OpenAI diz que IA resolveu problema milionário; autoria vira disputa

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OpenAI diz que IA resolveu problema milionário; autoria vira disputa

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Inteligência artificialOpenAI diz que IA resolveu problema milionário; autoria vira disputaA OpenAI afirma que um modelo interno de inteligência artificial produziu uma prova que, segundo a empresa, aborda um dos principais aspectos do problema matemático de Navier-Stokes. O problema é um dos sete Problemas do Milênio, desafios matemáticos considerados entre os mais difíceis do mundo. O anúncio veio com a alegação de disputa sobre autoria e uso de dados. Enquanto a OpenAI diz que encontrou uma prova para o problema, pesquisadores independentes dizem que já trabalhavam em uma abordagem semelhante e sugerem que a empresa de IA teve conhecimento prévio das técnicas deles. O que aconteceuA OpenAI afirmou que seu sistema encontrou uma prova de que uma determinada formulação das equações tridimensionais de Navier-Stokes pode desenvolver uma singularidade em tempo finito.

A empresa afirmou que usou um modelo interno “significativamente mais capaz do que o GPT-6 Astra” e que cerca de 10 mil agentes trabalharam em paralelo, chegando ao resultado em cerca de 88 horas. Executivos da empresa afirmaram que a operação exigiu grande volume de computação e custou “milhões de dólares”. A empresa afirma que não pretende reivindicar o prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões), do Clay Mathematics Institute, porque a validade e o alcance da prova ainda precisarão ser avaliados pela comunidade matemática. A OpenAI negou que tenha usado dados de usuários para chegar ao resultado. “Nenhuma pessoa ou sistema de IA pesquisou dados de usuários para resolver esse problema”, disse Mark Chen, diretor de pesquisa da empresa, em conversa com jornalistas nos EUA. Matemático questiona métodoO anúncio veio acompanhado de questionamentos de Tristan Buckmaster, matemático da Universidade de Nova York (NYU), e envolve Levent Alpöge, pesquisador da Anthropic.

Buckmaster levantou a suspeita de que a OpenAI possa ter acelerado na mesma direção de pesquisa após ouvir rumores sobre o trabalho da dupla, e também questionou se interações privadas no Codex (ferramenta de IA da OpenAI voltada para programação e pesquisa) poderiam ter influenciado o processo. A OpenAI afirma que não teve acesso ao trabalho da dupla antes da divulgação pública. “Nós, sejam os pesquisadores ou os agentes, não vimos nenhum trabalho deles até que ele fosse divulgado publicamente na noite passada”, disse Sébastien Bubeck, líder do time de matemática da OpenAI, em conversa com a revista Wired. Entenda o problema matemáticoO problema do Navier-Stokes pergunta se as equações que descrevem o movimento de fluidos sempre se comportam bem ou podem “explodir” em certas condições. Essas equações são usadas para modelar fenômenos como turbulência e escoamentos, e a dúvida central é se, em três dimensões, elas podem gerar uma singularidade (um ponto em que os cálculos passam a produzir valores infinitos ou deixam de descrever corretamente o comportamento do fluido) em tempo finito. O Clay Mathematics Institute oferece US$ 1 milhão para uma solução reconhecida, e parte do debate atual envolve o que exatamente conta como “resolver” o enunciado.

De acordo com a Scientific American, a discussão ocorre porque a prova usa uma modificação matemática conhecida como “forçamento”. Alguns pesquisadores consideram que essa abordagem não responde exatamente à versão mais tradicional do problema, embora outros discordem. Buckmaster diz que ele e Alpöge, da Anthropic, avançaram com essa linha e que chegaram antes a um passo importante em equações relacionadas. “O prompt tinha sido enviado nos últimos dias, depois que informações sobre nosso trabalho chegaram à OpenAI”, afirmou Buckmaster, em nota. Disputa por crédito e acusações de pressãoSegundo Buckmaster, a tensão aumentou quando ele conversou por telefone com Bubeck e outro funcionário da OpenAI no domingo.

Ele afirmou que representantes da OpenAI sugeriram publicar o resultado em conjunto, mas sem incluir Alpöge como coautor por ele trabalhar na Anthropic. Em seu relato, Buckmaster diz que ouviu ameaças veladas ao resistir. “Por que você arruinaria sua carreira?”, teria dito Bubeck, segundo a versão apresentada por Buckmaster. A OpenAI rejeita as acusações e afirma que sua solução segue um caminho diferente. Ainda assim, o caso reacendeu a discussão sobre o uso de ferramentas de laboratórios de IA em pesquisas não publicadas e sobre como proteger trabalhos acadêmicos inéditos diante de sistemas capazes de analisar e combinar grandes volumes de informação. Buckmaster também descreveu o episódio como um marco para a matemática, mas pediu debate sobre os próximos passos.

“Isso é um momento Deep Blue-Kasparov. A comunidade precisa ter uma discussão séria e sem pressa sobre para onde ir a partir daqui”, disse, em nota. A empresa afirma que não pretende reivindicar o prêmio porque a validade e o alcance da prova ainda precisarão ser avaliados pela comunidade matemática. “Isso é o que todos os laboratórios fazem todo dia: leem suas conversas e copiam ideias”, afirmou Joseph Perla, fundador da plataforma de infraestrutura para IA TrustedRouter, ao Axios. *Com informações da Scientific American, Axios e Wired O autor da mensagem, e não o, é o responsável pelo comentário.

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