Na Coreia do Sul, câmeras com IA em pontes ajudam a evitar suicídios

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Na Coreia do Sul, câmeras com IA  em pontes ajudam a evitar suicídios

📸 Créditos da imagem: Unsplash

As pontes sobre o rio Han, em Seul, funcionam como um dos cartões-postais mais conhecidos da Coreia do Sul, mas também representam o cenário recorrente de tragédias em um país que enfrenta índices alarmantes de suicídio. Para conter essa crise, a capital sul-coreana passou a monitorar essas estruturas com um sistema avançado de câmeras equipadas com inteligência artificial, capazes de identificar comportamentos suspeitos e emitir alertas em tempo real para os socorristas.

O sistema de vigilância é projetado para analisar padrões de movimento e agir preventivamente antes que a pessoa tome uma atitude extrema. A tecnologia é acionada automaticamente ao identificar atitudes fora do comum ao longo das pontes.

Entre os principais gatilhos monitorados pela inteligência artificial estão:

  • Permanência prolongada de uma pessoa em um mesmo local específico;
  • Entrada em áreas delimitadas como de alto risco ou perigosas;
  • Retirada do gancho dos telefones de emergência instalados para prevenção.

Os resultados práticos da aplicação dessa tecnologia têm sido expressivos. Segundo dados do Centro Integrado de Controle de CCTV da Ponte Hangang, a taxa de sucesso nos resgates do rio deu um salto histórico nos últimos anos:

  • Taxa de resgate em 2012: 56%;
  • Taxa de resgate atual: mais de 99%;
  • Tempo de resposta dos socorristas: menos de cinco minutos na maioria das pontes;
  • Estrutura de monitoramento: cerca de 900 câmeras distribuídas em 17 pontes;
  • Ocorrências no último ano: mais de 1.200 incidentes identificados e apenas cerca de oito mortes não evitadas.

A rapidez no atendimento é crucial devido à gravidade do impacto na água. Uma queda de aproximadamente 30 metros de altura equivale a uma colisão automobilística a 60 quilômetros por hora. A intervenção humana precisa ocorrer em uma janela de tempo extremamente curta, uma vez que a aproximação das sirenes pode fazer com que a pessoa tome uma decisão precipitada em frações de segundo ou tente fugir das equipes de resgate.

Uma “vergonha” nacional

A situação dos suicídios na Coreia do Sul atingiu níveis críticos e chegou a ser classificada pelo presidente Lee Jae Myung como uma vergonha no cenário mundial. Em 2024, a taxa de suicídios no país ultrapassou a marca de 29 mortes para cada 100 mil habitantes, atingindo o patamar mais elevado registrado desde 2011.

Dados oficiais do governo apontam que o suicídio se consolidou como a principal causa de morte entre jovens e adultos com idades entre 10 e 49 anos. Especialistas em saúde mental explicam que essa realidade é impulsionada por fatores estruturais da sociedade sul-coreana, como a cobrança acadêmica excessiva, as longas jornadas de trabalho e uma cultura rigorosa que responsabiliza o indivíduo pelo fracasso.

De acordo com especialistas da área médica, muitas pessoas em sofrimento psíquico deixam de buscar ajuda por se sentirem um fardo para amigos e familiares, acreditando erroneamente que a ausência delas seria um alívio para os demais.

Tecnologia semelhante no Japão

A utilização de inteligência artificial para a prevenção de tragédias também ganha força no Japão, outro país que lida com índices elevados de autoextermínio. A empresa japonesa Asilla desenvolveu uma ferramenta de vigilância capaz de reconhecer movimentos atípicos em locais elevados, como terraços de edifícios.

O sistema japonês já demonstrou eficácia prática ao alertar equipes de segurança sobre homens em atitude suspeita em coberturas de prédios, permitindo que os agentes chegassem a tempo de conversar e convencer as pessoas a desistir da ação.

Embora os desenvolvedores e autoridades reconheçam que a inteligência artificial não substitui o fator humano nem representa uma solução definitiva para o problema, a tecnologia se consolida como uma aliada indispensável para ganhar segundos preciosos e evitar que vidas sejam perdidas em um piscar de olhos.

Procure ajuda

Caso você esteja passando por um momento difícil ou tenha pensamentos suicidas, busque ajuda especializada imediatamente. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito, confidencial e disponível 24 horas por dia, inclusive aos feriados.

Você pode entrar em contato com o CVV pelo telefone 188, além de atendimento via e-mail, chat online ou presencialmente nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da sua região.

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