Discord classifica como baixo o risco de suicídio entre adolescentes mesmo após caso que levou a suspensão no Brasil

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Discord classifica como baixo o risco de suicídio entre adolescentes mesmo após caso que levou a suspensão no Brasil

📸 Créditos da imagem: Konstantin Savusia/Shutterstock

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188.

Também é possível conversar por chat ou e-mail. O Discord classificou como baixo o risco de suicídio e automutilação entre adolescentes no Brasil. A avaliação aparece no primeiro relatório de transparência da plataforma, publicado em 17 de setembro, com dados referentes aos primeiros seis meses de 2026. A divulgação ocorreu após a morte de uma adolescente de 13 anos, em julho, que teria cometido suicídio após ser induzida por outros jovens em um fórum de transmissão ao vivo no Discord. Em agosto, a ANPD determinou a suspensão preventiva das transmissões e de recursos equivalentes no país.

Como o Discord avaliou os riscosA classificação de risco baixo ocorre em um contexto no qual a ANPD apontou falhas nas medidas adotadas pelo Discord para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes. As avaliações, porém, têm naturezas distintas: o relatório considera os controles existentes na plataforma, enquanto a agência determinou a suspensão preventiva após o caso ocorrido em julho. Nesse cenário, suicídio e automutilação receberam classificação final de risco baixo. A mesma avaliação foi atribuída a: tráfico de seres humanos; comportamentos fora da plataforma; extremismo violento; violência e conteúdo gráfico; jogos de azar e produtos perigosos ou regulados.

Assédio e bullying, ameaças de divulgação de informações pessoais, conduta de ódio, conteúdo sexualmente explícito, mídia íntima adulta não consensual e exploração sexual foram considerados riscos moderados. Nenhuma das categorias analisadas recebeu classificação de risco alto. O Discord afirma que as classificações finais refletem sua avaliação “após considerar os controles existentes”. Denúncias e medidas de moderaçãoEntre janeiro e junho, usuários brasileiros fizeram 1,12 milhão de denúncias relacionadas a problemas que não fossem spam. Outras 1,43 milhão de denúncias estavam relacionadas a spam.

A plataforma ressalva que uma denúncia não significa necessariamente que o conteúdo ou comportamento tenha violado as regras. No semestre, foram registradas 417,2 mil intervenções, 301,2 mil medidas contra contas, 129,5 mil contas desativadas e 12,4 mil servidores removidos. Entre contas provavelmente pertencentes a adolescentes, foram aplicadas 30,5 mil medidas. Desse total, 7.550 contas foram excluídas e 22.927 receberam avisos ou restrições temporárias. O Discord ainda enviou ao NCMEC 12.820 denúncias envolvendo fotos ou vídeos e outras 2.817 relacionadas a conteúdo escrito sobre abuso sexual infantil. Aferição de idade e atuação das autoridadesO Discord solicitou a 2,37 milhões de usuários algum processo de aferição de idade.

Desse grupo, 674,9 mil concluíram o procedimento e 651 mil foram aprovados. gamer em 2026 Entre os aprovados, 271,3 mil passaram por estimativa facial e 409,6 mil utilizaram documentos de identidade. A soma dos dois procedimentos supera o total de aprovados, mas o relatório não explica a diferença. A data de nascimento informada pelo próprio usuário é usada inicialmente para impedir o cadastro de menores de 13 anos. Quando há necessidade de restrição etária, outros mecanismos podem ser utilizados para verificar a idade. No primeiro semestre, o Discord recebeu 385 notificações de autoridades brasileiras.

Dessas, 204 foram consideradas legalmente válidas e específicas o suficiente para exigir providências, como remoção de conteúdo, medidas contra contas ou servidores, preservação de dados e fornecimento de informações às autoridades. A empresa afirma ainda que trabalha para implementar processos específicos de notificação e denúncia de abuso sexual infantil exigidos pelo. A próxima edição do relatório está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Valdir Antonelli Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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