Ex-funcionária do Facebook processa a empresa por tentativas de silenciá-la

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Ex-funcionária do Facebook processa a empresa por tentativas de silenciá-la

📸 Créditos da imagem: Unsplash

Uma ex-diretora de políticas públicas globais do Facebook, agora Meta, está processando a gigante da tecnologia, acusando a empresa de uma campanha sistemática para silenciá-la após a publicação de seu livro. Sarah Wynn-Williams, que trabalhou na companhia entre 2011 e 2018, alega que a Meta tentou impedir a divulgação de sua obra “Careless People”, que descreve um ambiente interno tóxico.

A ação judicial foi protocolada na Justiça federal do Distrito Norte da Califórnia, onde Wynn-Williams contesta as medidas que a Meta teria adotado contra ela. Em uma queixa detalhada de 57 páginas, a ex-funcionária afirma que a empresa buscou uma decisão provisória em arbitragem para barrar a circulação do livro, classificando tal iniciativa como ilegal e uma tentativa de censura.

Lançado em março de 2025, o livro “Careless People” traz acusações graves, incluindo assédio sexual e práticas discriminatórias de gênero dentro da Meta. Em resposta, a empresa defende que o conteúdo da obra mistura alegações antigas e já reportadas com acusações falsas contra seus executivos, buscando descredibilizar as afirmações de Wynn-Williams.

A Meta teria recorrido a um acordo de confidencialidade (NDA) assinado por Sarah Wynn-Williams para tentar limitar a promoção do livro. A empresa solicitou uma ordem de emergência, argumentando que a ex-diretora aceitou cláusulas de arbitragem e de não difamação ao receber um pagamento e manter benefícios após sua saída da companhia, o que, segundo a Meta, a impediria de divulgar tais informações.

No entanto, Wynn-Williams sustenta no processo que o acordo não deveria ter validade, pois foi assinado sob intensa pressão financeira. Ela alega que, ao ser demitida em agosto de 2017, enfrentaria a perda de benefícios cruciais para sua estabilidade. Diante dessa situação, ela afirma não ter tido alternativa a não ser aceitar os termos para preservar parte das vantagens e receber uma quantia em dinheiro, o que comprometeria a legitimidade do NDA.

Vigilância e Sanções Pós-Lançamento

A queixa descreve ainda uma série de consequências impostas pela Meta após o lançamento do livro, que Wynn-Williams caracteriza como uma campanha de vigilância. Segundo o documento, representantes da empresa teriam comparecido a eventos públicos da autora, reunido fotos e registros de seus deslocamentos e até viajado pelo Reino Unido para documentar que ela não falava sobre a Meta ou sobre a obra.

Um episódio notável ocorreu no Hay Festival, no País de Gales, no fim de maio. Sarah Wynn-Williams compareceu ao lado da jornalista Carole Cadwalladr e do acadêmico Tim Wu, mas, por orientação jurídica, permaneceu em silêncio e não falou sobre o livro ou a empresa. Mesmo assim, a Meta teria solicitado ao árbitro novas sanções em 12 de junho, apenas pela presença dela no evento.

Além do monitoramento de eventos, a Meta teria tentado obrigar Wynn-Williams a informar uma lista de compromissos futuros. A queixa afirma que a empresa pediu ao árbitro que Sarah revelasse suas próximas aparições públicas, como parte de um esforço contínuo para restringir sua atuação e a divulgação de seu trabalho após a publicação.

Reações e Impacto

Em nota, a Meta defendeu suas ações, afirmando que a ex-funcionária está usando o processo legal para vender livros. “Esta ex-funcionária está tentando usar o processo legal para vender livros, algo que o árbitro já decidiu que violou o acordo que ela assinou com a empresa quando aceitou um grande acordo financeiro anos atrás”, declarou a companhia.

O editor do livro de Sarah no Reino Unido, Mike Harpley, da Pan Macmillan, criticou veementemente as ações da Meta. Ele afirmou que o processo “detalha como a Meta aplicou sua ordem legal contra Sarah Wynn-Williams com uma campanha assustadora de vigilância”. Harpley ressaltou que “Careless People” levanta questões cruciais para a sociedade, e as ações da Meta impedem uma conversa pública necessária no Reino Unido e além.

O advogado britânico de Sarah, Ravi Naik, também se manifestou, criticando o uso de arbitragem privada para restringir a autora. “Sem juiz, sem julgamento e sem qualquer conclusão de que ela tenha dito algo que não fosse verdade. Apenas um processo secreto entre um árbitro e uma das corporações mais poderosas do mundo”, declarou Naik, enfatizando a falta de transparência do processo.

Naik acrescentou que esta é a primeira oportunidade de Sarah Wynn-Williams relatar publicamente o que ocorreu. “Os documentos do tribunal registram os fatos do que Sarah foi submetida e expõem até onde a Meta foi para silenciá-la”, afirmou o advogado, destacando a importância da ação judicial para trazer luz ao caso.

Apesar das tentativas de silenciamento, a aparição de Wynn-Williams no festival literário, mesmo sem falar, coincidiu com um notável aumento nas vendas do livro. Segundo a queixa, as vendas semanais de “Careless People” cresceram 304,5% após o evento. A editora Pan Macmillan informou que mais de 150 mil cópias foram vendidas no Reino Unido em todos os formatos desde o lançamento, demonstrando o interesse do público na história.

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