Altman e Trump arquitetam dividir riqueza da IA nos EUA –mas só por lá

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Altman e Trump arquitetam dividir riqueza da IA nos EUA –mas só por lá

📸 Créditos da imagem: Unsplash

A possibilidade de a OpenAI, a empresa por trás do popular ChatGPT, tornar-se sócia do governo dos Estados Unidos pode não surpreender muitos, dada a complexidade do cenário da inteligência artificial. Contudo, se concretizada, essa parceria representará um momento decisivo na era da IA, unindo as trajetórias de duas figuras com interesses distintos, mas notavelmente convergentes: Sam Altman, cofundador da OpenAI, e o ex-presidente norte-americano Donald Trump.

De um lado, Sam Altman, com sua fervorosa crença na necessidade de um plano público de distribuição de renda para mitigar os impactos da IA na vida dos trabalhadores. Embora a motivação original possa ser mais complexa, sua visão aponta para uma redistribuição dos ganhos gerados pela tecnologia. Do outro, Donald Trump, cuja filosofia de “Tornar a América Grande Novamente” passa por uma associação umbilical com empresas de tecnologia, seja através de investimentos diretos ou da obtenção de uma fatia de seus lucros.

A ideia de um país deter parte de uma empresa não é inédita, com inúmeros exemplos históricos. Tampouco é necessário que os EUA sejam proprietários para intervir em uma companhia. No entanto, a inteligência artificial apresenta um desafio sem precedentes. Em pouco tempo, a IA forçou empresas, trabalhadores, governos e cidadãos a repensarem aspectos cruciais de suas vidas. A questão que se impõe é: o público aceitaria a intervenção governamental em uma tecnologia que redefine a forma como nos conectamos com o mundo?

A Proposta de Altman: Uma Revelação do Financial Times

Há algumas semanas, surgiram relatos de que a Casa Branca considerava possuir uma fatia da OpenAI, com a ideia partindo do entorno de Donald Trump. Contudo, uma nova reportagem do Financial Times trouxe uma revelação ainda mais significativa: foi o próprio Sam Altman quem sugeriu que o governo norte-americano adquirisse 5% de sua empresa.

  • Com base na avaliação de US$ 852 bilhões da OpenAI, essa participação representaria um valor de US$ 42,5 bilhões para os Estados Unidos.
  • A proposta de Altman, embora possa parecer surpreendente para alguns, é coerente com sua visão de que, dada a inevitabilidade da IA, é imperativo distribuir seus ganhos com a população norte-americana. Ele acredita que a tecnologia gerará uma riqueza incalculável que não será repartida igualmente, e que a IA inevitavelmente impactará o sustento de muitas pessoas. Sua solução para isso seria uma renda básica fornecida pelo poder público.
  • Para aqueles que criticam instrumentos de distribuição de renda, a postura de Altman pode parecer paradoxal, mas ele está sendo consistente com suas próprias ideias.

A Evolução da Visão de Sam Altman para a Riqueza da IA

A visão de Altman sobre a distribuição da riqueza da IA tem evoluído. Inicialmente, ele defendia transferências diretas de dinheiro, mas recentemente passou a advogar pela ideia de “propriedade coletiva” baseada na distribuição de dividendos da riqueza gerada pela IA. Altman, inclusive, investe pessoalmente nessa visão.

Entre 2020 e 2024, ele aportou US$ 14 milhões – e conseguiu doadores para investir mais US$ 60 milhões – na OpenResearch, o maior experimento de renda básica dos EUA. Neste projeto, de 3 mil participantes, mil receberam R$ 1 mil por mês durante três anos, enquanto o restante serviu como grupo de controle. Os pesquisadores notaram que os beneficiários reduziram suas jornadas de trabalho, mas não abandonaram seus empregos, utilizando o dinheiro para melhorar suas vidas, suprir necessidades básicas como saúde bucal, morar em bairros melhores e passar mais tempo com os filhos.

Em 2023, Altman e Alex Blania criaram a Tool for Humanity, a empresa por trás da Worldcoin (anteriormente World). Este projeto futurista visa criar identidades digitais (World ID) para que as pessoas possam comprovar sua humanidade em um mundo cada vez mais povoado por agentes de IA. Com essa prova de humanidade, cidadãos de todo o mundo seriam remunerados em criptomoedas (WLD) pelo trabalho executado por robôs, após terem suas íris escaneadas e registradas no banco de dados da World. No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) investiga a situação, considerando-a uma possível compra de dados pessoais sensíveis, prática proibida no país.

Mais recentemente, Altman sutilmente mudou sua abordagem novamente: enviar cheques ou apenas reconhecer o valor da humanidade deixou de ser suficiente. Agora, ele defende que as pessoas sejam

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