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A rivalidade entre Brasil e Argentina costuma ser lembrada por provocações no futebol ou divergências políticas ocasionais.
Mas a história entre os dois maiores países da América do Sul é muito mais complexa.
Guerras e Disputas Territoriais
Ao longo dos séculos, brasileiros e argentinos estiveram em lados opostos em guerras, disputaram fronteiras, quase chegaram a novos conflitos militares e passaram décadas competindo pela liderança regional.
Entender esse passado ajuda a explicar por que as relações entre os dois vizinhos sempre foram marcadas por uma mistura de cooperação e desconfiança.
Guerra da Cisplatina
A primeira guerra foi a Guerra da Cisplatina, travada entre 1825 e 1828.
O conflito tinha como principal objetivo controlar a Província Cisplatina, território que hoje corresponde à maior parte do Uruguai.
- A região havia sido incorporada ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1821 e permaneceu ligada ao Império do Brasil após a independência.
- A situação mudou quando um movimento conhecido como Trinta e Três Orientais declarou a separação da província com apoio de Buenos Aires.
Guerra do Prata
Poucas décadas depois, Brasil e Argentina voltariam a se enfrentar.
Entre 1851 e 1852 ocorreu a Guerra do Prata, motivada principalmente pelos planos do líder argentino Juan Manuel de Rosas de ampliar sua influência sobre Paraguai e Uruguai.
Temendo uma expansão argentina que ameaçasse seus interesses estratégicos, o Império do Brasil formou uma aliança com forças uruguaias, paraguaias e grupos argentinos contrários ao governo de Rosas.
Rivalidade e Cooperação
A rivalidade entre Brasil e Argentina continuou mesmo sem novos conflitos armados.
Uma das principais ocorreu na chamada Questão de Palmas, entre 1890 e 1895.
Os dois países reivindicavam uma extensa área localizada onde hoje ficam partes dos estados do Paraná e de Santa Catarina.
Sem recorrer às armas, a disputa foi levada à arbitragem internacional.
O responsável pela decisão foi o então presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland.
O Brasil venceu graças ao trabalho diplomático liderado pelo Barão do Rio Branco, que reuniu uma ampla documentação baseada no princípio jurídico do uti possidetis, segundo o qual pertence o território a quem efetivamente o ocupa.
Conclusão
Hoje, a competição mais intensa entre os dois países acontece, felizmente, dentro dos gramados.
A rivalidade entre Brasil e Argentina é um capítulo complexo da história da América do Sul.
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