.189 participantes de diferentes idades, gêneros e culturas. O resultado aponta para uma estratégia diferente: em vez de aumentar a intensidade da reação, pode ser mais eficiente diminuir a ativação fisiológica do organismo.

Colocar a raiva para fora pode não funcionar A ideia de que precisamos liberar a raiva para nos sentirmos melhor está relacionada à chamada teoria da catarse. Segundo essa visão, acumular emoções negativas aumentaria a tensão interna, enquanto expressá-las proporcionaria alívio. Brad Bushman, pesquisador da Universidade Estadual de Ohio e um dos autores do trabalho, afirma que as evidências científicas não sustentam essa interpretação.

“Desabafar a raiva pode parecer uma boa ideia, mas não existe nenhuma evidência científica que apoie a teoria da catarse”, explicou o pesquisador. Isso não significa que uma pessoa deva simplesmente ignorar o que está sentindo. Refletir sobre a origem da raiva pode ajudar a identificar o problema, compreender a emoção e buscar maneiras de lidar com a situação.

A dificuldade aparece quando essa reflexão se transforma em ruminação. Repassar repetidamente na cabeça o motivo do conflito ou continuar expressando a raiva pode manter o organismo em estado de alerta, em vez de ajudá-lo a voltar ao equilíbrio. O segredo pode estar em acalmar o corpo Os pesquisadores dividiram as atividades analisadas em dois grandes grupos: aquelas que aumentavam a ativação fisiológica e aquelas que a reduziam.

Essa ativação envolve respostas como aumento da frequência cardíaca, aceleração da respiração e maior estado de alerta. A raiva naturalmente provoca várias dessas reações. Por isso, adicionar ainda mais estímulos pode não ser a melhor estratégia.

A revisão encontrou resultados mais consistentes justamente nas atividades capazes de diminuir essa ativação. Práticas como yoga em ritmo lento, atenção plena, relaxamento muscular progressivo e respiração diafragmática foram associadas a reduções da raiva. Até algo tão simples quanto interromper a situação e fazer uma pausa apresentou resultados positivos.

Correr pode aumentar a raiva naquele momento Uma das conclusões mais curiosas envolve o exercício físico. Atividades físicas possuem inúmeros benefícios para a saúde, mas isso não significa que qualquer exercício seja uma boa ferramenta para controlar imediatamente um episódio de raiva. Segundo a análise, correr foi uma das atividades com maior probabilidade de aumentar a raiva.

Uma possível explicação está justamente na ativação fisiológica. Corridas intensas elevam a frequência cardíaca, a respiração e outros sinais corporais que também aparecem durante estados de irritação. “Para reduzir a raiva, é melhor participar de atividades que diminuam os níveis de ativação”, explicou Bushman.

Isso não significa que correr seja prejudicial ou que pessoas irritadas devam abandonar exercícios físicos. A conclusão se refere especificamente à tentativa de utilizar atividades altamente estimulantes como estratégia imediata para diminuir a raiva. Nem todo exercício teve o mesmo resultado Curiosamente, algumas atividades físicas apresentaram efeitos diferentes.

Esportes com bola e outras modalidades associadas ao jogo conseguiram reduzir a raiva em determinadas situações, apesar do esforço físico envolvido. Os pesquisadores acreditam que o componente de diversão pode ajudar a explicar essa diferença. Isso mostra que não basta classificar uma atividade simplesmente como “exercício”.

O contexto, a intensidade e a experiência emocional envolvida também parecem importar. Uma caminhada tranquila, por exemplo, provoca uma resposta muito diferente no organismo daquela produzida por uma corrida intensa. Respirar, fazer uma pausa e diminuir o ritmo Os resultados oferecem algumas alternativas simples para momentos de irritação.

Respiração diafragmática, meditação, atenção plena, relaxamento muscular e yoga de baixa intensidade estão entre as estratégias que apresentaram melhores resultados. Muitas delas possuem outra vantagem: podem ser realizadas praticamente em qualquer lugar e não exigem equipamentos. O objetivo não é eliminar ou reprimir a emoção.

A raiva pode sinalizar que algo precisa ser resolvido, que um limite foi ultrapassado ou que determinada situação precisa mudar. A diferença está no que fazemos imediatamente depois. Em vez de alimentar a ativação física tentando “explodir” a raiva para fora, as evidências sugerem que primeiro pode ser mais útil ajudar o corpo a sair do estado de alerta.

Com a ativação mais baixa, fica mais fácil decidir o que fazer com aquilo que provocou o sentimento. [ Fonte: Infobae ]

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