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O holandês Pepijn van der Stap, de 24 anos, foi preso novamente pelas autoridades dos Países Baixos sob a suspeita de ajudar o grupo de hackers ShinyHunters em invasões, roubo de dados e extorsões. A informação foi revelada por fontes familiarizadas com o assunto ao portal de cibersegurança KrebsOnSecurity. O caso ganhou proporções globais após o coletivo intensificar as ações nas últimas semanas, vazando informações confidenciais do FBI e invadindo os sistemas da Odido, a maior operadora de telefonia móvel da Holanda. A detenção ocorreu por volta de 16 de setembro, quando policiais foram vistos retirando pertences da residência de Van der Stap, em uma ação presenciada por testemunhas e confirmada por duas fontes.
Antes de ser detido, ele atuava como líder de segurança ofensiva na empresa holandesa Neo Security, que não respondeu aos pedidos de comentário do veículo especializado. A Polícia Nacional da Holanda também não se pronunciou sobre o caso. O suspeito já era conhecido das autoridades regionais: em 2023, foi condenado por uma série de ataques digitais que renderam entre 1,5 milhão e 2,7 milhões de euros. No julgamento, Van der Stap admitiu que levava uma vida dupla.
Durante o dia, ele trabalhava como engenheiro de software na startup de segurança Hadrian e atuava como voluntário no Instituto Holandês para Divulgação de Vulnerabilidades (DIVD). À noite, o rapazz usava o pseudônimo “Umbreon” para extorquir empresas e publicar dados roubados em fóruns cibernéticos. Após cumprir parte da pena de quatro anos de prisão, o jovem foi liberado em dezembro do ano passado. Em entrevista ao KrebsOnSecurity semanas antes de ser preso novamente, Van der Stap se apresentou como um hacker regenerado que tentava reconstruir a vida e fazer reparações financeiras às antigas vítimas. O holandês afirmou que a motivação do passado nunca foi financeira: “O ataque hacker era muito fácil para mim e não era uma compulsão.
Meu hábito era colecionar. Colecionar dados, organizar dados, baixar dados, criar pastas”, justificou Van der Stap em declaração à Bloomberg, em 2024. Histórico criminoso e investigaçãoA nova investigação contra o grupo ganhou força depois que a polícia holandesa divulgou a gravação de uma ligação feita em fevereiro deste ano. No áudio, um invasor falante de holandês se passou por um técnico de suporte de TI, enganou uma funcionária da operadora Odido e obteve acesso interno para roubar dados de mais de 6,2 milhões de clientes. Em comunicado à imprensa, o grupo ShinyHunters confirmou que o homem no áudio é integrante do coletivo: “Nosso membro de equipe tem nosso total apoio emocional, mental e financeiro.
Tudo foi providenciado, incluindo um advogado de defesa criminal. Nós não olhamos com desdém para nossos colaboradores e membros; nós cuidamos muito bem deles”, afirmou o ShinyHunters, em nota enviada ao veículo NL Times. Vazamento de dados do FBIPoucos dias após a prisão de Van der Stap, o ShinyHunters assumiu a autoria de uma invasão ao portal de empregos do FBI (apply. fbijobs. gov). Segundo reportagens do veículo 404 Media e da agência Reuters, a ação expôs dados pessoais, números de seguro social e registros médicos sigilosos de mais de 5 mil funcionários e agentes especiais americanos.
O vazamento atingiu, inclusive, membros da Unidade de Operações Remotas (ROU, na sigla em inglês), o grupo secreto de elite responsável pelos ataques digitais da polícia federal norte-americana. Ele também incluiu exames médicos e de aptidão física dos agentes, com resultados de testes de sangue, urina e anotações sobre alergias. A gravidade do incidente chamou a atenção de especialistas internacionais sobre os riscos de segurança enfrentados por órgãos de inteligência. “A lista mapeia milhares de agentes com seus registros médicos e de aptidão. Senhas podem ser redefinidas se forem roubadas, mas registros médicos não.
Por isso, uma vez que esses dados vazam, eles ficam comprometidos para sempre. Essa permanência, aplicada a toda uma força de trabalho, é o que torna esse vazamento tão grave”, afirmou Etay Maor, vice-presidente de inteligência de ameaças da Cato Networks, em entrevista à BBC News. Em comunicado oficial sobre a ocorrência, a polícia federal americana confirmou a apuração: O FBI está ciente das alegações de um grupo cibercriminoso reivindicando a invasão do portal fbijobs. gov e o impacto aos dados pessoais de funcionários. Embora o ponto de entrada ainda não tenha sido determinado, se por meio de terceiros ou da rede do FBI, estamos investigando o assunto de forma ativa e rigorosa. FBIPara invadir os sistemas da agência americana e de dezenas de outras organizações pelo mundo, o ShinyHunters explorou uma falha de segurança no software PeopleSoft, da empresa Oracle.
De acordo com relatórios das empresas de segurança Mandiant e Google Threat Intelligence Group, o coletivo usou um truque de codificação de URL para ignorar as regras de proteção de firewall sugeridas para conter a vulnerabilidade. Pesquisadores que acompanham o caso disseram, ao KrebsOnSecurity, que a ação contra o FBI pode ter sido orquestrada por uma ala rival interna do grupo para incriminar o holandês. Afinal, na imagem de alteração deixada na página invadida do governo americano, os cibercriminosos inseriram o desenho do personagem Pokémon Umbreon, o mesmo símbolo utilizado historicamente por Van der Stap em ações criminosas anteriores.
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