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Vinho, cerveja ou destilados?
Quando o assunto é álcool, a quantidade consumida costuma dominar as recomendações de saúde. Uma gigantesca pesquisa britânica, porém, acrescentou outra variável à discussão: o tipo de bebida.
Depois de acompanhar mais de 340 mil adultos durante anos, pesquisadores observaram diferenças entre vinho, cerveja, sidra e destilados. Os resultados são intrigantes, especialmente em níveis menores de consumo, mas estão longe de significar que beber álcool faça bem à saúde.
Método de pesquisa
Os pesquisadores compararam seus hábitos de consumo de álcool com diferentes desfechos de saúde, incluindo mortalidade geral e mortes relacionadas a doenças cardiovasculares e câncer.
Para realizar as comparações, o consumo foi dividido em diferentes níveis. Uma lata de cerveja de aproximadamente 355 ml, uma taça de vinho de cerca de 150 ml ou uma dose de aproximadamente 45 ml de destilado contêm, como referência, perto de 14 gramas de álcool puro.
Resultados
Quem consumia menos de 20 gramas por semana foi classificado entre aqueles que nunca bebiam ou consumiam álcool apenas ocasionalmente.
Os limites utilizados para definir consumo baixo, moderado e elevado variaram entre homens e mulheres. Entre os homens, por exemplo, mais de 40 gramas diárias foram classificados como consumo elevado. Entre as mulheres, o limite considerado alto foi superior a 20 gramas por dia.
- O consumo elevado apresentou um padrão bastante claro: independentemente da bebida escolhida, consumir grandes quantidades de álcool esteve associado a piores resultados.
- O risco de morrer por câncer foi 36% maior, enquanto a mortalidade por doenças cardíacas apresentou aumento de 14%.
Análise detalhada
A situação ficou mais interessante quando os pesquisadores analisaram separadamente pessoas com consumo baixo ou moderado. Nesse caso, vinho e outras bebidas não apresentaram o mesmo padrão estatístico.
O consumo de destilados, cerveja e sidra apareceu associado a um risco significativamente maior de mortalidade. Para quantidades semelhantes de vinho, entretanto, os pesquisadores observaram uma associação com risco menor.
A diferença também apareceu especificamente na saúde cardiovascular. Pessoas classificadas como consumidoras moderadas de vinho apresentaram risco 21% menor de morte por doenças cardiovasculares em comparação com quem nunca bebia ou consumia álcool ocasionalmente.
Conclusão
Uma hipótese envolve componentes presentes principalmente no vinho tinto, como polifenóis e antioxidantes, substâncias estudadas por seus possíveis efeitos cardiovasculares.
Outra explicação capaz de mudar significativamente a interpretação do resultado: talvez não seja apenas o conteúdo da taça que esteja fazendo diferença. Pessoas que bebem vinho podem ter hábitos bastante diferentes daquelas que preferem cerveja ou destilados.
O resultado não significa que vinho seja um tratamento para o coração. A pesquisa é observacional. Portanto, consegue identificar associações, mas não demonstrar que determinada bebida causou diretamente aumento ou redução do risco de morte.
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