Os “hobbits” da Indonésia talvez não caçassem grandes animais — estudo sugere que eles roubavam alimento dos dragões-de-komodo

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Os “hobbits” da Indonésia talvez não caçassem grandes animais — estudo sugere que eles roubavam alimento dos dragões-de-komodo

📸 Créditos da imagem: © Cicero Moraes, via Wikimedia Commons, CC 4.0 license

Os ‘hobbits’ da Indonésia talvez não caçassem grandes animais

Desde que os primeiros fósseis de Homo floresiensis foram descobertos em 2003 na ilha de Flores, na Indonésia, essa pequena espécie humana desperta fascínio entre cientistas e o público.

Um modo de vida mais simples do que se imaginava

Um novo estudo publicado na revista Science Advances oferece uma visão diferente sobre o modo de vida desses antigos hominíneos: em vez de caçadores habilidosos, eles podem ter sobrevivido aproveitando restos de presas abatidas por dragões-de-komodo.

  • Os pesquisadores analisaram mais de 10.061 fósseis, fragmentos ósseos e outros materiais arqueológicos encontrados na famosa caverna Liang Bua.
  • Eles compararam as marcas deixadas pelos dentes dos dragões-de-komodo com os cortes produzidos por ferramentas de pedra utilizadas pelos antigos humanos.
  • O padrão encontrado foi bastante revelador: os dragões ficavam com a melhor parte.

Um modo de vida mais simples do que se imaginava

Segundo os autores do estudo, isso sugere que os pequenos hominíneos chegavam depois dos dragões e aproveitavam apenas os restos das carcaças.

Como os dragões-de-komodo possuem um olfato extremamente apurado e conseguem localizar animais mortos a quilômetros de distância, seria muito difícil que uma carcaça permanecesse intacta tempo suficiente para ser encontrada primeiro pelos humanos.

Um modo de vida mais simples do que se imaginava

Outra questão importante investigada pela equipe foi o uso do fogo.

Os resultados indicaram que os vestígios de fogueiras pertencem exclusivamente ao período de ocupação de Homo sapiens, muito depois do desaparecimento de Homo floresiensis.

Um modo de vida mais simples do que se imaginava

Segundo os pesquisadores, não existem evidências confiáveis de que os ‘hobbits’ tenham utilizado fogo entre aproximadamente 774 mil e 60 mil anos atrás, período em que viveram na ilha.

Isso enfraquece uma das hipóteses mais discutidas sobre suas capacidades tecnológicas.

Um modo de vida mais simples do que se imaginava

As novas conclusões sugerem que Homo floresiensis talvez dependesse muito mais da coleta de recursos disponíveis do que da caça organizada.

Isso não significa que fossem incapazes de fabricar ferramentas.

Pelo contrário, evidências mostram que eles produziam instrumentos de pedra relativamente eficientes para retirar carne dos ossos.

O estudo apenas indica que esses utensílios provavelmente eram usados após grandes predadores já terem consumido a maior parte das presas.

Um modo de vida mais simples do que se imaginava

Essa estratégia de aproveitar restos deixados por outros animais é conhecida como necrófaga e também foi adotada por diversas espécies ao longo da evolução.

O mistério dos ‘hobbits’ continua longe de ser resolvido.

A história de Homo floresiensis ainda está repleta de perguntas sem resposta.

Desde sua descoberta, essa espécie vem sendo alvo de intensos debates.

Alguns pesquisadores chegaram a sugerir que seus fósseis pertenciam a indivíduos modernos com alguma doença genética, hipótese hoje amplamente rejeitada.

A maioria dos especialistas considera que Homo floresiensis realmente representa uma espécie distinta do gênero Homo, adaptada ao isolamento da ilha de Flores por centenas de milhares de anos.

O novo estudo acrescenta mais uma peça importante a esse quebra-cabeça evolutivo.

Em vez da imagem de pequenos caçadores dominando o fogo e abatendo grandes animais, surge um cenário diferente: um grupo de hominíneos que sobrevivia explorando um ecossistema dominado por alguns dos maiores lagartos do planeta e aproveitando, com inteligência e oportunismo, aquilo que os dragões-de-komodo deixavam para trás.

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