📸 Créditos da imagem: Unsplash
A bolsa paulista encerrou a semana em território negativo, refletindo a crescente tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã. A escalada do conflito reacendeu preocupações globais com o transporte de energia no estratégico Estreito de Ormuz, impulsionando uma forte alta nos preços do petróleo e gerando cautela nos mercados financeiros internacionais.
O Ibovespa, principal índice de referência do mercado acionário brasileiro, registrou uma queda de 1,2%, fechando o dia em 175.739,08 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a atingir uma mínima de 175.567,05 pontos, após ter marcado 178.153,90 pontos na máxima do dia. O volume financeiro negociado totalizou R$19,59 bilhões.
Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, destacou a influência do cenário internacional. “O Oriente Médio voltou a ser o fator dominante do dia”, afirmou, ressaltando que o desempenho do Ibovespa foi um reflexo direto do humor mais cauteloso que prevaleceu nos mercados externos.
Escalada Geopolítica e o Estreito de Ormuz
A tensão foi intensificada após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar a restauração do bloqueio ao transporte marítimo do Irã. Trump afirmou que os EUA garantirão que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, mas mediante pagamento pelos custos de segurança.
O bloqueio, que havia sido suspenso em meados de junho, está programado para começar na terça-feira. De acordo com o Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, a medida abrangerá todo o litoral, portos e terminais petrolíferos do Irã, além de todas as embarcações, independentemente de sua bandeira.
Em declarações divulgadas, Trump reiterou a posição dos EUA: “O Estreito de Ormuz está ABERTO e permanecerá ABERTO, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo O BLOQUEIO IRANIANO”. Ele acrescentou que “Os EUA serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”.
A decisão americana surge após uma nova troca de ataques entre os dois países no fim de semana, período em que o Irã havia anunciado sua intenção de fechar o estreito. Em resposta, o alto comando militar conjunto iraniano declarou que os EUA não possuem qualquer papel na definição do futuro da vital rota de navegação e que não teriam permissão para intervir na gestão do estreito.
As preocupações com o fluxo de petróleo na região tiveram um impacto imediato nas cotações internacionais. O barril de petróleo Brent fechou o dia com um salto impressionante de 9,59%, atingindo US$83,30. Este foi o maior ganho diário em dólares desde 2 de abril e o maior fechamento desde 12 de junho. Em Wall Street, o S&P 500, um dos principais índices acionários norte-americanos, registrou queda de 0,79%.
Movimentações no Mercado Brasileiro
No cenário doméstico, algumas ações reagiram diretamente aos desdobramentos internacionais:
- PETROBRAS PN avançou 2,55% e PETROBRAS ON subiu 3,44%, impulsionadas pela valorização do petróleo no exterior. No mesmo setor, PRIO ON valorizou-se 3,16% e PETRORECONCAVO ON ganhou 0,78%, enquanto BRAVA ON registrou queda de 0,74%.
- VALE ON cedeu 1,79%, impactada pelo aumento da aversão a risco global e pela queda dos futuros do minério de ferro na China. Em contraste, CSN MINERAÇÃO ON valorizou-se 4,21% e CSN ON subiu 1,16%.
- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,76%, com o setor financeiro como um todo sendo contaminado pelo viés negativo do exterior. O índice do setor financeiro encerrou o dia em queda de 1,47%.
- WEG ON caiu 4,56%, com investidores aguardando o balanço da companhia na próxima semana. Analistas do Citi preveem um trimestre fraco, com a expansão de capacidade ainda pressionando as margens.
- MRV&CO ON perdeu 5,39%, após duas altas consecutivas, em um pregão negativo para as construtoras. O avanço na curva futura de juros, seguindo a aversão a risco global, foi um dos fatores. O índice do setor imobiliário na B3 recuou 2,5%.
📰 Leia a notícia completa em: UOL »