📸 Créditos da imagem: Ilustração de um neutrófilo (roxo) liberando catecolaminas (laranja) em resposta à inflamação, ativando plaquetas vizinhas através de mecanismos análogos aos das sinapses cerebrais. - Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital
Cientistas descobrem como o sistema imune ‘fala’ como o cérebro
Quando o corpo detecta uma infecção, as primeiras células a chegar ao local são os neutrófilos – os glóbulos brancos mais comuns no sangue humano.
Por décadas, a ciência os enxergou como soldados simples: rápidos, agressivos e sem sofisticação química.
Um estudo revoluciona a visão sobre os neutrófilos
Pesquisadores das universidades de Münster e Bochum, na Alemanha, descobriram que os neutrófilos possuem a mesma maquinaria química dos neurônios – e que usam dopamina, adrenalina e noradrenalina para se comunicar durante uma inflamação.
O que são catecolaminas?
Dopamina, adrenalina e noradrenalina pertencem a uma família de substâncias chamadas catecolaminas.
São amplamente conhecidas como neurotransmissores – moléculas que os neurônios usam para se comunicar no cérebro e no sistema nervoso.
Como os cientistas viram isso acontecer
O maior obstáculo até agora era técnico, segundo os pesquisadores.
As catecolaminas são liberadas em frações de segundo, em quantidades minúsculas, por células individuais.
A equipe resolveu o problema usando nanosensores: detectores microscópicos feitos de nanotubos de carbono de parede única, sensíveis especificamente a catecolaminas.
O que dispara a liberação
Os experimentos mostraram que os neutrófilos liberam catecolaminas quando expostos a três tipos de estímulos:
- serotonina liberada por plaquetas ativadas
- componentes de bactérias como o LPS
- outras moléculas de sinalização inflamatória
O efeito no próprio corpo
A liberação de catecolaminas pelos neutrófilos não fica sem consequência.
Elas funcionam como um regulador interno da inflamação: reduzem a formação excessiva de armadilhas extracelulares – estruturas que os neutrófilos lançam para capturar bactérias, mas que, em excesso, podem danificar tecidos saudáveis.
Ao mesmo tempo, aceleram a agregação de plaquetas – o processo que inicia a coagulação do sangue.
Confirmado dentro do corpo humano
Para garantir que o fenômeno não era apenas um artefato de laboratório, os pesquisadores analisaram o perfil genético de voluntários saudáveis que receberam uma injeção controlada de componentes bacterianos – um modelo estabelecido para estudar inflamação sistêmica em humanos.
Os dados mostraram que, durante a resposta inflamatória, os neutrófilos ajustam ativamente seus receptores de catecolaminas e seus programas de produção e degradação dessas substâncias.
O padrão é bifásico: primeiro uma redução, depois uma ativação significativa, sugerindo que o sistema está se calibrando em resposta à inflamação.
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