Os minutos mais improdutivos do seu dia podem esconder um trabalho importante do cérebro

📡 Fonte: Gizmodo 🏷️ Ciência 🤖 Auto
Os minutos mais improdutivos do seu dia podem esconder um trabalho importante do cérebro

📸 Créditos da imagem: © Nataliya Vaitkevich - Pexels

Estamos acostumados a preencher cada intervalo do dia. Uma fila vira oportunidade para olhar o celular, uma pausa pede um vídeo e até alguns minutos de silêncio parecem desconfortáveis.

Quando a atenção deixa de perseguir uma tarefa específica, diferentes processos continuam acontecendo nos bastidores — e alguns deles podem influenciar memória, aprendizado e criatividade.

Ficar sentado olhando para o nada pode parecer um desperdício de tempo

Só que a ausência de uma tarefa concreta não significa que o cérebro tenha simplesmente desligado. Quando os estímulos externos diminuem, circuitos cerebrais continuam trocando informações e processando experiências recentes.

Um dos fenômenos estudados nesse contexto é chamado de reativação neural, ou neural replay. A ideia é que padrões de atividade relacionados a uma experiência possam ser reproduzidos posteriormente, mesmo quando a pessoa já não está realizando aquela atividade.

A rede que aparece quando a atenção finalmente se solta

Quando você para de se concentrar intensamente em uma atividade, o cérebro não entra simplesmente em modo de espera. Nesse momento ganha importância a chamada rede neural em modo padrão, ou Default Mode Network.

Ela envolve diferentes regiões cerebrais associadas à memória, imaginação, reflexão e construção de cenários futuros. Entre as áreas envolvidas estão regiões frontais e estruturas relacionadas à memória, incluindo o hipocampo.

E existe outro sistema que se torna especialmente interessante quando a atenção deixa de estar presa a uma tarefa

Algumas pesquisas encontraram diferenças na comunicação entre redes cerebrais durante o descanso em pessoas que apresentam maior capacidade de produzir ideias originais.

Um estudo publicado encontrou interações mais flexíveis entre a rede neural em modo padrão e a rede de controle executivo em participantes com melhores resultados em tarefas de criatividade.

A interpretação é interessante: criatividade não depende apenas de concentração intensa. Para resolver um problema específico, manter o foco pode ser exatamente o que precisamos. Mas para encontrar uma ideia nova, às vezes é necessário permitir que a mente mude de direção e faça associações que não estavam sendo procuradas conscientemente.

O problema talvez seja não deixar nenhum espaço vazio. Não existe uma regra científica segundo a qual exatamente 20 minutos de inatividade vão melhorar a memória ou tornar alguém mais criativo.

Uma pausa também não substitui sono adequado, estudo, exercício ou concentração. A questão é outra: o cérebro parece funcionar melhor quando existe uma alternância entre períodos de exigência e momentos em que pode processar o que aconteceu.

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