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As principais potências mundiais do G7, incluindo os Estados Unidos, lançaram um apelo conjunto às empresas de tecnologia para que desenvolvam e implementem ferramentas robustas que garantam a segurança online de crianças e adolescentes. A iniciativa surge em meio a crescentes preocupações com as implicações da ascensão da inteligência artificial e seu impacto sobre os menores.
O pedido foi formalizado ao término de uma cúpula de três dias do G7, realizada em Evian, no leste da França. O evento culminou com um almoço de trabalho que reuniu executivos de proeminentes empresas de IA da América do Norte, Europa, Índia e Japão, sublinhando a centralidade do tema na agenda global.
Uma declaração conjunta, assinada pelos membros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), e por países convidados como Brasil, Coreia do Sul, Egito, Índia e Quênia, enfatizou a urgência. O documento afirma: “Apelamos aos provedores de serviços digitais para que desenvolvam e implementem tecnologias e sistemas que garantam experiências seguras, protegidas e adequadas à idade”.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da cúpula como convidado, acompanhado pela primeira-dama Rosângela ‘Janja’ da Silva. A primeira-dama, inclusive, fez um apelo por um “pacto mundial” sobre a proteção de menores no ambiente digital, reforçando a gravidade e a abrangência da questão.
Os Estados Unidos demonstraram alinhamento total com seus parceiros do G7 no princípio de proteger os menores nas redes sociais. Essa postura é ecoada por movimentos em outras nações: o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou recentemente que menores de 16 anos serão proibidos de utilizar redes sociais no Reino Unido, e a França também considera uma proibição semelhante. Uma estudante do ensino médio de Evian, durante um encontro paralelo, corroborou a preocupação, afirmando: “Acho que é certo, porque as redes são perigosas quando se é muito jovem”.
À sombra da Anthropic
Apesar do consenso sobre a proteção de menores, os países do G7 ainda divergem em questões cruciais como a tributação e a regulamentação do setor digital. A presença de Dario Amodei, diretor da empresa americana de inteligência artificial Anthropic, no almoço de trabalho, trouxe à tona discussões sobre os desafios regulatórios da IA.
A Anthropic, notavelmente, suspendeu o acesso à versão mais potente de sua tecnologia em cumprimento a uma ordem de Washington que invoca um risco à segurança nacional. Esse incidente ilustra a complexidade e a urgência de estabelecer diretrizes claras para o desenvolvimento e uso da inteligência artificial. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a necessidade de uma parceria sólida entre os Estados Unidos e a União Europeia em matéria de IA, para que cidadãos e empresas “possam utilizar com total segurança os melhores modelos” de inteligência artificial.
Na véspera da cúpula, o presidente Lula também fez um alerta importante, apelando para que “as transições energética e digital não possam reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”, sublinhando a necessidade de uma distribuição mais equitativa dos benefícios da inovação.
Em outras declarações, o G7 se comprometeu a reduzir “significativamente” sua dependência da China como fornecedora de minerais críticos. Além disso, os líderes planejam lançar até novembro “uma rede portuária” para combater o narcotráfico e reforçar a cooperação entre seus principais portos marítimos, ampliando a agenda de segurança para além do ambiente digital.
Oportunidade histórica
Às margens do Lago Léman, os líderes do G7 também abordaram questões geopolíticas de grande relevância. Eles celebraram o acordo entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio como uma “oportunidade histórica” e concordaram em aumentar a pressão sobre a Rússia para que encerre o conflito na Ucrânia.
O pacto com o Irã, alcançado “sob a firme liderança do presidente [Donald] Trump”, foi descrito como uma “oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e enfrentar as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas”. Contudo, o presidente Trump advertiu que se o Irã “não se comportar, voltaremos imediatamente a lançar bombas bem na cabeça deles”, dois dias antes da cerimônia de assinatura prevista na Suíça.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, avaliou que o acordo pode “realmente mudar as coisas” no Oriente Médio e também em outros assuntos, como a Ucrânia, apontando uma mudança de tom de Washington. Trump, que anteriormente se recusava a apontar um culpado no conflito ucraniano, adotou uma postura mais hostil em relação a Moscou, sugerindo que a Rússia deveria “chegar a um acordo” com Kiev e insinuando a possibilidade de restabelecer sanções ao petróleo e gás russos.
Ouro de verdade
A anfitriã França dedicou esforços consideráveis para garantir a permanência do imprevisível presidente dos Estados Unidos durante todo o evento, diferentemente da reunião anterior no Canadá, da qual ele partiu antes do final. Em um gesto incomum, o presidente francês, Emmanuel Macron, convidou Trump para um jantar no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, após a conclusão da cúpula, embora tenha assegurado que não seria uma “gala”.
Trump aceitou o convite de Macron com entusiasmo, comentando na terça-feira: “Versalhes não é folheado a ouro. É ouro de verdade”, encerrando a cúpula com um toque de informalidade e grandiosidade.
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