Games nas eleições 2026: Veja propostas dos candidatos à presidência para o setor de jogos

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Games nas eleições 2026: Veja propostas dos candidatos à presidência para o setor de jogos

📸 Créditos da imagem: reprodução / Tecmundo

m 75,3% dos brasileiros, com 86,7% dessa parcela considerando os games sua principal forma de entretenimento. Em 2026, o setor também entrou em pauta no mundo político por causa do e de fatores como o fim da mídia física e direitos do consumidor. Com grandes lançamentos como GTA 6 e Zelda Ocarina of Time a caminho, a indústria se mostra, mais do que nunca, um assunto importante e que merece ser debatido com seriedade. Com a aproximação das Eleições 2026, o setor de games também aparece no radar das campanhas presidenciais — embora em níveis diferentes entre os candidatos. O Voxl analisou os planos de governo e declarações públicas dos presidenciáveis que vêm aparecendo nas pesquisas de intenção de voto para entender o que cada candidatura propõe, cita ou pretende fazer em relação aos jogos eletrônicos. O levantamento foi organizado em ordem alfabética e considera seis nomes que aparecem entre os principais concorrentes ao cargo: Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).

A lista foi montada com base na pesquisa Indexa/Broadcast, divulgada em 15 de setembro. Política e games devem se misturar? Enquanto existe um estigma entre certos jogadores de que política e games não se misturam, os dois assuntos caminharam juntos por muitas vezes nos últimos anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a gestão de Donald Trump costuma utilizar referências de jogos para divulgar campanhas e conversar com esse público. Já no Brasil, os debates sobre o assunto são constantes. No governo de Jair Bolsonaro, a pauta dos impostos foi recorrente, com consoles como PS5 e Xbox Series S e X recebendo reajustes de preço logo após medidas do governo serem anunciadas. Durante a gestão de Lula, a importância dos jogos na pauta pública também seguiu presente.

Um dos exemplos mais notórios foi a aprovação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, em 2024. A Lei nº 14.852 reconheceu uma série de atividades relacionadas ao desenvolvimento e à indústria de games e criou mecanismos específicos de fomento, além de permitir o enquadramento do setor em políticas culturais. Em 2026, o principal debate girou em torno da proteção de crianças e adolescentes por meio do. A mudança fez com que empresas de games alterassem jogos e mecânicas para se adequar à legislação, como adotar aferição de idade para evitar que menores acessem funções como loot boxes. Antes do início do período eleitoral, o mercado de games também voltou a gerar debate em Brasília após a Sony anunciar que vai encerrar os jogos em mídia física a partir de 2028.

Além de render um pedido de investigação da deputada federal Erika Hilton (PSOL), a situação rendeu comentários do deputado federal Kim Kataguiri (Missão) na câmara dos deputados e o anúncio de um projeto de lei da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), que deve ser discutido ainda este ano. Como os candidatos à presidência abordam os games em suas campanhas? Entre os presidenciáveis com mais intenções de votos, como esperado, os games estão longe das prioridades nos planos de governo. Dentre os seis candidatos, apenas Luis Inácio Lula da Silva traz planos voltados para o setor, além de ter comentado sobre o assunto em entrevista recente. Já Flávio Bolsonaro também mostrou uma relação com o setor no Dia do Gamer, que ocorreu durante o período de campanha, mas não trouxe propostas voltadas para a área de jogos no seu plano de governo. Os demais candidatos acabam mencionando o segmento dentro do guarda-chuva da cultura, isso quando o assunto não é ignorado por completo. É válido frisar que o levantamento do Voxl leva em conta a presença de propostas para a indústria de games e e-sports, o que não inclui jogos de apostas e bets.

A seguir, confira como o assunto é abordado por cada candidato – os planos de governo completos estão disponíveis no site do TSE. Augusto Cury (Avante)O plano de governo de Augusto Cury não apresenta uma proposta específica para a indústria de games ou para o desenvolvimento de jogos. Os games só aparecem em seu plano de governo em trechos dedicados aos desafios enfrentados pela educação na era da hiperconectividade. O documento afirma que os estudantes estão expostos a um volume de estímulos muito maior do que aquele encontrado tradicionalmente na escola e coloca os games ao lado de redes sociais e plataformas digitais. “Games, redes sociais e plataformas digitais oferecem experiências mais envolventes, rápidas e emocionalmente estimulantes”, diz o texto. Em outro trecho, o plano reforça a ideia de que a escola disputa diariamente a atenção dos alunos com diferentes tecnologias.

“A escola precisa oferecer aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: relações humanas significativas, pensamento crítico, construção da identidade, convivência e desenvolvimento emocional. ”Assim, dentro do programa analisado pelo Voxel, os jogos aparecem principalmente como parte do contexto tecnológico que influencia a educação, e não como uma indústria a ser estimulada por meio de políticas econômicas, culturais ou de inovação. Flávio Bolsonaro (PL)O plano de governo de Flávio Bolsonaro também não apresenta uma política específica para games, desenvolvedoras ou eSports. O setor aparece indiretamente dentro do capítulo dedicado à cultura, que propõe mudanças nas leis de incentivo e uma descentralização dos recursos culturais. O documento defende “aperfeiçoar as leis de incentivo, corrigindo distorções e favorecendo o desenvolvimento de outros polos regionais”. A proposta também afirma que o objetivo seria alcançar artistas com “pouca projeção” que estariam hoje fora do modelo existente. O programa acrescenta que a política cultural deveria ser orientada “pela transparência, pela liberdade de expressão e pela distinção entre cultura e entretenimento comercial”.

Não há, no entanto, uma menção específica aos jogos eletrônicos como indústria ou linguagem cultural. Flávio Bolsonaro falou sobre jogos no Dia do GamerFora do plano oficial, Flávio Bolsonaro fez um aceno direto ao público gamer em 29 de agosto, Dia do Gamer. Na ocasião, sua campanha lançou um jogo chamado “Tesouraço” e o candidato afirmou que pretende apoiar o segmento. “Na minha gestão, eu quero incentivar esse mercado, quero apoiar quem desenvolve e empreende no setor e criar condições para que o Brasil seja cada vez mais competitivo nessa indústria”, declarou. A fala não veio acompanhada, no material analisado pelo Voxl, de medidas detalhadas para atingir esses objetivos. Por isso, o aceno ao setor aparece como uma manifestação pública de intenção, enquanto o plano de governo não detalha uma política específica para games. Lula (PT)Entre os seis planos analisados pelo Voxl, o de Lula é o que apresenta mais referências diretas à indústria de games.

O documento aborda o setor tanto pelo lado cultural e econômico quanto na discussão sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Um dos trechos afirma que o governo pretende continuar a implementação do e ampliar medidas de proteção no ambiente online. “Não recuaremos um passo sequer na proteção digital de crianças e adolescentes, com aprimoramento do, regulamentação do uso de telas por faixa etária, promoção do uso seguro das tecnologias e regulamentação das plataformas de jogos e dos ambientes digitais”, diz o plano. O, instituído pela Lei nº 15.211/2025, criou obrigações para plataformas digitais relacionadas à proteção de crianças e adolescentes, incluindo regras específicas para jogos eletrônicos. A legislação, por exemplo, proíbe loot boxes em jogos direcionados a crianças e adolescentes ou de acesso provável por esse público e estabelece salvaguardas para recursos de interação entre usuários. O plano também relaciona diretamente os jogos à economia criativa e cita medidas adotadas durante o atual governo.

“Sancionamos o Marco Legal dos Games, que reconhece e equipara os games a criações culturais. Com isto, esta importante indústria passa a acessar os mecanismos de fomento da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual. ”O documento ainda menciona a criação de uma classificação específica para o setor na CNAE e afirma que, em março de 2026, os profissionais do segmento foram incluídos na Classificação Brasileira de Ocupações. Na sequência, o texto resume a posição da candidatura: “Seguiremos apoiando este setor estratégico, um braço da economia criativa, que gera emprego, em especial para jovens, e projeção internacional, que pode mobilizar investimentos bilionários no país. ”Lula também voltou a falar sobre games durante a campanhaAlém do plano de governo, Lula voltou a abordar os jogos eletrônicos publicamente em uma entrevista concedida na quarta-feira (16) ao podcast Desce a Letra.

Em publicação nas redes sociais, o candidato afirmou que o Brasil possui mais de 100 milhões de jogadores e que o setor movimenta R$ 13 bilhões por ano no país. “Somos potência mundial nos games e e-Sports. São mais de 100 milhões de jogadores e um setor que movimenta R$ 13 bilhões por ano no Brasil”, escreveu. Em publicação nas redes sociais, o candidato também citou a aprovação do Marco Legal dos Games, a inclusão dos profissionais na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e a criação da Diretoria de eSports no Ministério do Esporte. “O país representa o maior mercado da América Latina e é referência global.

Uma área estratégica que gera emprego de qualidade para a juventude”, disse Lula. O candidato resumiu a proposta dizendo que pretende “seguir investindo para que a paixão dos jovens se transformem em futuro, inovação e trabalho digno”. Renan Santos (Missão)O plano de governo de Renan Santos não apresenta uma proposta específica para a indústria de games ou para o desenvolvimento de jogos.

A atividade aparece de maneira indireta no capítulo “Chega de Saudade”, dedicado à cultura e à imprensa. O documento propõe uma reformulação do sistema de fomento cultural e concentra parte significativa das propostas na Lei Rouanet. Entre as medidas estão “critérios objetivos publicizados para avaliação de projetos, definidos em regulamentos a partir de indicadores claros e mensuráveis” e a publicação detalhada dos pareceres técnicos. O plano também propõe um “teto progressivo de captação para artistas e produtoras com alto faturamento” e a criação de categorias específicas para artistas iniciantes e projetos de pequeno porte. A candidatura afirma ainda que deveria existir uma reserva mínima do orçamento para novos talentos e projetos de primeira obra. Como o Marco Legal dos Games permite que determinados projetos do setor tenham acesso a mecanismos de fomento cultural, mudanças nas regras de incentivo podem ter impacto indireto sobre produções de jogos.

O programa de Renan Santos, porém, não apresenta uma linha específica voltada às desenvolvedoras ou aos profissionais de games. Ronaldo Caiado (PSD)No plano de governo de Ronaldo Caiado, os games são mencionados superficialmente, dentro de uma proposta relacionada à economia do esporte, inovação e realização de eventos. O documento coloca os jogos eletrônicos ao lado de áreas como tecnologia, mídia, turismo esportivo e empreendedorismo. A proposta do plano de governo afirma: “Apoiar equipamentos, vestuário, tecnologia, mídia, games, serviços, turismo esportivo e empreendedorismo”. O documento da campanha, no entanto, não elabora propostas ou meios para incentivar a área de jogos no Brasil. O texto também prevê articulação entre empresas, universidades e centros tecnológicos para ampliar pesquisa, desenvolvimento e produção nacional de materiais e soluções digitais para o esporte, mas sem mencionar games diretamente.

“Grandes eventos terão análise de custo-benefício, financiamento transparente, plano de legado, calendário de uso e contratação local, evitando estruturas caras e ociosas”, afirma o plano. Nesse caso, games aparecem associados principalmente à cadeia econômica do esporte e à inovação. No entanto, o documento analisado pelo Voxel não apresenta medidas detalhadas para financiamento de estúdios, formação de desenvolvedores ou criação de jogos. Romeu Zema (Novo)O plano de governo de Romeu Zema não apresenta propostas direcionadas especificamente à indústria de games. A área cultural é tratada principalmente em conjunto com turismo e economia criativa, a partir do capítulo dedicado ao setor. O documento afirma que “a cultura é a expressão da liberdade e da identidade do brasileiro, e o turismo é a porta pela qual o Brasil se apresenta ao mundo”.

Na sequência, apresenta a indústria criativa como uma atividade econômica relevante e defende uma maior aproximação entre cultura, turismo e iniciativa privada. Entre as propostas estão concentrar mecanismos de financiamento cultural em produções regionais e artistas locais, ampliar a autonomia de estados e municípios e incentivar parcerias entre instituições culturais, empresas e terceiro setor. O programa também propõe “tratar a cultura como vetor de desenvolvimento econômico” e utilizar a cultura como ferramenta de projeção internacional do Brasil. No entanto, games não são citados diretamente nessas propostas. A possível relação com o setor, portanto, passa pelo conceito mais amplo de economia criativa e pelas políticas culturais e de investimento defendidas no programa. Quando acontecem as Eleições 2026? O primeiro turno das Eleições 2026 acontecem no domingo, 4 de outubro, das 8h até às 17h (horário de Brasília).

Ao todo, os eleitores terão que escolher seis candidatos, seguindo a ordem: deputado federal, deputado estadual (distrital, apenas no caso do Distrito Federal), dois senadores, governador e presidente da República. Este texto faz parte de uma série em que o TecMundo apresenta as propostas sobre inteligência artificial, ciência, soberania digital, regulação e investimento em tecnologia dos cinco candidatos à presidência do Brasil nas Eleições 2026 com maior intenção de votos, de acordo com a pesquisa Indexa/Broadcast divulgada em 15 de setembro. Confira, abaixo, as matérias com as propostas dos candidatos à chefia do executivo nacional:

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