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Falta pouco para a keynote de setembro, data que a Apple tradicionalmente reserva aos novos iPhones, e a pergunta de sempre já circula nos comentários e nos grupos: vale a pena trocar meu aparelho agora?
Quem acompanha o ciclo conhece o roteiro de cor. A empresa anuncia, o site enche de análise, os primeiros vídeos aparecem, e em poucos dias o aparelho que estava ótimo na semana anterior começa a parecer velho, sem que nada tenha acontecido com ele. Há até a lenda urbana de que os iPhones começam a travar em agosto para empurrar a troca de setembro (confesso que já tive essa sensação — ele travava mesmo!
—, mas dizem que é lenda). De fato, esse não é um questionamento que ronda apenas o iPhone, mas todos os devices.
Esse desconforto tem nome: FOMO (fear of missing out), sigla em inglês para o medo de estar ficando de fora. O pesquisador Andrew Przybylski o descreveu em 2013 como a apreensão de que outras pessoas estejam vivendo experiências melhores das quais você está ausente. Aplicado a produtos de tecnologia, o mecanismo funciona com uma eficiência quase cruel, porque o lançamento anual muda pouco no aparelho que está na sua mão e muda muito na forma como você olha para ele.
Nenhuma empresa precisa dizer que o seu device envelheceu; basta mostrar o novo, e o resto acontece sozinho na cabeça de quem assiste.
Mas esse frenesi tem custo, e pode ser alto. A frequência de troca dos aparelhos é um tema comum não apenas nos debates sobre tecnologia, mas também nas discussões sobre finanças pessoais e profissionais. Neste post, vamos analisar alguns dados para te ajudar nessa decisão, mas antes, algumas premissas:
Não estamos analisando a paixão do indivíduo por tecnologia, Apple ou inovação. Nesses casos, o valor financeiro não é o ponto de decisão, afinal os interesses pessoais justificam o investimento.
Não estamos considerando pessoas que vendem seus aparelhos usados no Brasil e compram os novos nos EUA. Além de não ser um padrão, essa estratégia dispensa estudos financeiros, pois é lucrativa em 90% dos casos.
Não estamos analisando programas de leasing, como o Itaú tem (por exemplo), nem o parcelamento do aparelho novo, porque nesse caso haveria a necessidade de calcular também os juros implícitos.
Para o anúncio de aparelhos antigos, não estamos considerando aqueles que são oferecidos como lacrados, porque mesmo defasados, estão sem uso. Apenas estamos considerando aparelhos que tenham realmente sido usados.
Isso posto, vamos às contas.
Processo decisório
A decisão financeiramente racional de compra envolve três perguntas
Quanto o meu aparelho ainda vai desvalorizar no próximo ano?
Quanto o aparelho novo vai desvalorizar no primeiro ano dele?
Quanto terei que desembolsar para comprar um aparelho novo?
Essa forma de decidir tem uma linhagem respeitável. Em 1949, o economista americano George Terborgh publicou “ Dynamic Equipment Policy” um estudo sobre o momento certo para uma fábrica substituir um torno mecânico, e consolidou o vocabulário que a engenharia econômica usa até hoje. A regra de Terborgh é: em vez de comparar o preço dos dois, ou o quanto já se gastou com o defensor, compara-se quanto cada um vai custar no próximo período.
De um lado, o defensor: o equipamento que você já tem e que está fazendo o trabalho; do outro, o desafiante: o modelo novo tentando tomar o lugar dele. Enquanto o defensor custar menos, ele fica.
Suponha que seu aparelho seja um iPhone 15 Pro comprado no lançamento, em setembro de 2023, por R$9.300. Ele funciona bem, a bateria aguenta o dia. Para saber o quanto ele vai desvalorizar em um ano, você pode olhar quanto custa o aparelho do ano anterior — nesse caso o iPhone 14 Pro, que vale hoje cerca de R$2.700 no mercado paralelo, enquanto o seu 15 Pro vale R$3.700.
Essa diferença mostra o que o seu aparelho deve perder ao envelhecer um ano e virar o que o 14 Pro é hoje: na base anual, R$1.000.
Quanto à segunda pergunta, a referência aqui é o último aparelho lançado, o iPhone 17 Pro. Ele saiu por R$11.500 em setembro de 2025 e hoje é anunciado por cerca de R$6.200, o que dá uma diferença arredondada de R$5.300. Podemos também auferir o quanto o iPhone 17 Pro vai desvalorizar em mais um ano a partir do custo atual do iPhone 16 Pro, de R$4.700,00.
Finalmente, vamos analisar quanto custa a diferença entre o aparelho atual e o novo. Considerando que o aparelho novo siga a mesma lógica de preços de lançamento, a probabilidade é que ele seja lançado em algum valor entre R$11.500 e R$13.000. Vamos considerar o valor mais alto, pelo princípio do conservadorismo.
Nesse caso, a diferença entre o 18 Pro e o 15 Pro seria R$10.300 e para o 17 Pro, de R$8.300,00.
Muito número? Vamos organizar em uma tabela
ValoresiPhone 15 ProiPhone 17 ProiPhone 18 Pro*Custo atualR$3.700R$6.200R$13.000Desvalorização (próximo ano)R$1.000R$1.500R$5.300Diferença para o novo em 2026R$9.300R$6.800—Diferença para o novo em 2027R$10.300R$8.300—(*) Previsão.
Podemos perceber que o ano de maior perda de um iPhone é seu primeiro ano de uso. Isso significa, na prática, que manter um iPhone 15 Pro vai lhe custar uma média de R$83,33 por mês, contra R$125,00 do iPhone 17 Pro e R$441,67 do novo iPhone. Ponto para os antigos.
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